Como era esperado, porque o primeiro ano do Coronavírus foi implacável, o Grande ABC seguiu a rota do PIB Geral do País. O resultado do PIB dos Municípios Brasileiros anunciado ontem pelo IBGE confirma a projeção que fizemos já há algum tempo: perdemos 5,92% em relação ao PIB de 2019. O PIB dos Municípios de 2021 só será conhecido em dezembro do ano que vem.
Vamos detalhar os resultados do PIB do Grande ABC de 2020 antes que os festejos de fim de ano comecem. Os dados apurados hoje não deixam dúvida de uma derrota anunciada. Nem poderia ser diferente.
DILMA FOI PIOR
Para que o leitor tenha entendimento mais apurado do que ocorre com a região nas últimas temporadas, recuperamos no acervo análises sobre o comportamento do PIB da região nos últimos anos. Somamos mais derrotas que vitórias, mesmo sem Coronavírus. Mas tivemos dois anos terríveis de recessão da presidente Dilma Rousseff. Muito, mas muito pior que o Coronavírus.
A derrota anunciada do PIB do Grande ABC está combinada com o comportamento do PIB Nacional de 2020, anunciado há quase dois anos. A queda nacional foi levemente inferior: 4,10%.
MAUÁ SE SALVA
Dos grandes municípios da região, apenas Mauá do Polo Petroquímico não sofreu perda efetiva do PIB. Os demais acumularam resultados negativos – e alguns mesmo quando não se considera nem mesmo a inflação de 4,52% dos 12 meses de 2020.
Ou seja: mesmo em termos nominais, os resultados de Santo André e São Bernardo foram negativos. Quando se acrescentam os efeitos inflacionários, se consuma a perda geral de 5,92% para o conjunto de municípios no período.
FAZENDO AS CONTAS
O PIB Geral do Grande ABC na temporada de 2019 registrou em valores nominais R$ 130.563.010 bilhões. Com a aplicação da inflação de 4,52% registrada pelo IPCA, o valor sobe para R$ 136.464.450 bilhões em dezembro de 2020. Ou seja: esse deveria ser o PIB do Grande ABC em 2020 para que não houvesse perda. Mas o PIB Geral do Grande ABC anunciado ontem registrou R$ 128.389.075 bilhões.
A queda em valor monetário atualizado do PIB do Grande ABC entre a temporada de 2019 e de 2020 alcança R$ 8.075.275 bilhões. Ou praticamente a metade de tudo que Mauá gerou de riqueza no período de 12 meses.
Acompanhe a movimentação do PIB dos Municípios do Grande ABC nas duas últimas temporadas já registradas:
a) Santo André contava com PIB Geral de R$ R$ 30.339.076 bilhões em 2019 e passou para R$ 29.440.477 bilhões em 2020. Rebaixamento nominal de 2,97% ante inflação de 4.52% no período de 12 meses.
b) São Bernardo contava com PIB Geral de R$ 51.066.927 bilhões em 2019 e passou para 48.614.342 bilhões em 2020. Rebaixamento nominal de 4,80% ante inflação de 4,52% no período de 12 meses.
c) São Caetano contava com PIB Geral de R$ 13.705.940 bilhões em 2019 passou para R$ 13.960.695 bilhões em 2020. Crescimento nominal de 1,83% ante inflação de 4,52% no período de 12 meses.
d) Diadema contava com PIB Geral de R$ 15.301.322 bilhões em 2019, passou para R$ 15.057.235 bilhões em 2020. Crescimento nominal de 1,60% ante inflação de 4,52% no período de 12 meses.
e) Mauá contava com PIB Geral de R$ 16.282.604 bilhões em 2019 e passou para R$ 17.127.383 bilhões em 2020. Crescimento nominal de 4,94% ante inflação de 4,52% no período de 12 meses.
f) Ribeirão Pires contava com PIB Geral de R$ 3.146.164 bilhões em 2019 e passou para R$ 3.341.360 milhões em 2020. Crescimento nominal de 5,84% ante inflação de 4,52% no período de 12 meses.
g) Rio Grande da Serra contava com PIB Geral de R$ 720.977 milhões em 2019 e passou para R$ 847.583 milhões em 2020. . Crescimento nominal de 14,94% ante inflação de 4, 52% no período de 12 meses.
