Economia

Bolsonaro x Lula na pauta
do Observatório do Emprego

DANIEL LIMA - 13/03/2023

Ao final dos quatro anos de mandato, quantos empregos gerais e empregos industriais o Grande ABC terá com o presidente Lula da Silva? E quanto estará o placar tendo como comparação o antecessor Jair Bolsonaro? 

 A contagem correlativa já começou e será permanentemente atualizada. Na edição de amanhã vamos dar os primeiros números.   

Essa é apenas uma das respostas práticas que antecipamos para anunciar uma iniciativa editorial que facilitará a consulta dos leitores.  

O Observatório do Emprego do G-7 está instalado a partir de agora e avançará tanto rumo ao futuro quanto ao passado. 

MAIS ENTENDIMENTO  

Tudo de agora em diante ganhará esse compartimento editorial que, por enquanto, estará inserido na Editoria de Economia. É o primeiro passo para virar uma editoria exclusiva, ou seja, um espaço individualizado em meio a outros espaços próprios. 

Tudo que tem relação com o mercado de trabalho e que já foi publicado ao longo de 34 anos de CapitalSocial/LivreMercado será resgatado a esse compartimento. É questão, portanto, de tempo, à adequação espacial do imenso volume de informações e análises. 

Todo esse arranjo editorial e essa focalização temática mais acentuada só tem um objetivo: tornar a vida dos leitores mais produtiva sempre que pretenderem alcançar centenas de matérias que fazem parte do acervo de CapitalSocial e também de tudo que virá. 

Começar com o confronto entre Jair Bolsonaro e Lula da Silva no Observatório do Emprego do G-7 é  uma maneira de fustigar o marketing como chamariz. Nada melhor que uma polarização para abrir as portas do interesse coletivo.  

E aqueles que acreditam que vamos esperar quatro anos para chegar aos números finais dos dois presidentes estão enganados, embora essa seja, claro, a demanda principal.  

CONTAGEM CORRELACIONADA  

É certo que a contagem será específica, entre o Lula de 2023-2026 e Bolsonaro de 2019-2022, mas não deixaremos de buscar no passado de dois mandatos de Lula da Silva mais elementos para incrementar essa disputa.  

Afinal, temos tanto material de arquivo sobre o mercado de trabalho no Grande ABC que perderia o sentido não utilizar o que colecionamos em três décadas. 

O Observatório do Emprego do G-7 não está sendo concebido exclusivamente para disputas presidenciais ou de quaisquer outros atores da arena pública. Mas o faremos nesse sentido também.  

A marcha de contagem do emprego no Grande ABC será prioridade de prioridades da linha editorial de CapitalSocial. Não fosse porque CapitalSocial é encardida quando cisma com determinada temática mas principalmente porque mercado de trabalho  é matéria-prima indispensável à compreensão da Economia dessa região de quase três milhões de habitantes. 

DADOS PRIMÁRIOS  

Com a experiência de quem dá conta dessa temática há muito tempo, não poderia deixar de antecipar que enfrentaremos dificuldades. As fontes primárias de informações, sobretudo o Ministério do Trabalho e Emprego, nem sempre têm o que procuramos. E como essa fonte primária exerce o monopólio de dados oficiais, teremos de enfrentar o touro de dificuldades com unhas de pragmatismo.  

É extensa a pauta que dará os rumos de análises de dados do Observatório do Emprego do G-7. Não faltam veredas a percorrer.  

Está certo que o Grande ABC como um todo e os municípios do Grande ABC Individualmente estarão na linha de tiro do Observatório do Emprego. Entretanto, para que a medida tenha profundidade analítica não se recomenda o enclausuramento regional.  

Aliás, CapitalSocial jamais isolou o Grande ABC do mundo concorrencial externo, ou seja, dos principais municípios paulistas. Tanto que criou o G-22.  E seguiremos nessa toada de descobrimentos, esclarecimentos, confrontos e tudo o mais.  

Se você já se interessou pelo confronto inicial entre os quatro anos de Jair Bolsonaro e os quatro anos de Lula da Silva que virão, é melhor se preparar também para outros embates.  

Nesse caso, tanto do Grande ABC como de municípios locais individualmente ante outros endereços.  

PRODUTIVIDADE  

Também passo um exemplo do que faremos, entre tantos inventários que levantaremos: do ponto de vista de produtividade por trabalhador contratado, que Município é mais competitivo quando se tem Santo André de um lado e Sorocaba de outro?  

Por que Santo André versus Sorocaba? Porque são endereços municipais semelhantes no PIB (Produto Interno Bruto) no setor da indústria de transformação. Com um adendo relevante: ao longo das últimas décadas, Sorocaba empreendeu avanço extraordinário, ultrapassando Santo André no PIB Geral, ou seja, quando se consideram todas as atividades.  

Embora a base dos estudos e das análises tenha o mercado de trabalho como eixo central, a iniciativa em forma de Observatório do Emprego do G-7 não se limitará a extrair única e exclusivamente dados da atividade. 

Há série de quesitos com forte relação de causalidade com o mercado de trabalho e que exigem avaliações correlacionados e explicadas.  

SETOR DECISIVO  

Chega a 23% a participação de trabalhadores industriais no estoque de carteiras assinadas nos sete municípios do Grande ABC. É mais que a média nacional e menos do que o registrado em cidades que se industrializaram mais tarde e que não passaram por desindustrialização como o Grande ABC.  

Esse contingente de trabalhadores recebe em média salários 30% superiores às das demais atividades. É a indústria de transformação que determina na maioria dos casos o equilíbrio de uma Economia municipal. As exceções de municípios menos industrializados e com o setor de serviços mais sofisticado confirmam a regra. 

Daí tomaremos todos os cuidados para não retirar o emprego industrial de situação de alta pertinência avaliativa.  

Não custa lembrar que faltam estudos que meçam sem equívocos ou precipitações a real participação do setor industrial no PIB Geral.  

É fato a dificuldade de avaliar o que as indústrias geram de Valor Adicionado em todas as atividades. Ou seja: a atividade produtiva não se encerra em seus próprios limites operacionais.  

A influência sistêmica do setor produtivo industrial nas áreas de serviços, comércio e também da construção civil é vigorosa, tanto em forma de negócios quanto de assalariamento que vira massa de consumo.  

Reconhecemos desde já as dificuldades que enfrentaremos para ir mais a fundo nos estudos. Há informações que não passam dos limites administrativos de prefeitos, por exemplo, o que dificulta aprofundamento. 

DADOS CONTROVERSOS  

Querem mais um exemplo: Santo André e Mauá dependem demais de atividades químicas e petroquímicas e têm por conta disso a interpretação da média do PIB por trabalhador um grande ponto de dificuldades.  

As empresas petroquímicas, geram muito Valor Adicionado em relação ao quadro de trabalhadores. O mascaramento de dados médios intercepta um entendimento mais ajuizado da situação porque empresas dos demais setores têm outra realidade operacional, com relativamente mais trabalhadores na geração de Valor Adicionado. 

O mais interessante de tudo isso para quem acompanha CapitalSocial é que pretendemos não deixar pedra sobre pedra sobre o comportamento do mercado de trabalho no Grande ABC, sempre com a expectativa de comparação com outros endereços, quer municipais, quer regionais, entre as principais economias do Estado. 

Se houvesse em instâncias regionais  no Grande ABC tão vilipendiado economicamente algo semelhante ao que agora sistematizamos com o Observatório do Emprego do G-7, provavelmente teríamos números menos alarmantes.  

PERDIDO NO ESCURO  

E de novo parto para um exemplo: o Clube dos Prefeitos deveria há muito tempo contar com grupo exclusivamente voltado às nuances do mercado de trabalho nos moldes que estamos sugerindo agora. Somente com informações robustas é possível empreender em busca de mudanças.  

Como o Clube dos Prefeitos (também conhecido por Consórcio Intermunicipal) jamais se preocupou com isso em três décadas de existência, seria demais imaginar que o fizesse agora.  

Quem, por exemplo, deixou passar batido 24 meses de recessão de Dilma Rousseff, quando o Grande ABC perdeu 100 mil empregos em todas as atividades (e mais de 80 mil só no setor industrial) não pode ser considerada instituição confiável.  

O Observatório do Emprego do G-7 vem para dar sequência ao que já realizou em mais de 30 anos de CapitalSocial/LivreMercado. Veio para bater mais na mesma tecla de desprezo das autoridades públicas. O vendaval dilmista passou e ninguém teve a curiosidade de sequer sair à janela de inquietação. 



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