Lembram-se dos mais de R$ 30 bilhões perdidos pelo Grande ABC no bolo do PIB do Consumo do Brasil, conforme revelamos na semana passada? Desse total, quem mais sofreu foram São Bernardo e Santo André. Os dois municípios que ocupam a primeira e a segunda colocação em outro tipo de métrica, o PIB Geral, que envolve todas as atividades econômicas na geração de riquezas, não escaparam da degola consumista. Os demais ganharam fatias de consumo internamente, ou seja, dentro da região, embora tenham perdido no âmbito nacional.
São Bernardo perdeu mais que Santo André porque São Bernardo predomina numa atividade econômica que está no olho do furação de produção e produtividade no mundo, a indústria automotiva. Santo André não escapou de resultado negativo em 22 anos (de 2000 a 2021, tendo 1999 como base de comparação) mesmo ao ter metade ou perto disso do Polo Petroquímico de Capuava, com o qual divide receitas tributárias com Mauá. A mesma Mauá que perdeu menos internamente exatamente por ter o Polo Petroquímico como aliado.
Perda de participação
Para melhor entendimento: enquanto o parque petroquímico de Santo André (e de Mauá) ganhou tônus neste século, por causa de aumento da produção, o que gerou mais riqueza, o parque automotivo com base principal em São Bernardo mergulhou numa nova onda de desindustrialização. Daí a liderança de São Bernardo na queda de poder de consumo ter sido acentuada.
São Bernardo e Santo André representavam 64,14% do PIB do Consumo do Grande ABC em 1999, ponto de partida da comparação. Já para este ano os dois municípios terão 54,58% de potencial de consumo. Uma queda de 17,51%.
Os números das análises de CapitalSocial são de uma matriz especializada, a Consultoria IPC, do pesquisador Marcos Pazzini e sua equipe. Não há nada no mercado com a mesma envergadura histórica.
Se São Bernardo e Santo André lideram as perdas da região no PIB de Consumo, Diadema e Mauá estão na frente em ganhos locais. Diadema pela força industrial e Mauá exatamente por conta do Polo Petroquímico. Os dois municípios participavam com 23,48% do PIB do Consumo do Grande ABC em 1999 e nesta temporada registram 30,08%. Um crescimento interno de 28,10%.
Mais de 26% de perda
Em 1999 o Grande ABC contava com população de 2.323.565 milhões de habitantes, ante 2.824.817 milhões desta temporada. A riqueza acumulada na forma de PIB do Consumo significava participação nacional de 2,28420%, enquanto neste 2021 serão 1,67749%. Uma queda de participação nacional de 26,56% no período. Nada surpreendente.
O PIB do Consumo do Grande ABC cresceu 381,18%, bem abaixo do avanço nominal (sem considerar a inflação do período) do PIB do Consumo do Brasil, que chegou a 797,27%. No Brasil eram R$ 565.631.962.850 milhões em 1999 e passou para R$ 5.075.2487.186 trilhões em 2021.
A população brasileira cresceu 31,67% no período (de 162.006.593 milhões para 213.317.639 milhões) enquanto avançou praticamente a metade no Grande ABC – 17,74%, de 2.323.565 milhões em 1999 para 2.824.817 milhões em 2021. Essa diferença acentua a perda regional no critério do PIB do Consumo Geral, que não leva em conta a alternativa de PIB do Consumo por habitante. Quanto mais gente mora num determinado endereço, mais as possibilidades de o PIB do Consumo Geral ser maior.
Irmãos gêmeos
Embora sejam espécies de irmãos gêmeos, PIB do Consumo e PIB Geral, que envolve todas as atividades econômicas, contam com distinções. O PIB Geral é o resultado do desempenho econômico num determinado período (normalmente a cada temporada de 12 meses), ostentando, portanto, resultados mais imediatos, sujeitos a trepidações mais acentuadas em relação ao PIB do Consumo, que é o acumulado de riqueza a cada temporada com o adicional de que o passado conta.