PIB DE 2019
Em 17 de dezembro do ano passado anunciamos os resultados do PIB dos Municípios do Grande ABC na temporada de 2018. Vejam os principais trechos do material:
Nem Santo André e Mauá
salvam PIB do Grande ABC
DANIEL LIMA - 17/12/2021
Saiu o PIB (Produto Interno Bruto) dos Municípios Brasileiros. Como sempre faz na terceira semana do último mês do ano, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anuncia o comportamento das cidades brasileiras sempre com dois anos de atraso.
Depois de uma temporada de recuperação em 2018 e em 2017, o Grande ABC voltou a registrar índice negativo: descontada a inflação, perdeu 1,13% do PIB. Santo André e Mauá cresceram acima da inflação do período, mas não salvaram a lavoura porque a principal economia regional, de São Bernardo, caiu estrondosamente.
PERDA DE 1,13%
Para que terminasse a temporada de 2019 sem danos, o Grande ABC precisaria repetir os números de 2018 acrescentados da inflação do período de 12 meses. Não deu: os R$ 126.597.020 bilhões daquela temporada não tiveram fôlego para chegar a R$ 132.053.351 bilhões com a correção inflacionário pelo IPCA do IBGE. O resultado final de 2019, de R$ 130.563,010 bilhões, ficou em termos reais 1,13% abaixo do necessário.
Menos mal que se salvaram dois endereços municipais, cujos números alcançaram índices de crescimento nominal acima da inflação. Santo André cresceu 4,64% sem considerar a inflação, enquanto Mauá avançou 6,51%. Rio Grande da Serra também registrou número positivo, com crescimento nominal de 18,45%, mas não levamos em conta porque o menor Município da região tem peso de apenas 0,2% no PIB Regional Geral.
FRUSTRAÇÃO
Esperava-se que o PIB Geral do Grande ABC de 2019 fosse levemente positivo, porque o PIB Brasileiro avançou 1,2% e na temporada anterior, de 2018, o PIB Regional avançou acima dos números do País. O crescimento geral de 2% da indústria automotiva não teve o efeito esperado internamente.
O que pesou mesmo para o registro negativo do PIB Geral do Grande ABC foi a queda de São Bernardo. O crescimento nominal de apenas 0,99% comprometeu o resultado geral dos sete municípios.
A conta é simples: se o PIB Geral de São Bernardo crescesse o equivalente à inflação de 4,31%, ao invés de marcar R$ 51.066.927 bilhões teria registrado 52.743.216 bilhões, ou seja, uma diferença de R$ 1.667.519 bilhão, montante maior que o R$ 1.490.341 bilhão que separa o PIB de 2018 corrigido pela inflação do período o PIB real de 2019.
FORÇA AUTOMOTIVA
Traduzindo: a força econômica de São Bernardo se comprovou na temporada de 2019 decisiva entre o resultado positivo que se esperava e o resultado negativo que se consumou. Em outras temporadas, São Bernardo praticamente fez a diferença entre ganhos reais e perdas possíveis.
PIB DE 2018
Saiu o PIB de 2018: montadoras
garantem crescimento da região
DANIEL LIMA - 17/12/2020
Finalmente saiu o PIB dos Municípios Brasileiros de 2018. Os números anunciados ontem pelo IBGE apontam resultado positivo para o Grande ABC, que cresceu em termos reais, descontada a inflação, 2,85% em comparação ao resultado de 2017, quando avançou esquálidos 0,99%.
