Economia

Cidade Tognato
tropeça em valor

MALU MARCOCCIA - 05/02/2002

O produto continua na cabeça e a vontade de viabilizar, ao que parece, também. Mas esses ingredientes são muito abstratos para tirar do papel o megaprojeto hoteleiro, residencial e de entretenimento batizado de Cidade Tognato, anunciado com entusiasmo em junho de 1999 e que ameaça ser carbonizado devido aos altos valores do terreno. São nada menos que 218 mil metros quadrados em plena área central de São Bernardo, próximo à Prefeitura e ao lado do Shopping Metrópole, banhados de infra-estrutura urbana por todos os lados. 

"Pelo que sei, as negociações emperraram na compra do terreno. Dos três investidores interessados, um desistiu" -- comenta o prefeito Maurício Soares, que emprestou apoio do Poder Público na forma de operação urbana na área, já que é por ali que deveria ter início a Avenida Lauro Gomes, uma paralela viária importantíssima para ajudar a congestionada Avenida Senador Vergueiro. A Lauro Gomes foi projetada para ligar o Centro até a Via Anchieta, em São Paulo, e por enquanto começa cerca de dois quilômetros adiante, no Hipermercado Carrefour.

Na Fiação e Tecelagem Tognato, proprietária do imóvel, o presidente Emílio Rigamonte manda dizer que não quer fazer comentários. Mesmo que comecem a materializar o projeto, orçado em R$ 800 milhões, os investidores ainda ficarão a reboque de megadívida com INSS e IPTU, outra guilhotina armada para abortar a Cidade Tognato. "Mesmo com cessão de área para fazermos todo o traçado viário, eles devem à Prefeitura muito Imposto Predial e Territorial Urbano" -- menciona o prefeito Maurício Soares, sem entrar em detalhes. "Gostaríamos que o projeto saísse, por negociação ou por falência" -- acrescenta.

A Tognato acaba, inclusive, de deixar a área que ocupou desde os anos 50 no importante corredor da Avenida Pereira Barreto, onde esparramava-se em 35 galpões e cerca de 70 mil metros quadrados de construção. Está agora em espaço alugado de 17 mil metros quadrados construídos no km 22 da Via Anchieta, no trevo do Bairro Assunção, também em São Bernardo. Sua mudança era uma das pré-condições para fazer decolar a Cidade Tognato, já que a veterana empresa têxtil vinha compactando a produção e alegava não precisar mais do que 20 mil metros quadrados de área para operar. Dos 35 galpões desocupados, apenas um deve resistir à varredura da Cidade Tognato, para sediar um museu setorial. A loja de fábrica, por enquanto, continua ativa no nobre endereço.

Tudo superlativo -- O projeto Cidade Tognato não tem nada de modesto. Foi anunciado pelo presidente Emílio Rigamonte para fazer brotar na nova paisagem 3,5 mil apartamentos classe A, 600 salas comerciais, 400 flats, hotel cinco estrelas com 240 apartamentos, centro de convenções, Rua 24 Horas, 10 mil metros quadrados de recreação e shopping com 150 lojas.  

A pedido da Construtora Emparsanco, considerada um dos investidores interessados, a Toledo & Associados realizou pesquisa com moradores sobre opções de serviços que desejariam no local e houve até a alternativa de um parque temático. Alegando confidencialidade, a Toledo & Associados não quis anunciar o resultado da pesquisa. Pelo projeto, a Cidade Tognato demandaria cinco anos de obras, que deveriam ter começado no início de 2000. Geraria quatro mil empregos.

A operação viária que compete à Prefeitura também está paralisada. Procurado por meio da Assessoria de Imprensa, o secretário de Obras, Otávio Manente, não deu retorno. O anúncio feito há dois anos e meio pela Prefeitura dava conta de que o megacomplexo de negócios e lazer seria adaptado ao traçado da Avenida Lauro Gomes, que cortaria a Cidade Tognato ao meio. Outro corte viria da Rua Kara pela Cidade da Criança, no Jardim do Mar, unindo Avenida Kennedy à Avenida Pereira Barreto -- outro importante traçado para escoar o trânsito do km 18 da Via Anchieta em direção a Santo André. Com a Cidade Tognato engavetada, o trânsito continua empurrado para a região central de São Bernardo.


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