Economia

Varejo capitaliza
o debate político

VERA GUAZZELLI - 05/09/2000

A agenda do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista do Grande ABC) está preenchida até o final do mês com novas rodadas de debates com três prefeitos que concorrem à reeleição. Às vésperas de se ir às urnas, os encontros estão sendo dominados por dois assuntos que mais preocupam o setor: falta de segurança e dificuldade de sobrevivência dos pequenos negócios. A entidade não tomou a iniciativa de promover os encontros, mas atendeu pedidos de Celso Daniel, Oswaldo Dias e Ramón Velasquez, candidatos à reeleição em Santo André, Mauá e Rio Grande da Serra pelo Partido dos Trabalhadores. Já a Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) se reúne com os cinco candidatos a prefeito até dia 28 deste mês para trocar informações semelhantes.


Já aconteceram perto de 15 reuniões patrocinadas pelo Sincomércio e mais uma dezena está programada até o final de setembro nos três municípios. São cafés da manhã limitados à média de 20 participantes que representam pequenos e grandes varejistas. O número é considerado ideal para manter o foco da discussão. "Os comerciantes aproveitam para reivindicar e transformam a oportunidade em reuniões de trabalho" -- anima-se o diretor de marketing do Sincomércio, Ricardo Fioravanti. 


A descaracterização dos costumeiros discursos pré-eleitorais permite contabilizar resultados positivos no item segurança. Quatro bases comunitárias serão instaladas até 20 de outubro nas principais divisas de Santo André. O grupo que representa o Município também iniciou discussão sobre a participação da iniciativa privada no projeto de monitoramento dos eixos comerciais por meio de câmeras de vídeo. 


Até em Rio Grande da Serra as conversas avançaram. A instalação da primeira base comunitária deve ser iniciada em 10 dias. A conquista é inusitada. Rio Grande da Serra viveu os dois últimos anos tentando saber quem era o prefeito e exercitou muito pouco a discussão de problemas emergentes. Mauá ainda está no início do processo, mas as propostas devem caminhar para a mesma direção.


Pequenos -- Enquanto a segurança pública ocupa a liderança das preocupações de negócios de todos os portes, o debate sobre a manutenção dos pequenos comércios mobiliza só o grupo dos prejudicados. Evitar o efeito devastador de grandes empreendimentos do varejo no comércio familiar é assunto tão complexo que até agora nenhum prefeito da região resolveu tomar a frente da discussão. Desde 1994 seis mil estabelecimentos fecharam as portas no Grande ABC dizimados pela concorrência de grande porte, segundo dados do Sincomércio e Sincovaga.


A Prefeitura de Santo André vetou recentemente projeto de lei do vereador Márcio Pereira que instituía comitê de análise do impacto socioeconômico de grandes empreendimentos. Mesmo assim, a categoria não recuou e está mobilizada em torno do assunto. Cada pequeno comércio que fecha as portas deixa de gerar empregos e receita para o Município e contribui para a desocupação urbana, em mais um passo para o aumento da violência. "O círculo é vicioso e perigoso" -- adverte Fioravanti. Com tantos assuntos delicados na pauta, a principal expectativa do Sincomércio com os cafés da manhã é engrossar a representatividade dos pequenos nas decisões que envolvem o setor. A entidade espera criar grupos regionais para que esse tipo de trabalho se torne constante. 


A Acisa está ouvindo propostas dos cinco candidatos a prefeito todas as quintas-feiras durante reuniões de diretoria. Sílvio Pina, do PSDB, e Élcio Riva, do PPS, já participaram das discussões que também englobam segurança e diretrizes para indústria e comércio. Jaime de Almeida, do PSTU, Celso Daniel, do PT, e Celso Russomanno, do PPB, pela ordem, serão os próximos.  "Aproveitamos para conhecer mais detalhadamente o plano de governo de cada candidato" -- explica o gerente de Marketing da Acisa, Mauro Cabral.


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