Uma nova rodada de dados estatísticos do Observatório do Emprego do G-7, criação desta publicação, dá mais uma vitória ao prefeito Orlando Morando, agora no setor terciário, que envolve comércio e serviços. O confronto está limitado a São Bernardo, Santo André e São Caetano.
Como no caso do emprego industrial com carteira assinada, Orlando Morando obteve os melhores resultados ante Paulinho Serra, de Santo André, e José Auricchio Júnior, de São Caetano. O marco inicial é o momento em que assumiram os paços municipais em janeiro de 2017.
Decidimos comparar o desempenho dos três prefeitos porque eles são os únicos entre os sete da região que estão em segundo mandato. E assumiram com o Grande ABC no fundo do poço econômico, na esteira da queda de 20% do PIB Geral da região após os dois anos mais tenebrosos de recessão, em 2015 e 2016. O Grande ABC perdeu em 24 meses quase 100 mil empregos formais, quando se leva em conta todas as atividades econômicas. Eram 831.370 trabalhadores com carteira assinada em 2014 e passaram a ser 732.238 em 2016 – 99.132 a menos. Ou quebra de 11,92% do estoque disponível em 2014.
TRIO DOMINADOR
Santo André, São Bernardo e São Caetano dominam o emprego regional no setor de comércio e de serviços. O estoque conjunto registrado em dezembro de 2021 totalizava 430.426 trabalhadores com carteira assinada. O resultado significa 79,77% do total da região.
Embora a comparação de dados tenha como foco os três prefeitos em segundo mandato seguido, acrescentamos para efeito de compreensão regional mais completa os demais municípios locais.
Os dados mostram que São Bernardo, São Caetano e Santo André classificam-se em posições secundárias, como quinta, sexta e sétima colocadas. Os municípios menos expressivos em comércio e em serviços alcançaram saldo líquido maior quando se verifica a métrica de estoque.
SAINDO DO NEGATIVO
Só há duas diferenças nos dados que apresentaremos em seguida dos setores de comércio e de serviços em relação aos dados industriais divulgados ontem e que instalaram Santo André, São Bernardo e São Caetano como endereços deficitários no período pós-Dilma Rousseff.
Primeiro, diferentemente da área produtiva, o saldo é positivo no comércio e em serviços a partir de janeiro de 2017.
Segundo, os dados se referem aos cinco primeiros anos de mandato de cada prefeito reeleito em 2020.
Os dados sistematizados do ano passado ainda não estão confirmados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Números preliminares já conhecidos não alterarão a ordem classificatória.
A diferença entre o resultado obtido por Orlando Morando e José Auricchio Júnior é bastante estreita, mas os dois prefeitos levam grande vantagem frente a Paulinho Serra.
SANTO ANDRÉ SURPREENDE
O resultado envolvendo os três principais municípios do Grande ABC não deixa de ser surpreendente. Afinal, Santo André estaria mais potencializada como sede dos setores de comércio e de serviços, já que ao longo de três décadas deslocou acentuado predomínio industrial a outras áreas.
O estoque de empregos formais de comércio e de serviços de São Bernardo avançou positivamente 20,13% nos cinco primeiros anos do governo de Orlando Morando, enquanto na São Caetano de Auricchio o crescimento foi de 19,57%.
Já o prefeito Paulinho Serra, de Santo André, voltou a ficar na última posição quando se refere aos dois concorrentes temporais na gestão municipal.
Santo André obteve saldo positivo do estoque de comércio e de serviços de 11,19%-- ou seja, praticamente a metade de São Bernardo e de São Caetano.
ESTOQUE CRESCE
Os setores de comércio e de serviços dos sete municípios do Grande ABC contavam em dezembro de 2016, último ano do governo Dilma Rousseff, com 454.187 trabalhadores com carteira assinada. Os três prefeitos tomaram posse em primeiro de janeiro de 2017.
Em dezembro de 2021, os dois setores contavam com 539.546 trabalhadores. Um avanço de 18,79% do estoque. No período de cinco anos foram gerados 85.359 empregos como saldo líquido. Dividindo-se esse total pelo estoque de 2016 se chega ao crescimento no período.
No setor industrial, como mostramos ontem, nos seis primeiros anos dos três prefeitos (restando portanto apenas dois anos) o saldo é negativo. Faltam 9.293 carteiras assinadas industriais em relação ao desastre deixado por Dilma Rousseff em 2016.
REAÇÃO ESPERADA
É natural que o Grande ABC encontre dificuldade e apresente essa dicotomia entre emprego industrial e emprego de serviços e comércio.
A atividade produtiva da região demora demais a reagir por conta do balanço sempre complexo do setor automotivo, que influencia profundamente as demais atividades. As montadoras ainda não recuperaram o ritmo pré-recessão.
Já na área de comércio e de serviços, que demanda custos de investimentos bem menores, a reação é mais rápida. Mas, por outro lado, a média salarial está pelo menos 30% abaixo da indústria. O mercado consumidor do Grande ABC é uma arma razoavelmente poderosa para impor maior resistência em comércio e serviços, mas não é suficiente forte para mudar a rota.
Também deve ser considerado que a tração industrial é mais complexa, diante da concorrência principalmente do Interior do Estado no suprimento de produtos e serviços do setor.
Comércio e serviços sem grande valor agregado, marca do Grande ABC, reagem mais por conta de fatores internos, de políticas públicas principalmente do governo federal, embora também com influência do Executivo local.
VEJA OS RESULTADOS
Os dados mostram que tanto São Bernardo quanto São Caetano obtiveram média de crescimento em serviços e no comercio acima da média geral da região. Já Santo André é um ponto fora da curva. Além de ficar abaixo dos dois municípios, também perdeu para os demais. Veja a situação de cada Município:
1. Rio Grande da Serra registrou aumento do estoque de 80,02%, resultado da contratação líquida de 925 trabalhadores do comércio e de serviços entre 2017-2021. Contava com 1.156 carteiras assinadas em 2016 e subiu para 2.081 em 2021. A participação regional de empregos no setor é de 0,38%.
2. Mauá registrou aumento do estoque de 36,97%, resultado da contratação líquida de 12.213 trabalhadores de comércio e serviços entre 2017-2021. Contava com 33.034 carteiras assinadas e passou para 45.247. A participação regional no setor é de 8,39%.
3. Ribeirão Pires registrou aumento do estoque de 24,33%, resultado da contratação líquida de 2.690 trabalhadores de comércio e serviços entre 2017-2021. Contava com 11.058 carteiras assinadas e passou para 13.784. Participa com 2,55% do mercado regional.
4. Diadema registrou aumento do estoque de 22,27%, resultado da contratação líquida de 8.747 trabalhadores de comércio e serviços entre 2017-2021. Contava com 39.262 carteiras assinadas e passou para 48.008. Participa com 8,90% do mercado regional.
5. São Bernardo registrou aumento do estoque de 20,23%, resultado da contratação líquida de 31.057 trabalhadores de comércio e serviços entre 2017-2021. Contava com 153.519 carteiras assinadas e passou para 184.576. Participa com 34,20% do mercado regional.
6. São Caetano registrou aumento do estoque de 19,57%, resultado da contratação líquida de 12.839 trabalhador4es de comércio e serviços entre 2017-2021. Contava com 65.612 carteiras assinadas e passu para 78.451. Participa com 14,54% do mercado regional.
7. Santo André registrou aumento do estoque de 11,19%, resultado da contratação líquida de 16.853 trabalhadores de comércio e serviços entre 2017-2021. Contava com 150.546 carteiras assinadas e passou para 167.399. Participa com 31,02% do mercado regional.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC