Mais nova estância turística do Estado, Ribeirão Pires experimenta momento único na história. Nunca antes empresários locais se uniram para levantar a economia e fazer valer a vocação para o ecoturismo. Arregimentados pela Aciarp (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Ribeirão Pires), mais de 40 empreendedores, proprietários de empresas voltadas para o turismo, se movimentam para atrair investidores de outras regiões do Estado que apostem nesse reduto de Mata Atlântica que contrasta com a tradição industrial do Grande ABC.
A cidade vive momento de transformação. Oficinas de turismo desenvolvidas por Embratur e Sebrae informam a população sobre a importância de receber e tratar bem os visitantes. A Prefeitura acaba de concluir censo turístico que proporcionará informações detalhadas sobre a procedência das pessoas que percorrem vários pontos do Município nos fins de semana. O censo já apurou que Ribeirão recebe mais de 10 mil pessoas em sábados e domingos ensolarados. A própria Aciarp acaba de instalar site na Internet com informações sobre a entidade e a cidade e prepara guia turístico local.
Salva pela Lei Estadual de Proteção dos Mananciais, de 1976, que transformou 100% de seu território em área de preservação de recursos hídricos, Ribeirão Pires é reduto de fontes cristalinas de água mineral e de marcos históricos. A principal atração turística é a secular Igreja de Nossa Senhora do Pilar, construída em 1714. Também atraem visitantes o Mirante de Santo Antonio, de onde se vê a cidade de um lado e a Represa Billings de outro, e a Gruta da Quarta Divisão, cujo salão principal se estende por 30 metros de comprimento por 15 metros de largura. A Pedra do Elefante, formação granítica localizada em área particular, proporciona visão panorâmica de municípios vizinhos.
A exuberante Serra do Mar e o clima ameno com média anual de 16 graus, que no fim de tarde produz fog tipicamente londrino, dão ares de Campos do Jordão à estância do Grande ABC. Nesse cenário romântico e paradisíaco, hospedagem e diversão ficam por conta de hotéis e equipamentos turísticos como clube náutico e centros hípicos. Dezenas de sítios e chácaras são alugados para festas, treinamentos empresariais e encontros religiosos. Ribeirão Pires está na 78ª posição no ranking da Revista Exame das 100 melhores cidades brasileiras para negócios.
Vocação despertada -- Turismo é a atividade econômica que mais cresce no Brasil, responsável por 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) e quase 6,5 milhões de empregos diretos e indiretos. Com número tão superlativo, é fácil explicar por quê o título de estância turística conquistado em dezembro de 1998 despertou vocação adormecida em Ribeirão Pires. Já se percebem mudanças comportamentais nos 110 mil habitantes. Sopram ventos de receptividade. A cidade já obteve da Embratur o Selo de Município Prioritário para o Desenvolvimento Turístico e se integrou ao PNMT (Programa Nacional de Municipalização do Turismo). Em 1999 foi beneficiada com repasse de R$ 900 mil proveniente do Fundo de Apoio às Estâncias. Para este ano está previsto repasse de mais de R$ 1 milhão.
Empreendedores locais estão interessadíssimos em conquistar parceiros que, além de recursos financeiros, tragam know-how e novas tecnologias. Há espaço para cafés, cybercafés, bares, cervejarias, restaurantes, livrarias, operadoras de turismo, salas de cinema, franquias de fast-food, hotéis, pousadas, spas, centros de compras e lazer e academias de ginástica, entre outras atividades.
"Estamos abertos a todo tipo de investidor que quiser juntar esforços com quem já está consolidado em Ribeirão Pires. Apostamos na troca de experiências para crescer" -- afirma o empresário Eduardo Antonio dos Santos Nogueira, presidente da Aciarp.
Moradores de Santo André, São Bernardo e São Caetano frequentam a estância com assiduidade. Ribeirão é famosa por ser reduto de santistas que sobem a Serra do Mar nos fins de semana para descansar em sítios e chácaras espalhadas pela Mata Atlântica. Um dos santistas mais ilustres com terras na cidade é o governador Mário Covas, proprietário de sítio no Bairro Ouro Fino.
Novos investimentos agitam o Município. Está em fase de legalização na Secretaria Estadual do Meio Ambiente projeto de instalação de um spa no Bairro Ouro Fino. Paralelamente, há um grupo empresarial de fora da cidade negociando com a Prefeitura a instalação de Centro de Vivência Ecológica no Bairro Quarta Divisão. O projeto do Centro de Vivência, que agrega ecoshop, trilhas na mata e viveiro de plantas, demanda investimento de cerca de R$ 225 mil.
"Terra ainda é produto muito barato em Ribeirão" -- afirma a empresária Eliete Vieira da Silva, proprietária da Trentina Imóveis. Ela garante que há terrenos de mais de 50 mil metros quadrados, indicados para condomínios de alto padrão, campings, centros de lazer, hotéis e pousadas, ao custo de R$ 2 o metro quadrado. "São áreas cercadas de Mata Atlântica, onde é possível encontrar até nascentes de água mineral. Como estão protegidas pela Lei dos Mananciais, essas áreas precisam ser grandes. Do total de 50 mil metros quadrados, apenas 10 mil podem ser desmatados para construção" -- esclarece.
Maior empreendimento do setor hoteleiro em Ribeirão Pires, o Hotel Estância Pilar está em busca de parceiro que tenha R$ 1 milhão para investir em balneário voltado para a Terceira Idade. Instalado em três milhões de metros quadrados no Bairro Quarta Divisão, o hotel tem estrutura invejável -- 75 apartamentos categoria quatro estrelas, salas para eventos, festas e convenções, duas quadras poliesportivas e duas piscinas abastecidas exclusivamente com água mineral extraída de 15 fontes naturais. "Precisamos de ajuda para ativar o negócio e também para instalar equipamentos complementares, como salão de café, campo de futebol e pousada" -- convida a gerente Rubia Alvares Alipio.
Ricardo Nardelli também procura parceiros para ampliar os negócios. Proprietário do Centro Rural de Lazer Nardelli, o empresário quer aproveitar melhor o potencial da área de 80 mil metros quadrados com a construção de uma pousada. Nardelli afirma que o projeto está pronto, mas não conclui os custos. "Temos média de ocupação excelente e isso me faz apostar na ampliação do negócio" -- afirma.
Agências locais do Banespa e da Caixa Econômica Federal estão se preparando para negociar empréstimos a investidores interessados no ecoturismo em Ribeirão Pires. Para construção de hotéis e pousadas, que demandam muito dinheiro, a única linha disponível é do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A Caixa também dispõe de alternativa para pequenos e médios negócios. O produto se chama Giro Caixa e libera até R$ 100 mil sem exigência de certidões, afirma Cassio Roberto Sopko, gerente de mercado da agência de Ribeirão Pires. Só neste ano o banco federal já liberou 100 empréstimos do Giro Caixa na cidade.
A Prefeitura oferece algumas vantagens. Não doa terreno nem concede desconto no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), mas reduziu alíquotas do ISS (Imposto Sobre Serviços) nas áreas de hospedagem (de 5% para 1%) e de festas (de 10% para 3%). O principal incentivo fiscal, contudo, é a restituição de até 20% do total do investimento, dependendo da geração de empregos e do impacto no meio ambiente. A avaliação está a cargo do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico.
O fato de Ribeirão Pires estar classificada pela Embratur como Município Prioritário para o Desenvolvimento do Turismo permite que os empresários recorram ao Fungetur (Fundo Geral de Turismo), repassado pelo Banco do Brasil com juros entre 6% e 8% ao ano, dependendo do volume do empréstimo. O Fungetur tem carência de quatro anos e pode ser pago em até 13 anos.
Duas empresas, Tahuana e Jovem Tur, já operam turismo receptivo na cidade. Proprietária de frota de microônibus equipados com ar-condicionado, TV e vídeo, a Tahuana promove citytours que duram um dia inteiro e são dirigidos a estudantes de Ensino Fundamental e Médio, a alunos de cursos de inglês (o passeio é narrado exclusivamente no idioma da terra dos Beatles) e à Terceira Idade. Turistas são levados para conhecer pontos culturais e históricos e passeiam também por empreendimentos particulares como Centro Hípico Amarelinho, Clube Náutico Tahiti e Castelo Robson Miguel.
A Jovem Tur aposta no diferencial das trilhas nas matas para atrair jovens turistas a Ribeirão Pires. A empresa também promove citytour, mas o principal foco está em aventura e esportes radicais como o rapel. A empresa já promoveu três edições do Turistrem, passeio que começa na Estação da Luz, em São Paulo. O Turistrem é uma parceria com a Secretaria Estadual de Esportes e Turismo, CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e Prefeitura de Ribeirão Pires.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC