Economia

G-22: São Bernardo perde 40%
dos ricos e segura lanterninha

DANIEL LIMA - 26/11/2019

Não tem para ninguém em matéria de destruição de famílias de classe rica entre os 20 maiores municípios do Estado de São Paulo. São Bernardo é o pior endereço. Esse é mais um indicador do G-22 de Competitividade Econômica. O Clube dos Mais Ricos do Estado também conta com Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra apenas porque estão no Grande ABC e cujos resultados oferecem dados regionais às estatísticas. A cidade de São Paulo não consta da relação porque transborda grandeza: sozinha responde por iguais números de população e PIB (Produto Interno Bruto) dos 22 integrantes do grupamento. Os dados estatísticos são da Consultoria IPC, maior empresa na área de consumo no mercado brasileiro. 

São Bernardo está na relação de seis municípios do G-22 que, a partir de 2000 e tendo 2019 como ponto de chegada, acumularam mais déficit do que saldo positivo na geração de famílias de classe rica. Os demais apresentaram saldos positivos. Rio Grande da Serra, um dos sete municípios do Grande ABC, está na liderança. Mas o resultado deve ser relativizado porque o universo de ricos é tão ínfimo por conta da população de menos de 50 mil habitantes que, qualquer mudança, pode gerar distorções. 

O mais alarmante mesmo no mapa das famílias ricas do G-22 são os números de São Bernardo. Somente Barueri, com perda de 35, 63%, aproxima-se da Capital Econômica do Grande ABC. É possível que a explicação para aquela cidade da Grande São Paulo seja a migração dos ricos para condomínios fechados de municípios que a cercam.

Gravidade estrutural 

Em São Bernardo a gravidade da situação é estrutural. O ambiente econômico se deteriorou ao longo do século por conta de vários vetores, entre os quais principalmente o ativismo sindical e a consequente desindustrialização iniciada no começo dos anos 1980. São Bernardo é uma sequência de anos enferrujados economicamente, com alguns suspiros automotivos cada vez menos impactantes à recuperação sistêmica.   

Comprometimento regional 

Os estragos em São Bernardo comprometeram os números gerais do Grande ABC no universo de famílias de classe rica entre 2000 e 2019. O saldo negativo de 7.590 famílias do estrato mais alto da sociedade solapou os números da região, que acumulou perda de 5.914 famílias ricas. Mas Santo André também colaborou com saldo negativo. Os demais, bem ou mal, safaram-se no período. No computo geral no século, o Grande ABC perdeu 15,49% das famílias ricas. 

A perda regional de mais de 15% contrasta com os números finais dos demais integrantes do G-22, ou seja, o G-15. Os municípios fora da geografia regional registram saldo positivo de 50 famílias de classe rica no período: eram 109.475 residências em 1999 e passaram a ser 109,525 em 2019. No total, o G-22 contava com 147.647 famílias da classe rica em 1999 e passou para 141.783 em 2019. O resultado final foi comprometido pelo Grande ABC. O saldo negativo do período foi de 3,97%. 

Diminuindo a diferença 

Para se ter uma ideia mais precisa do quanto São Bernardo caiu pelas tabelas na classe de famílias ricas, Sorocaba contava em 1999 com apenas 36,05% desse estrato socioeconômico em relação à Capital Econômica do Grande ABC. Já neste 2019 a diferença estreitou-se: os ricos de Sorocaba já chegaram a 74,02% do total dos ricos de São Bernardo. Em termos de participação da classe rica no conjunto de moradores, em 1999 São Bernardo contava com 9,86% e Sorocaba com 5.55%. Já em 2019 eram apenas 3,90% em São Bernardo e passaram a 3,65% em Sorocaba. O que era uma vantagem de quase o dobro de participação favorável a São Bernardo virou praticamente um empate técnico. 

Nada surpreendente. Afinal, Sorocaba desenvolveu-se economicamente de forma extraordinária neste século, enquanto São Bernardo derrapou constantemente e só reagiu por algum tempo durante o segundo mandato do governo Lula da Silva. O consumismo automotivo garantiu avanços numéricos que duraram pouco. 

A resiliência de Sorocaba em relação a São Bernardo pode ser medida pelo balanço do PIB per capita dos anos de chumbo da economia brasileiro, entre 2014 e 2016. Os números dos municípios relativos a 2017 ainda não foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Enquanto São Bernardo perdeu em valores corrigidos pela inflação do período 48,65%, Sorocaba sofreu queda inferior à metade, ou 20,19%.   

Ranking dos Ricos 

1. Rio Grande da Serra contava com 41 famílias de classe rica em 1999 e passou para 181 em 2019. Crescimento de 341,46%.

2. Sumaré contava com 693 famílias de classe rica em 1999 e passou para 2.130 em 2019. Crescimento de 207,36%.

3. Paulínia contava com 574 famílias de classe rica em 1999 e passou para 1.658 em 2019. Crescimento de 188,85%.

4. Mauá contava com 1.486 famílias de classe rica em 1999 e passou para 2.933 em 2019. Crescimento de 97,37%.

5. Jundiaí contava com 4.858 famílias de classe rica em 1999 e passou para 7.157 em 2019. Crescimento de 47,32%.

6. Taubaté contava com 2.852 famílias de classe rica em 1999 e passou para 3.571 em 2019. Crescimento de 25,21%.

7. Sorocaba contava com 6.724 famílias ricas em 1999 e aumentou para 8.251 em 2019. Crescimento de 22,71%.

8. Ribeirão Pires contava com 1.005 famílias de classe rica em 1999 e passou para 1.209 em 2019. Crescimento de 20,30%.

9. São José do Rio Preto contava com 5.642 famílias de classe rica em 1999 e passou 6.216 em 2019. Crescimento de 10,17%.

10. Piracicaba contava com 4.829 famílias de classe rica em 1999 e passou para 5.270 em 2019. Crescimento de 9,13%.

11. São Caetano contava com 4.108 famílias de classe rica em 1999 e passou para 4.482 em 2019. Crescimento de 9,10%.

12. São José dos Campos contava com 9.868 famílias ricas em 1999 e aumentou para 10.493 em 2019. Crescimento de 6,32%.

13. Ribeirão Preto contava com 10.134 famílias de classe rica em 1999 e passou para 10.768 em 2019. Crescimento de 6,26%.

14. Mogi das Cruzes contava com 4.060 famílias de classe rica em 1999 e passou para 4.271 em 2019. Crescimento de 5,20%.

15. Diadema contava com 1.549 famílias de classe rica em 1999 e passou para 1.623 em 2019. Crescimento de 4,78%.

16. Osasco contava com 6.700 famílias de classe rica em 1999 e passou para 6.977 em 2019. Crescimento de 4,13%.

17. Guarulhos contava com 10.550 famílias ricas em 1999 e caiu par 10.247 em 2019. Queda de 2,87%.

18. Santo André contava com 11.188 famílias de classe rica em 1999 e caiu para 10.770 em 2019. Queda de 3,74%.

19. Santos contava com 11.690 famílias de classe rica em 1999 e passou para 9.724 em 2019. Queda de 16,82%.

20. Campinas contava com 26.760 famílias de classe rica em 1999 e caiu para 20.384 em 2019. Queda de 23,82%.

21. Barueri contava com 3.741 famílias de classe rica em 1999 e caiu para 2.408 em 2019. Queda de 35,63%.

22. São Bernardo contava com 18.650 famílias de classe rica em 1999 e passou para 11.060 em 2019. Queda de 40,70%.



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