Economia

Nem britânicos
chegam a tanto

ANDRE MARCEL DE LIMA - 05/03/2000

A MZM Construtora detém característica que vale ouro no mercado da construção civil. A empresa de Santo André não apenas nunca atrasou a conclusão de qualquer empreendimento como acostumou-se a entregar prédios antes do prazo contratual. De oito edifícios residenciais erguidos no Grande ABC, cinco foram concluídos com folga em relação ao prazo estipulado e os demais ficaram prontos no tempo combinado. "Na pior das hipóteses, cumprimos com o previsto" -- afirma o diretor comercial Idivaldo da Cunha. 

O Residencial Verona, com duas torres de 13 andares cada e 104 apartamentos no Bairro Valparaíso, em Santo André, ficou pronto oito meses antes do prazo contratual. O Edifício Apolo, com 44 apartamentos em 11 andares e localizado no mesmo bairro, foi finalizado com nove meses de antecedência. O Edifício Firenze, de 13 andares na Vila Curuçá, também em Santo André, teve entrega de chaves antecipada em um mês. Os moradores do Versales, em São Caetano, tiveram a espera abreviada em quatro meses. E os 240 condôminos do Portal dos Clássicos, em São Bernardo, receberam o imóvel concluído seis meses antes. 

A MZM incorporou o argumento mais poderoso no universo da construção civil ao cimentar a fama de concluir obras antes do previsto. Afinal, credibilidade e confiança representam o maior patrimônio de organizações cuja atividade exige absorção de vultosos volumes de capital alheio antes que os resultados se tornem visíveis. Sobretudo no panorama brasileiro, abalado por episódios de irresponsabilidade empresarial e social como os casos Encol e do ex-deputado federal e construtor Sérgio Naya (cassado pela Câmara, mas ainda não punido pela Justiça). 

É a confiança baseada na antecipação do atendimento que explica o crescimento fora do comum da MZM em tempo relativamente curto. A empresa contabiliza 129 mil metros quadrados de área construída de apartamentos residenciais nos últimos cinco anos de atividades. Lançou-se no mercado com modesto prédio de três andares e 15 apartamentos em São Caetano -- o Edifício Santa Maria, em 1995. Hoje exibe a marca de 852 apartamentos em empreendimentos cujas dimensões vão muito além do convencional. Para compreender melhor o volume construído pela MZM, o ideal é tomar torres como referência, não os empreendimentos. Os oito empreendimentos residenciais somam 15 torres de apartamentos. "O Residencial Nova Petrópolis, em São Bernardo, entregue em outubro último, é composto de quatro torres com 19 andares cada e 296 apartamentos no total" -- exemplifica Idivaldo.

A resposta para a agilidade está na filosofia de trabalho. A MZM é tão interessada na conclusão rápida dos prédios quanto os compradores, porque atua exclusivamente com preço fechado. Por esse sistema, os compradores sabem de antemão quanto vão pagar por apartamento, ao mesmo tempo em que a construtora trabalha com orçamento definido. Diferente, portanto, do sistema de preço de custo, em que o ritmo das obras é definido pela disponibilidade financeira dos condôminos. O sistema de preço fechado impulsiona a produtividade porque a construtora tende a acelerar a conclusão das obras como forma de diminuir custos fixos -- e os consumidores agradecem.

A disposição de suplantar expectativas vai além da finalização antecipada dos prédios. Ao realizar a festa de entrega de chaves do condomínio Portal dos Clássicos, mês passado, a MZM surpreendeu os proprietários dos 240 apartamentos, dos quais 12 coberturas, ao oferecer equipamentos que não constavam do contrato e que normalmente são atribuição do condomínio: entregou os dois salões de jogos montados, com mesas de snooker, carteado, jogos de tabuleiro, tênis de mesa e pebolim, sala de ginástica equipada, além de cascata e todo mobiliário de piscina, incluindo guarda-sóis, mesas, cadeiras e espreguiçadeiras. Os proprietários também encontraram as saunas equipadas com móveis para repouso e a quadra poliesportiva iluminada e com redes de proteção. "Os custos suplementares são irrisórios quando comparados com a satisfação dos moradores" -- observa Idivaldo Cunha.


Portal com champanhe -- Os condôminos do Portal dos Clássicos tiveram expectativas superadas também quando subiram aos respectivos apartamentos e encontraram, à porta, display informando tratar-se de unidade revisada e que só poderia ser aberta pelo proprietário desde que acompanhado por um técnico da construtora. "Da mesma maneira que a entrega de um veículo zero quilômetro em uma concessionária é realizada por vendedor especializado para dar a orientação necessária ao comprador, os técnicos em Engenharia Civil recepcionam os proprietários e os instruem sobre detalhes do novo imóvel" -- explica Idivaldo. Os técnicos não só apresentaram o produto e dirimiram eventuais dúvidas como estouraram garrafas de champanhe. O conceito de unidade revisada integra o manual de procedimentos da MZM. 

A iniciativa de criar departamento exclusivo de pós-venda, rara no universo imobiliário mas comum no mercado de eletrodomésticos e de automóveis, entre outros, é mais um indicativo de que o relacionamento com clientes não se esgota na entrega das chaves. O departamento será criado ainda neste mês, provavelmente em Santo André, para dar estrutura mais adequada a atividades que a MZM já realiza, como atender a problemas como uma pia entupida, por exemplo. O serviço contará com cinco veículos personalizados. 

O Portal dos Clássicos é o principal cartão de visitas da MZM porque incorpora, com veemência, o conceito de moradia com qualidade de vida, priorizado nos demais empreendimentos residenciais. As três torres de 80 unidades cada estão integradas a um verdadeiro clube. Além de salas de ginástica e de jogos e salões espaçosos para festas, contempla quadra poliesportiva e duas piscinas em terreno de 5,5 mil metros quadrados, boa parte dos quais ajardinada. Só o espaço de confraternização em torno da churrasqueira tem 100 metros quadrados. Prova de que morar em apartamento não é obrigatoriamente sinônimo de viver confinado.

O nono empreendimento residencial da MZM está em construção na Avenida Pereira Barreto, em Santo André, em parte do terreno onde estava instalada a planta da KS Pistões. O Parc de France terá seis torres de 19 andares e 456 apartamentos. A primeira torre está programada para dezembro de 2000, a segunda para junho de 2001 e as demais a cada seis meses. "Mais de 90% das unidades estão vendidas" -- informa Idivaldo.

A maior parte dos negócios da MZM está no ramo residencial, mas a construtora também atua no setor comercial, especialmente na área de edificações bancárias: construiu 18 agências para a Caixa Econômica Federal desde agosto de 1998. As unidades erguidas no Grande ABC, Baixada Santista e Capital paulista somam outros 19 mil metros quadrados. "A média foi de uma agência por mês durante 1999" -- comenta Idivaldo. 

O Shopping Lar ABC é outro empreendimento que extrapola o segmento residencial. Além de materializar o projeto de mais de seis mil metros quadrados nas instalações adquiridas da Festo, na Avenida Pereira Barreto, a MZM administra o centro de compras com 60 lojas de móveis e decoração.

O crescimento da construtora de Santo André em apenas cinco anos é consequência direta de peculiaridade que, à primeira vista, poderia soar como desvantagem: a maior parte dos diretores não tinha intimidade com construção civil antes de criar a empresa. Apenas o diretor-técnico e engenheiro civil Essam Sabbahi tem origem na atividade. Idivaldo da Cunha, diretor-comercial, Mauro Lopes de Meira Barros, diretor-superintendente, Isamar Ferreira Catharina, diretora-administrativa, e Francisco Diogo Magnani, diretor-geral, são egressos de outros setores econômicos. "Tivemos, e ainda temos, de aprender rápido para não perder espaço para concorrentes tradicionais" -- afirma Idivaldo. Mais do que isso, a multiplicidade diretiva permite enxergar a construção civil por ângulos heterodoxos que geram inovações constantes.

A MZM conta com 160 funcionários e mantém setores geralmente terceirizados como marketing e venda de imóveis. Os serviços operacionais são repassados a terceiros, com acompanhamento permanente do corpo técnico próprio e dos diretores.


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