Economia

Emprego industrial reage na
região com Jair Bolsonaro

DANIEL LIMA - 07/03/2023

A diferença é abissal: com Jair Bolsonaro ( apesar da pandemia e da guerra na Ucrânia com desdobramentos nos suprimentos industriais)  o Grande ABC ganhou a cada mês 274 empregos industriais com carteira assinada. Nos quatro anos anteriores, a partir do desastre de Dilma Rousseff, e os dois anos complementares de Michel Temer, o Grande ABC perdeu a cada mês 1.628 empregos industriais formais.  

Resultado de tudo isso? Seguimos com déficit líquido de 64.971 postos de trabalho nos últimos oito anos.  

Isso significa menos que os arredondados 80 mil empregos perdidos nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. No meio de tudo isso, tivemos mais de 50 mil empregos industriais como saldo dos oito anos do governo Lula da Silva.  

É melhor parar com essa contabilidade por aqui e não voltar mais no tempo, no tempo de forte industrialização, porque aí os números serão um convite às lagrimas.  

MERCADO AZEITADO  

As montadoras de veículos e as autopeças bombaram ao sabor de muita generosidade governamental durante os dois anos do governo Lula da Silva.   

Entretanto, o espaço fiscal disponível a benemerências se estreitou com a barreira de contenção do  teto de gastos. Estreitou tanto  a ponto de agora, de volta ao poder, o PT pretende dar elasticidade às medidas que visam ampliar gastos. Falta combinar com a inflação. E também com o Banco Central, ostensivamente conservador e salvador da Pátria da estabilidade das regras do jogo.  

Todo mundo que tem juízo sabe que o mesmo Lula da Silva de tanto sucesso movido a commodities deixou a bomba fiscal para Dilma Rousseff potencializar com medidas econômicas estrondosamente ruins. 

Relacionar o desastre de Dilma Rousseff às extravagâncias fiscais do governo Lula da Silva é obrigação ética. Não há como separar uma coisa da outra. Há quem tente mundializar as estripulias do PT de Dilma Rousseff. Uma bobagem sem tamanho.  

FORÇADA DE BARRA  

O crescimento do PIB durante os oito anos de Lula da Silva foi uma forçada de barra fiscal, entre outras anomalias, que contaminaram o governo de Dilma Rousseff. Mas mesmo assim, porque gastou mal em muitas áreas, sem se preocupar com as bases de sustentabilidade do crescimento, o Brasil de Lula da Silva cresceu relativamente menos que muitos países vizinhos.  

É claro que Lula da Silva e seus marqueteiros tentam apagar os anos seguintes da arapuca porque não querem manchar uma trajetória econômica supostamente imbatível no País. Não é bem assim.  

Quem gasta demais e não poupa para temporadas de vacas magras acaba por repassar custos a serem resgatados. Com Lula da Silva seguido de Dilma Rousseff foi assim. Uma coisa gerou a outra. Todo especialista em finanças públicas sabe disso. A militância política prefere prevaricar eticamente.  

ACOMPANHAMENTO  

Acompanhar a marcha da contagem do emprego industrial (e também do emprego geral) no Grande ABC é uma tradição editorial de LivreMercado/CapitalSocial.  

Por isso a atualização após os quatro anos de Jair Bolsonaro é obrigatória, além de essencial. Essa ressalva é indispensável nestes tempos porque não faltam intolerâncias e tentativas de jogar areia na engrenagem de responsabilidade social do jornalismo independente. 

Num próximo texto vamos fazer uma abordagem mais completa sobre o comportamento do emprego industrial do Grande ABC deste o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que afetou ruinosamente o tecido econômico do Grande ABC.  

Hoje ficaremos restritos aos anos Jair Bolsonaro comparados com o período Dilma/Temer.  

DILMA, DILMA, DILMA  

O mais justo seria dizer período Dilma Rousseff. Michel Temer, presidente pós-impeachment, apenas pegou uma bomba.  

O ideal seria comparar mais dados entre si. Penso principalmente em cruzar o balanço do emprego industrial formal com a trajetória do PIB Industrial. Já o fiz em outras oportunidades.  

Para chegar a esse ponto envolvendo a presidência de Jair Bolsonaro e os quatro anos imediatamente anteriores (e também os antecessores) é preciso esperar pelo anúncio do PIB de 2022, que só será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em dezembro do ano que vem. Há defasagem de dois anos para a publicação do PIB dos Municípios Brasileiros.  

Quando tomou posse em janeiro de 2019, Jair Bolsonaro encontrou um Grande ABC destroçado com baixa de 78.156 perdas de empregos industriais formais nos quatro anos anteriores, ou seja, entre janeiro de 2015 a dezembro de 2018. A base de comparação é 2014, ano precedente à recessão dilmista.  

CONTAGEM ESTICADA  

A presidente Dilma Rousseff foi a responsável por 90% desse prejuízo nos dois anos do segundo mandato. Dois anos incompletos, porque foi retirada da presidência em meados de 2016. A contabilidade, por força de inércia, chega até dezembro do mesmo ano.  

A contagem pode ser esticada, porque os efeitos deletérios da gestão petista se espalham até agora. Não se sai de uma recessão tão destrutiva em alguns pares de anos. Os efeitos não se apagam num piscar de olhos.  

Ao deixar a presidência da República em dezembro do ano passado, o governo Jair Bolsonaro contabilizou a contratação de 13.185 trabalhadores industriais no Grande ABC. Com isso, o déficit ao longo de oito anos baixou para 64.971 trabalhadores formais. 

142 FÁBRICAS  

São números constrangedores. O buraco aberto por Dilma Rousseff e que Jair Bolsonaro só conseguiu amenizar levemente significam 118 fábricas da Toyota de São Bernardo, empresa que recentemente anunciou retirada do Grande ABC.  

Jair Bolsonaro recuperou o equivalente a 24 fábricas da Toyota, contrapondo-se à perda de 142 fábricas do período Dilma/Temer.  

O estoque de emprego industrial formal em dezembro de 2014, ao fim do primeiro mandato de Dilma Rousseff, totalizava 258.550 trabalhadores. Quatro anos depois, em dezembro de 2018, baixou para 180.394. Uma queda de 78.156 postos de trabalho. Com Jair Bolsonaro e a contratação líquida de 13.185 trabalhadores, o estoque foi parcialmente reposto para 193.579 postos. Um buraco persistente de 64.971 carteiras assinadas.  

SANTO ANDRÉ LIDERA 

Na contabilidade municipal do comportamento do emprego industrial no Grande ABC nos últimos oito anos, ou seja, a partir do primeiro ano da recessão provocada pelo governo Dilma Rousseff, Santo André é o endereço mais duramente atingido.  

Nada menos que 33,61% do estoque de emprego industrial registrado em dezembro de 2014 desapareceram da geografia de Santo André. Dos 34.726 trabalhadores registrados nas fábricas de Santo André, restaram, em 2022, 23.054. Uma perda líquida de 11.672 postos de trabalho. 

Em termos absolutos, quem mais perdeu emprego industrial nos oito anos analisados foi São Bernardo, com baixa de 28.100 carteiras assinadas. Mas relativamente, ou seja, quando se toma o estoque anterior e se compara com o estoque resultante, São Bernardo está abaixo de Santo André com quebra de 28,43% no período. Aliás, por essa métrica, que é a correta ao uniformizar o tratamento que harmoniza tamanho de estoque e seus desdobramentos, São Bernardo só perde para Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra em relatividade de quebra. Acompanhe a contagem por Município: 

1. Santo André contava com 34.726 trabalhadores industriais em 2014 e passou para 23.054 em 2022. Uma perda líquida de 11.672 postos de trabalho, o equivalente à quebra de 33,61% do estoque.  

2. São Bernardo contava com 98.827 trabalhadores industriais em 2014 e passou para 70.727 em 2022. Uma perda líquida de 28.100 postos de trabalho, o equivalente à queda de 28,43% do estoque. 

3. São Caetano contava com 27.534 trabalhadores industriais em 2014 e passou para 18.879 em 2022. Uma perda líquida de 8.655 postos de trabalho, o equivalente a 31,43% do estoque. 

4. Diadema contava com 56.471 trabalhadores industriais em 2014 e passou para 39.696 em 2022. Uma perda líquida de 16.775 postos de trabalho, o equivalente a 29,70% do estoque. 

5. Mauá contava com 31.170 trabalhadores industriais em 2014 e passou para 21.233 em 2022. Uma perda líquida de 9.937 postos de trabalho, o equivalente a 31,88% do estoque. 

6. Ribeirão Pires contava com 8.331 trabalhadores industriais em 2014 e passou para 7.207 em 2022. Uma perda líquida de 1.124 pontos de trabalho, o equivalente a 13,49% do estoque.  

7. Rio Grande da Serra contava com 1.491 trabalhadores industriais em 2014 e passou para 1.111 em 2022. Uma perda líquida de 380 postos, o equivalente a 25,48% do estoque.  



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