Uma queda circunstancial do PIB do Consumo numa temporada não tem efeitos tão deletérios quanto a baixa semelhante do PIB Geral. O PIB do Consumo é espécie de maratona, enquanto o PIB Geral tem características de prova de 800 metros. Somente no longo prazo é possível traçar linha de similaridades entre os dois modelos. E mesmo assim é pouco provável que o PIB do Consumo cresça ou caia na mesma proporção do PIB Geral.
O PIB Geral do Grande ABC neste século sofre mais as durezas dos prélios de transformações econômicas do que o PIB do Consumo. O efeito da desindustrialização é mais acentuado no PIB Geral do que no PIB do Consumo. Uma riqueza construída ao longo dos tempos em forma de poupança, salários e bens sofre menos impacto no curto prazo do que os efeitos destrutivos de seguidas perdas econômicas.
Caminhos diferentes
Também há uma variável entre o PIB Geral e o PIB do Consumo que será mostrada nos próximos dias por CapitalSocial. Há situação em que um Município cresce extraordinariamente no PIB Geral, mas não tem o mesmo processo positivo no PIB do Consumo. Afinal, determinadas atividades econômicas não representam a interiorização do poder consumista na localidade no volume correspondente ao PIB Geral.
Entre os fatores estão as características de produção de riqueza e a quantidade de trabalhadores residentes no Município. O PIB Geral é contabilizado no Município, independentemente da força de trabalho. Já o PIB do Consumo apareça em forma de domicílio dos trabalhadores, não do endereço do mercado de trabalho.
Veja o comportamento do PIB do Consumo dos municípios do Grande ABC tendo como indicadores os resultados monetários de 1999 e de 2021, numa comparação ponta e ponta, e o grau de participação interna entre os dois extremos temporais.
Santo André contava com PIB de Consumo de R$ 3.965.444 bilhões em 1999 ante R$ 21.185.424 bilhões em 2021. Crescimento nominal de 434,25% no período. Participação regional de 28,74% em 1999 e de 24,88% em 2021. Perda de participação de 3,86 pontos percentuais.
São Bernardo contava com PIB de Consumo de R$ 4.884.308 bilhões em 1999 ante R$ 25.291.005 bilhões em 2021. Crescimento nominal de 417,72% no período. Participação regional de 35,40% em 1999 e de 29,70% em 2021. Perda de participação de 5,70 pontos percentuais.
São Caetano contava com PIB de Consumo de R$ 1.033.637 bilhões em 1999 ante R$ 7.130.733 bilhões em 2021. Crescimento nominal de 589,86% no período. Participação regional de 7,49% em 1999 e de 8,37% em 2021. Ganho de participação de 0,88 ponto percentual.
Diadema contava com PIB de Consumo de R$ 1.521.830 bilhões em 1999 ante R$ 12.186.107 bilhões em 2021. Crescimento nominal de 1.992,46% no período. Participação regional de 11,03% em 1999 e de 14,31% em 2021. Ganho de participação de 3,28 pontos percentuais.
Mauá contava com PIB de Consumo de R$ 1.717.305 bilhões ante R$ 13.427.407 bilhões em 2021. Crescimento nominal de 681,89% no período. Participação regional de 12,45% em 1999 e de 15,77% em 2021. Ganho de participação de 3,32 pontos percentuais.
Ribeirão Pires com PIB de Consumo de R$ 534.632 milhões em 1999 ante R$ 3.614.356 bilhões em 2021. Crescimento nominal de 576,04% no período. Participação regional de 3,87% em 1999 e de 4,24 em 2021. Ganho de participação de 0,37 ponto percentual.
Rio Grande da Serra com PIB de Consumo de R$ 137.634 milhões em 1999 ante R$ 1.301.322 bilhão em 2021. Crescimento nominal de 845,49% no período. Participação regional de 0,98% em 1999 ante 1,53% em 2021. Ganho de participação de 0,55 ponto percentual.
Total de 1995 matérias | Página 1
04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC