Economia

Volks e Firestone
de perda industrial

DANIEL LIMA - 05/02/2000

Um balanço nada satisfatório para a economia do Grande ABC, que depende de um setor industrial ainda em fase de contração: entre dezembro de 1998 e novembro de 1999 a atividade fechou 24 mil vagas nos sete municípios da região. Isso significa que o equivalente a uma Volkswagen/Anchieta e a uma Bridgestone Firestone de Santo André foi simplesmente varrido do mapa local de empregos. O resultado não surpreende, porque já se tornou rotina a queda do emprego industrial na região que mais sofre os efeitos da reestruturação econômica provocada pela globalização. Os setores mais atingidos pelo desemprego foram o metal-mecânico, com 12,5% de rebaixamento de mão-de-obra, e de química e borracha, com 17,9%. 

Esses e outros resultados fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pela Fundação Seade (Fundação Estadual de Análises de Dados Econômicos), Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas) e Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. A taxa de desemprego total no Grande ABC em novembro último diminuiu de 20,1% para 19,6% da PEA (População Economicamente Ativa). O nível de ocupação manteve-se praticamente estável, com duas mil novas vagas preenchidas. O contingente de desempregados foi estimado em 213 mil pessoas, o que significa a soma das populações de São Caetano e Ribeirão Pires. Quatro meses atrás a situação era pior, porque incluía os 35 mil habitantes de Rio Grande da Serra.

O comportamento do desemprego não teve motivo alentador: o decréscimo da PEA em sete mil pessoas entre novembro e dezembro não pode ser atribuído exclusivamente à geração de novas oportunidades ocupacionais (duas mil novas vagas), uma vez que também ocorreu diminuição da População Economicamente Ativa (cinco mil pessoas) em dezembro. A outra má notícia, submersa na relativa estabilidade do nível de ocupação em todos os setores de atividades, é que continua o processo de fragilização das formas de inserção ocupacional, já que aumentou a parcela de trabalho autônomo e de assalariados sem carteira, em contrapartida à diminuição do emprego formal registrado em carteira.

Esse contraste é explicado também pelas perdas líquidas de emprego industrial, tradicionalmente de melhor qualidade tanto em remuneração quanto de vínculo formal. Enquanto foram dizimados 24 mil postos de trabalho industrial nos últimos 12 meses no Grande ABC, o equivalente a 6,5% do contingente, aumentou em 13,8% o nível de empregos no setor de serviços, o que totalizou 24 mil postos. A estimativa é de que hajam 452 mil empregados no setor de serviços da região. No comércio, o balanço de 12 meses aponta queda de 6,3% na mão-de-obra empregada. 


Terceiro no mundo -- Balanço do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), constatou que o Brasil é detentor da medalha de bronze de maior contingente de desempregados no mundo, com 7,7 milhões de pessoas improdutivas. Só a medalha de prata Rússia, com 9,1 milhões de desempregados, e a medalha de ouro Índia, com 40 milhões, superam os brasileiros. Do total de pessoas sem emprego no mundo em 141 países pesquisados pelo Cesit, 5,61% estavam no Brasil em 1998. 

O desemprego no País tem subido na mesma proporção da abertura comercial e também a reboque da Constituição de 1988, pródiga em distribuir sonhos e em penalizar empresas com carga tributária vice-campeã no mundo. Em 1986 a contribuição do Brasil no desemprego global atingia 1,68%, contra 5,61% de 1998. 

Os dados do Brasil são da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), feita pelo IBGE. O trabalho reflete o desemprego em todo o País, cuja taxa de 1999 está estimada em 9,8% da PEA. Já a pesquisa do Dieese e da Fundação Seade mede o desemprego médio com metodologia diferente. Em dezembro, apontou desocupação de 19,4% na Região Metropolitana de São Paulo, um recorde nos últimos 15 anos. 


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