Economia

G-22: São Bernardo e Diadema
na rabeira de empregos gerais

DANIEL LIMA - 22/07/2019

São Bernardo e Diadema, excessivamente dependentes da cadeia automotiva, ocupam as duas últimas colocações do Ranking G-22 de Competitividade no indicador que mede o comportamento do mercado de trabalho no período de recessão seguido de estagnação da economia brasileira. A referência dos dados do Ministério de Trabalho confronta dezembro de 2014 e dezembro de 2017. Os números de 2018 serão conhecidos em dois meses e não devem amenizar a situação. 

Na soma dos dois municípios, desapareceram do mercado de trabalho nada menos que 56.666 carteiras assinadas entre os três dezembros – ou a escandalosa média de 1.574 empregos a cada 30 dias. 

No conjunto o G-7 (os sete municípios do Grande ABC) perdeu em três anos já apurados pelo Ministério do Trabalho nada menos que 89.874 trabalhadores formais – média mensal de 2.496. Traduzindo e considerando que a fábrica da Ford em São Bernardo tivesse mantido durante o período um total de quatro mil trabalhadores diretos e terceirizados: o Grande ABC viu desaparecerem 22 fábricas da multinacional durante os três anos pesquisados.  

Forçada de barra

Essa comparação é uma forçada de barra, claro, porque envolve profissionais além do setor da indústria de transformação. Na próxima edição teremos o balanço do emprego industrial no mesmo período, igualmente catastrófico. Aí a comparação será mais pertinente e esclarecedora.

O novo indicador do Ranking G-22 de Competitividade aborda o total de trabalhadores em todas as atividades econômicas dos 20 maiores municípios do Estado de São Paulo, exceto a Capital, e a inclusão de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra para completar o Grande ABC. 

Entram nessa conta os setores de comércio, serviços, indústria de transformação, agropecuária, construção civil e Administração Pública, além de serviços industriais. É um terror a realidade dos fatos. Quando aportarem os números oficiais e atualizados do mercado de trabalho de 2018 haverá poucas mudanças. 

Apenas dois se salvam 

Para se ter ideia mais precisa do que significaram aqueles 36 meses de distância no balanço do emprego com carteira assinada acompanhado pelo governo federal, basta lembrar que apenas dois dos 22 municípios registraram saldo positivo, e mesmo assim bastante modestos: caso da primeira colocada Sumaré, que tem a indústria automotiva como carro-chefe, que somou 2.297 novos trabalhadores no balanço de contratações e demissões, e a petroquímica Paulínia, também na Grande Campinas, que gerou saldo de 767 postos de trabalho. 

Numa espécie de Série B de demissões líquidas, nada menos que 11 dos 22 municípios flutuaram com índices finais que ultrapassaram a 4% e se aproximaram de 10%. Na relação desses endereços constam quatro cidades do Grande ABC: Mauá classificou-se em sexto lugar, Rio Grande da Serra em nono, Santo André em 12º e São Caetano em 13º. 

Três últimas posições 

As demais cidades do Grande ABC que constam do G-22 ocuparam as três últimas colocações em empregos formais destruídos entre os três dezembros: Ribeirão Pires ficou em 20º, São Bernardo em 21º e Diadema em último lugar. Todas fariam parte da Série C, por flutuarem acima de 10% na perda líquida de empregos. 

No conjunto dos municípios que integram o G-22 houve uma quebra geral de 309.867 postos de trabalho formais no período entre dezembro de 2014 e setembro de 2017. Embora conte com população que represente 22% do bloco do Clube dos Maiores Municípios do Estado de São Paulo, o Grande ABC participou com 29% das demissões líquidas. Isso significa que na média a destruição de postos de trabalho foi muito maior na região. 

Acompanhem o Ranking G-22 de Competitividade no capítulo de empregos formais gerais:  

1. Sumaré contava com 54.770 trabalhadores e passou para 57.067. Crescimento de 2.297 postos de trabalho, correspondente a 4,19% do estoque. 

2. Paulínia contava com 40.025 trabalhadores e passou para 40.792. Aumento de 767 postos de trabalho, correspondente a 1,91% do estoque. 

3. Barueri contava com 262.968 trabalhadores e passou para 251.834. Queda de 11.134, correspondente a 4,23% do estoque. 

4. Mogi das Cruzes contava com 104.185 trabalhadores e passou para 99.614. Queda de 4.571 postos de trabalho, correspondente a 4,39%. 

5. Ribeirão Preto contava com 233.129 trabalhadores e passou para 222.877. Queda de 10.252 postos de trabalho, correspondente a 4,40% do estoque. 

6. Mauá contava com 66.979 trabalhadores e passou para 63.968. Queda de 3.011 postos de trabalho, correspondente a 4,49% do estoque. 

7. São José do Rio Preto contava com 143.969 trabalhadores e passou para 136.102. Queda de 7.867, correspondente a 5,46% do estoque. 

8. Taubaté contava com 84.964 trabalhadores e passou para 79.269. Queda de 5.695 postos de trabalho. Queda de 6,70% do estoque. 

9. Rio Grande da Serra contava com 3.857 trabalhadores e passou para 3.582. Queda de 275 postos de trabalho, correspondente a 7,13% do estoque. 

10. Piracicaba contava com 132.407 trabalhadores e passou para 122.896. Queda de 9.511 postos de trabalho, correspondente a 7,18% do estoque. 

11. Campinas contava com 439.864 trabalhadores e passou para 405.324. Queda de 34.540, correspondente a 7,85% do estoque.

12. Santo André contava com 215.750 trabalhadores e passou para 198.298. Queda de 17.452 postos de trabalho, correspondente a 8,09%.  

13. São Caetano contava com 112.826 trabalhadores e passou para 103.620. Queda de 9.206 postos de trabalho, correspondente a 8,16% do estoque.

14. Sorocaba contava com 211.073 trabalhadores e passou para 191.120. Queda de 19.953, correspondente a 9,45% do estoque. 

15. Santos contava com 192.494 trabalhadores e passou para 173.018. Queda de 19.476, correspondente a 10,11% do estoque. 

16. Jundiaí contava com 181.692 trabalhadores e passou para 162.980. Queda de 18.712, correspondente a 10,30% do estoque. 

17. Guarulhos contava com 357.417 trabalhadores e passou para 320.416. Queda de 37.001, correspondente a 10,35 do estoque. 

18. São José dos Campos contava com 209.777 trabalhadores e passou para 187.441. Queda de 22.336, correspondente a 10,65%. 

19. Osasco contava com 177.201 trabalhadores e passou para 155.192. Queda de 22.009, correspondente a 12,42% do estoque. 

20. Ribeirão Pires contava com 24.779 trabalhadores e passou par 21.515. Queda de 3.264 postos de trabalho, correspondente a 13,17%. 

21. São Bernardo contava com 287.065 trabalhadores e passou para 249.142. Queda de 37.923 postos de trabalho, correspondente a 13,21% do estoque. 

22. Diadema contava com 107.575 trabalhadores e passou para 88.832. Queda de 18.743 postos de trabalho, correspondente a 15,86% do estoque.



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