Economia

Balanço imobiliário: silêncio
é bem melhor que enganação

DANIEL LIMA - 14/02/2019

Muito melhor assim, porque assim não se dá um drible da vaca no distinto público, e se o distinto público não é driblado, os índices de inadimplência dos compradores iludidos baixam consideravelmente, e baixam consideravelmente porque ninguém compra gato por lebre. Ou há menos compradores familiares sujeitos aos mercadores imobiliários inescrupulosos que infestam a região, principalmente entre mandachuvas do setor.

Eis o resumo da ópera do balanço não anunciado porque vexatório do mercado imobiliário do Grande ABC na temporada passada. Graças à relativa seriedade do presidente da entidade, Marcus Santaguita, não tivemos nas últimas temporadas festivais de mentiras estatísticas. Foi essa situação que vivemos durante muitos anos quando à frente daquela entidade estava o empresário Milton Bigucci. 

O mesmo Milton Bigucci que foi à Justiça várias vezes para calar este jornalista. E mesmo com o Judiciário insensível à liberdade de expressão com responsabilidade social, estou aqui firme e forte. Além de mais indignado ainda, claro. Sem contar, também, contraditoriamente, eufórico, porque condenações daquele tipo são de fato condecorações ao bom jornalismo. Ainda sou suficientemente idiota para ver o lado bom de determinadas coisas deste País de bandoleiros.

Nada do ano passado

Estamos em meados de fevereiro de 2019 e nenhum dado estatístico sobre o comportamento do mercado imobiliário do Grande ABC no ano passado foi anunciado pelo Clube dos Construtores de Marcus Santaguita. 

Quando escrevi que é preferível a relativa seriedade do dirigente, quis dizer exatamente o seguinte: ele poderia ser mais transparente, trazer a realidade à tona para que todos possam se situar sobre o descaminho econômico do Grande ABC pós-fim do festival de consumismo que se esgotou no governo Dilma Rousseff, porque tudo começou, a bem da verdade, com o segundo mandato de Lula da Silva na presidência. 

Sim, Marcus Santaguita poderia ter reunido a imprensa, como prometera a este jornalista, para dizer que a situação é caótica e que os níveis de negócios no setor foram impactados frontalmente pela recessão econômica maior por aqui do que na maioria dos territórios do País. 

Entretanto, o que se sabe é que houve pressões de terceiros a que não se levasse à sociedade a verdade dos fatos. Menos mal que Marcus Santaguita tenha omitido, porque fosse Milton Bigucci, certamente saltariam dados absurdamente delituosos em contraste com a realidade. 

Nos delírios biguccianos a região mais que reconhecidamente permeável a retumbantes instabilidades econômicas a bordo da indústria automotiva seria um paraíso eterno. Como já o fora antes, desfilando-se dados que colocaram a Cinderela São Paulo aos pés da região. Isso sim é que é gataborralheirismo. 

Foi dessa forma que Milton Bigucci procedeu durante os anos de crescimento econômico e, com isso, levou muita gente a compras estimuladas por engrenagens de marketing irresponsáveis. 

Resposta da natureza 

Os distratos, tanto aqui como no País como um todo, foram uma resposta da lógica econômica aos desvarios dos fantasiosos de plantão. Não há futuro com segurança além do tiro curto quando se substitui produção e produtividade por gastança.

Pena que nos estertores do governo de Michel Temer, aquele que fez companhia ao PT durante muito tempo, mas que deu uma ajeitada na economia pós-Dilma, o suficiente para impedir catástrofe típica de Venezuela, pena que esse mesmo Michel Temer concedeu ao baronato imobiliário as benesses de uma legislação sobre distratos que é um monumento à estupidez. Uma estupidez condenada por escritórios de Direito especializados que, entre várias agressões, identificam a quebra do sagrado Direito do Consumidor. 

Jogar toda a bomba da responsabilidade dos distratos no colo dos compradores, como a lei praticamente o fez com penalização monetária elevadíssima, entre outras decisões, é se submeter demais aos lobistas do setor. Algo que o governo Jair Bolsonaro poderia rever porque a sociedade como um todo foi assaltada. 

Punição a especuladores 

Escrevi vários artigos sobre os distratos imobiliários e sempre enfatizei a importância de distinguir especuladores, estes sim sujeitos a uma legislação dura, de compradores familiares. De gente que uma vez na vida e outra na morte se envolve com negócios imobiliários e que, portanto, está sempre e bovinamente pronta aos ataques de agentes inescrupulosos. 

Dei essa volta olímpica sobre os distratos imobiliários mas retomo o tema inicial: o balanço do Clube dos Construtores relativo ao ano passado é importantíssimo porque com Marcus Santaguita tivemos o que chamaria de moralização do setor na região. 

O sucessor de Milton Bigucci acabou com a brincadeira de números manipulados e colocou uma empresa especializada, que serve a todo o complexo do Secovi no Estado de São Paulo, para medir o setor na região. Com Milton Bigucci o que funcionava era um jogo de faz-de-contas de inventar números para manipular o mercado, conforme desmascarei inúmeras vezes, enquanto o resto da Imprensa preferia o caminho oposto de aplaudir a enganação com manchetes subservientes. 

Preocupação antiga 

Nunca é demais lembrar aos leitores menos frequentes que consultam estas páginas o quanto nos aprofundamos ao longo dos anos nas questões relativas ao mercado imobiliário da região, sempre tendo como referencial o que se passa na Região Metropolitana de São Paulo e, em alguns casos, no ambiente internacional. 

São centenas de matérias a balizar as análises de modo que não haja contradição deletéria de ocasião, como é comum em tantos outros endereços de informação. 

O desempenho de Milton Bigucci à frente do Clube dos Construtores é um histórico de horror. Marcus Santaguita e os dirigentes que escolheu para comandar a entidade (Milton Bigucci segue influenciador como membro do Conselho Deliberativo) não revolucionaram a atividade, como se esperava, após receberem uma entidade sem credibilidade e também sem serviços prestados à sociedade. Tudo se principiava e se esgotava num grupinho dos mais chegados à presidência.



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