No ano anterior, em 2016, a região perdeu 4,06% da riqueza produzida no ano antecedente. Bem menos que os números de 2015, quando a queda chegou a 16,02%. Ou seja: o que estamos promovendo é uma recuperação parcial do descarrilamento do governo Dilma Rousseff.
São Bernardo lidera o ranking de crescimento real do PIB de 2018. A Doença Holandesa Automotiva prevaleceu mais uma vez. Aonde o setor automotivo vai, São Bernardo vai atrás. E carrega expressiva ou residualmente os demais municípios da região.
CONDICIONALIDADES
Mas não se pode afirmar que São Bernardo salva o PIB do Grande ABC quando os motores de veículos roncam.
Há condicionalidades macroeconômicas e microrregionais. Tanto que São Caetano da General Motors não acompanhou nem mesmo o ritmo da inflação e perdeu em termos reais no PIB Geral quando se compara 2018 com 2017.
Também Mauá fortemente influenciada por outra Doença Holandesa da região, o setor químico/petroquímico, acusou golpes e registrou perda elevada do PIB em 2018.
PESO DECISIVO
O peso da indústria automotiva, que representa a maior fatia da riqueza produzida na região, foi decisivo. Mas o crescimento do PIB Regional de 2,85%, acima do 1,8% de avanço do PIB do Brasil em 2018, não é motivo a comemorações desmedidas ou mesmo comedidas.
Os números deste século são cada vez mais inquietantes, com perdas acumuladas e reposicionamentos negativos no ranking do Estado de São Paulo, sobremodo no G-22, grupo dos maiores municípios paulistas, exceto a capital.
Um respiro circunstancial e localizado não quer dizer muita coisa quando se vislumbram expectativas para a nova década que vai começar em janeiro.
FATIA MENOR
O Grande ABC contava com 4,52% de participação no PIB Nacional em 1970. Com os números de 2018, a fatia relativa não passa de 1,8%. Uma queda de 60,18% no período. O Grande ABC é cada vez menos importante economicamente para o País. Não será um avanço real do PIB num determinado ano, que não compensa perdas anteriores, que comportaria qualquer iniciativa triunfalista.
Há duas fórmulas ao entendimento da situação econômica do Grande ABC quando se tem o PIB (Produto Interno Bruto) como referencial.
NÚMEROS NACIONAIS
A primeira dá conta do crescimento ou da queda percentual em relação ao ano imediatamente anterior ou, principalmente, em série alongada. A segunda é confrontar a participação relativa no bolo nacional.
Pode ocorrer, como já ocorreu, de o Grande ABC apontar crescimento percentual do PIB, mas no confronto nacional sofrer revés. Tudo porque o País como um todo avançou relativamente mais. Em 2018 deu-se o contrário: o PIB do Grande ABC ganhou a corrida de crescimento ante o PIB Nacional: 2,85% a 1,80%.
PARTICIPAÇÃO NACIONAL
Também na participação relativa, o Grande ABC apontou número positivo na temporada de 2018. O PIB de 2017, anunciado em dezembro do ano passado (há estrutural defasagem técnico-apurativa de dois anos) registrou participação relativa no País de 1,69%. Foram R$ 118.614.452 bilhões para um total nacional de R$ 7.004.000 trilhões. O PIB Nacional sofreu revisão em relação ao anúncio do IBGE no início de 2019. Em setembro, com a correção, o crescimento de 1,1% em relação a 2017 passou para 1,8%.
O que determina mesmo as oscilações do comportamento do PIB dos Municípios do Grande ABC, com maior influência de São Bernardo e Diadema, é a produção automotiva.
TOMANDO O PULSO
Isso significa que quando se toma o pulso da economia do Grande ABC é indispensável verificar qual foi o comportamento da indústria automotiva no País. Por menor que seja a fatia do Grande ABC no setor (calcula-se que não passaria de 18% de tudo que é produzido no País) há sempre uma influência local expressiva. Tudo porque internamente a indústria automotiva representaria mais da metade do PIB Industrial, com influência incisiva no PIB Geral.
A máquina automotiva faz girar a economia do Grande ABC em outras áreas. Uma debandada da Ford, como se deu no ano passado, afeta o conjunto dos indicadores econômicos e sociais.
Ou seja: quando surge nas planilhas a constatação de que o PIB Industrial do Grande ABC reagiu em relação à temporada imediatamente anterior, o melhor a fazer é acautelar-se porque a armadilha da Doença Holandesa pode estar presente.
Como está na temporada de 2018, expressa no PIB Geral de crescimento. PIB Geral é o conjunto de atividades de um Município. Além do PIB Industrial, incorpora as atividades de serviços públicos e privados, agropecuária, mercado imobiliário, comercio e outros.
PRODUÇÃO AUTOMOTIVA
Em 2018, segundo dados da Anfavea (Clube das Montadoras de Veículos) o total de licenciamento de veículos registrou 2,56 milhões de unidades, com aumento de 14,6% frente às 2,24 milhões de unidades vendidas em 2017. Em todo 2018 foram comercializados 2,47 milhões de veículos leves, aumento de 13,8% sobre 2017. Foram 2,09 milhões de automóveis (subida de 13,1% em relação a 2017) e 375 mil comerciais leves (acréscimo de 17,5%). A Anfavea registrou em 2018 o total de 2,89 milhões de unidades produzidas, 6,7% superior às 2,69 milhões de unidades do ano anterior.
IPCA ESSENCIAL
Os resultados do PIB Geral do Grande ABC (e dos sete municípios locais) foram metabolizados porque levaram a inflação de 3,75% de 2018 em consideração. O resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é essencial à calibragem de dados.
Para chegar à constatação de crescimento de 2,85% do PIB Geral do Grande ABC em 2018 em relação a 2017, levou-se em conta a inflação do período de 12 meses.
O PIB Geral do Grande ABC de 2017 registrou R$ 118.614.542 bilhões. A atualização do valor a dezembro de 2018 eleva o PIB de 2017 para R$ 123.062.587 bilhões. O PIB Geral de 2018 anunciado ontem pelo IBGE é de R$ 126.573.330 bilhões.
Feitas as contas, dá-se o crescimento real de 2,85%. Qualquer iniciativa estatística que desconsidere a inflação do período não passaria de manobra equivocada.
Vejam o comportamento dos sete municípios do Grande ABC no PIB Geral de 2018:
1. Santo André registrou em 2017 PIB Geral de R$ 27.470.680 bilhões, ante R$ 28.994.686 bilhões no ano seguinte. Crescimento nominal de 5,54% -- acima da inflação do período.
2. São Bernardo registrou em 2017 PIB Geral de R$ 44.680.389 bilhões, ante R$ 50.568.693 em 2018. Crescimento nominal de 13,18% -- acima da inflação do período.
3. São Caetano registrou em 2017 PIB Geral de R$ 13.106.958 bilhões, ante R$ 13.440.728 de 2017. Crescimento nominal de 2,54% -- levemente abaixo da inflação do período.
4. Diadema registrou em 2017 PIB Geral de R$ 13.412.702 bilhões, ante R$ 14.671.971 bilhões em 2018. Crescimento nominal de 9,39% -- razoavelmente acima da inflação do período.
5. Mauá registrou em 2017 PIB Geral de R$ 16.286.408 bilhões, ante R$ 15.287.483 bilhões em 2018. Queda nominal de 6,53% -- bastante acima da inflação.
6. Ribeirão Pires registrou em 2017 PIB Geral de R$ 3.046.465 bilhões, ante R$ 3.042.930 bilhões em 2018. Houve queda nominal inexpressiva no período.
7. Rio Grande da Serra registrou em 2017 PIB Geral de R$ 610.937 milhões, ante R$ 566.839 milhões em 2018. Queda nominal de 7,77% no período.
Total de 1995 matérias | Página 1
04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC