A palavra acomodação parece definitivamente fora do dicionário utilizado por muitos empreendedores de Campinas. Depois de abocanhar 15,57% de todos os investimentos em produção realizados no Estado de São Paulo nos últimos seis anos, a Região Metropolitana de Campinas aproveita o momento de pujança econômica para transformar-se também em pólo de turismo de negócios. São 29 cidades que concentram 9% do Produto Interno Bruto brasileiro e buscam multiplicar as oportunidades ao apostar em segmento promissor que planeja 23 empreendimentos de hotelaria e eventos até 2004 em toda a região.
A constatação de que Campinas e cidades vizinhas encontram-se em ebulição com os US$ 15 bilhões atraídos em investimentos desde 1995 foi o combustível para a arrancada do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau. A entidade foi formada há 18 meses e utiliza coleta da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), do IBGE, da Secretaria de Ciência e Tecnologia de São Paulo, das Prefeituras e das próprias empresas como principal referência para inserir as 20 cidades associadas no roteiro mundial dos eventos. O recente lançamento do Guia Profissional de Eventos e de revista específica para os promotores da área editada em inglês e português são o ponto de partida de trabalho com cronograma definido e cujos frutos começam a florescer.
"Se ninguém brigar pela região, os investimentos em turismo de negócios vão para outras localidades" -- raciocina o presidente do Convention & Visitors Bureau, Antonio Dias, empresário do ramo hoteleiro. A associação é formada por 120 empresas com atividades complementares entre hotéis, restaurantes, locadoras de veículos e seguradoras, que optaram por ir ao encontro do turista ao invés de esperar que ele venha bater na porta de cada um à procura de serviço qualificado.
O Campinas e Região Convention & Visitors Bureau está de olho em atividade que cresce anualmente e movimentou R$ 2,5 bilhões apenas no Município de São Paulo no ano passado. Foram 111 eventos de grande porte, alguns dos quais poderiam ser deslocados para o Interior caso existissem atrativos e divulgação. Campinas aposta na proximidade com a Capital e na estrutura viária de primeira linha ligando os 100 quilômetros que separam os dois pólos como primeiro ponto de atração. Também deposita fichas na fama tecnológica, na modernidade da rede hoteleira e no trânsito menos caótico em relação à Grande São Paulo. "Temos a intenção de divulgar a região também em Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte" -- revela Antonio Dias. As três Capitais estão entre as que mais atraem eventos no Brasil, depois de São Paulo.
O Guia Profissional de Eventos consumiu R$ 110 mil, custeados por meio de verba publicitária. A publicação tem 94 páginas, tiragem de sete mil exemplares e relaciona parques como Hopi Hari e Wetn Wild, a Festa do Figo de Valinhos, do Peão de Boiadeiro de Jaguariúna e as flores de Holambra, além dos principais roteiros de hospedagem, gastronomia e lazer. Além do guia, o Convention também edita revista em inglês e português com detalhamento dos indicadores socioeconômicos. As publicações serão distribuídas nas principais feiras de eventos e turismo que o Convention planeja participar durante 2002.
"São publicações que fornecem subsídios para montagem de roteiros completos. As agências e os organizadores de eventos dispõem de informações para agendar tanto encontros de negócios quanto roteiros de refeições e de lazer" -- explica Antonio Dias. O Convention Bureau de Campinas planeja editar também guia de compras e serviços destinado ao turista que se hospeda em um dos 1,8 mil quartos dos hotéis associados à entidade. Anexo à publicação, o visitante receberá espécie de cartão de boas-vindas com relação dos estabelecimentos comerciais que irão oferecer brindes, descontos e outras vantagens.
A agilidade com que o Convention & Visitors Bureau de Campinas coloca em prática os projetos não se deve apenas ao pólo econômico de Campinas e região. A entidade é formada por diretoria composta por empresários, mas conta com suporte profissional de quatro executivos contratados para gerenciar o trabalho diário. Uma das principais captações feitas pelo grupo até agora é o Campeonato Mundial de Bicicross programado para Paulínia ainda este ano. O torneio pretende reunir equipes de 35 países e proporcionar movimento extra à rede de associados do Convention.
"O Convention é uma associação sem fins lucrativos que tem gestão empresarial" -- explica o diretor-executivo Rui Carvalho. Ao contrário do que pode sugerir, a entidade não é considerada uma regional da homônima existente em São Paulo. O Brasil registra 30 associações que utilizam o nome Convention Visitors Bureau e todas funcionam independentes. O Campinas e Região Convention & Visitors Bureau reúne além de Campinas as cidades de Americana, Artur Nogueira, Cosmópolis, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jaguariúna, Louveira, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara DOeste, Santo Antonio da Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.
Expansão hoteleira -- A região de Campinas contabiliza cerca de 2,9 mil apartamentos em hotéis com perfil executivo, número programado para se elevar a cinco mil unidades nos próximos quatro anos. A fase de expansão vivida pelo parque hoteleiro consumirá R$ 140 milhões até 2004. As ampliações no The Royal Palm Plaza e no Comfort Suites Alphaville, situados em Campinas, estão orçadas em R$ 27,3 milhões. A rede Sol Inn, do Grupo Meliá, investe outros R$ 15 milhões nas unidades de Viracopos, Jaguariúna e Itu. Está prevista ainda a construção de dois novos teatros e de um centro de exposições, nos moldes do Anhembi, em cidades da região. O Aeroporto Internacional de Viracopos, o maior em volume de cargas do País, também recebe US$ 9 milhões em obras de expansão.
A despeito da onda de violência e sequestros que se agravou no último ano, a excelência tecnológica e o ambiente de empreendedorismo renderam à Campinas o oitavo lugar no ranking 2001 da revista Exame que relacionou as melhores cidades para investimentos no Estado de São Paulo. O Município e os vizinhos crescem 4% ao ano e fomentam riquezas de R$ 60 bilhões, 9% do PIB nacional ou a totalidade do Produto Interno Bruto chileno. A região abriga 2,2 milhões de moradores com renda per capita estimada em R$ 9,8 mil. O potencial de consumo de Campinas é calculado em US$ 4,6 bilhões e praticamente todos os shoppings têm projetos de expansão.
Somente o Grupo Sonae investe R$ 200 milhões no Parque Dom Pedro II Shopping, o maior da América Latina. Os investimentos no setor de serviços são claro desdobramento da riqueza gerada pelo crescimento industrial de cadeias produtivas nas áreas de tecnologia da informação, têxtil, química, agroindústria, metal-mecânico e automotiva. As plantas das montadoras japonesas Honda e Toyota estão instaladas na região.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC