Economia

Auricchio perde mais PIB
após o desastre de Dilma

DANIEL LIMA - 28/03/2023

Dos três prefeitos do Grande ABC (entre os sete de plantão nesta temporada), que estão em segundo mandato consecutivo, quem mais sofreu as consequências do dilúvio do governo Dilma Rousseff (entre 2015-2016) é José Auricchio Júnior, de São Caetano.  

Ao fim do primeiro mandato pós-Dilma em 2020, São Caetano acumula queda do PIB Geral de 9,76%. Paulinho Serra de Santo André registra queda de 2,14% e Orlando Morando, de São Bernardo, queda de 0,91%.  

É preciso considerar em toda essa avaliação os efeitos diretos que a economia do Grande ABC sofreu com o desastre dos anos 2015-2016 do governo Dilma Rousseff. Tratar o Grande ABC e o País como um todo sem relativizar o período mais grave da economia nacional é pretender jogar uma partida de futebol sem o uso da bola.  

De qualquer forma os números expostos confrontam dois momentos péssimos para a economia e à sociedade como um todo. Primeiro, os rescaldos ainda fortes dos dois últimos anos de Dilma Rousseff. Segundo, na reta de chegada, o colapso provocado pelo Coronavírus.  

MUITAS TRANSFORMAÇÕES  

No período de dois anos de recessão dilmista,  o PIB Geral do Grande ABC sofreu queda acumulada de 20%. A perda média nacional não passou de 8%, calamidade jamais vista. 

Em seguida, com a posse de Michel Temer, que dirigiu o País até 2018, e a vitória de Jair Bolsonaro, houve melhora do quadro, embora a contaminação dilmista permanecesse.  

Entretanto, a temporada de 2020, reta de chegada da avaliação dos três prefeitos,  atrapalhou os planos de crescimento do País como um todo com a chegada do Coronavírus.  

Orlando Morando, José Auricchio Júnior e Paulinho Serra tiveram, portanto, quatro anos de uma macroeconomia permeável a transformações relativamente positivas quando se estabelece como métrica o fato de que a retirada de Dilma Rousseff e pedaladas alteraram o figurino de um País que viveu a maior crise da história.  

Entretanto, justamente na última etapa do primeiro mandato, com o vírus chinês fazendo estragos em todo o mundo, a retração econômica foi compulsória.  

PIB GERAL CAI  

O PIB Geral do Grande ABC caiu 5,92% na temporada de 2020. Em situação de normalidade sanitária, a Economia teria provavelmente melhorado o desempenho da temporada anterior, de 2019. Naquele ano, enquanto o PIB Geral do País cresceu 1,2%, o Grande ABC dava sinais de reação, mesmo com resultado negativo, de queda de 1,13%.  

Estabelecer comparações entre os três prefeitos de acordo com dados oficiais conclusivos é uma das maneiras de entender com mais acuidade os respectivos territórios municipais.  

Mais que isso: Santo André, São Bernardo e São Caetano representam praticamente 70% do PIB Geral do Grande ABC. O que se passa nos municípios mais tradicionais da região tem poder de disseminação que não pode ser ignorado.  

Não há estudos que detectem, por exemplo, a complementaridade econômica do setor privado, mas é intrínseco imaginar que empresas de Santo André, São Bernardo e São Caetano se movem estruturalmente tendo como critérios de competitividade a interação dos negócios.  

Quanto mais próximas entre si, maiores as possibilidades de se abastecerem de suprimentos, no caso do setor industrial.  

CONSUMO REGIONALIZADO  

Também nos setores de comércio e de serviços os consumidores não levam em conta demarcações territoriais quando os municípios se confundem na geografia e na logística. A mobilidade de consumo supera todas as contradições e principalmente o municipalismo. A lei da oferta e da procura prevalece.  

Existe uma margem de erro que precisa ser considerada quando se vai além dos dados envolvendo Santo André, São Bernardo e São Caetano. Compará-los é interessante para conhecer nuances que os dados muitas vezes explicitam. Mas também não custa acautelar-se.  

Não é por estarem no mesmo espaço geográfico (o Grande ABC de sete municípios, na vizinhança da Capital e sob influências retroalimentadores) que Santo André, São Bernardo e São Caetano devam ser observadas como se fossem unidades semelhantes. Há diferenças históricas que as separam e também as unem. 

INDIVIDUALIDADES  

No caso específico do PIB (Produto Interno Bruto) que é a soma de produtos e serviços de um determinado período, os resultados tendem mesmo a ser diferentes, e mesmo quando semelhantes guardam especificidades  que precisam ser compreendidas.  

Colocar Santo André, São Bernardo e São Caetano no mesmo saco interpretativo é um risco enorme. Tanto na Economia quanto na política. Sem contar outros estudos.  

Já escrevemos sobre isso no caso político. São Bernardo, Santo André e São Caetano são antípodas na arena eleitoral, por exemplo. Santo André é mais conservadora que São Bernardo e menos conservadora que São Caetano.  

O vermelho de São Caetano é muito menos pronunciado e quase irrelevante enquanto em São Bernardo é protagonista e em Santo André sempre dependeu de circunstâncias específicas. 

DADOS COM ATRASO  

Mas o que interessa agora é o comportamento do PIB entre janeiro de 2017 (quando os três prefeitos tomaram posse) e dezembro de 2020 (quando enceraram o primeiro mandato e já estavam reeleitos).  

Nesses quatro anos de respectivos mandatos, Paulinho Serra, Orlando Morando e José Auricchio Júnior poderiam ter corrido para abraçar a galera dos eleitores. Não o conseguiram. 

Quando reeleitos, em 2020, os dados do PIB do mesmo ano eram desconhecidos. Só são divulgados pelo IBGE sempre depois de dois anos dos registros. Ou seja: o PIB de 2020 só é divulgado em dezembro de 2022.  

Embora faltem dados mais detalhados, a queda de quase 10% do PIB Geral de São Caetano em 2020 ante 2017 se deve principalmente ao desempenho da indústria automotiva, representado pela General Motors. Mas não estão fora do eixo de explicação novas deserções industriais. 

São Bernardo ainda mais dependente do setor automotivo acumulou números menos desastrosos (queda de 0,91%) porque conta com outras atividades produtivas menos sujeitas a oscilações bruscas e, também, utiliza-se com mais intimidade das relações entre indústria e serviços. Haveria maior interação entre os dois setores.  

No caso de Santo André, com queda de 2,41% acumulada nos quatro anos pós-desastre de Dilma Rousseff, os números que serão esmiuçados em outro texto mostram que o desempenho industrial seletivo do setor petroquímico, muito acima dos vizinhos, não foram suficientes para a depreciação do PIB Geral em outras atividades.  

Ou seja: apesar de contar com um PIB Industrial bastante positivo no período, Santo André não tem a estrutura de serviços suficiente para segurar a barra do Desenvolvimento Econômico. 

DILMA E VÍRUS  

Não se pode deixar de lado como fonte importante de análise que o período relativo ao primeiro mandato dos três prefeitos (sempre desconsiderando os dois mandatos anteriores de José Auricchio, que precederam o governo Dilma Rousseff) se encerra exatamente na temporada de 2000, quando o então presidente Jair Bolsonaro completava o segundo ano de mandato. O PIB Geral do País cresceu 3,3%, enquanto o do Grande ABC sofreu queda de 5,92%.  

Na temporada imediatamente anterior à chegada dos três prefeitos (2016), o PIB Geral de Santo André, São Bernardo e São Caetano  registrava valor de R$ 81.255.137 bilhões. Já na temporada de 2020, último do primeiro mandato, o montante chegava a R$ 92.015.514 bilhões. Para que não houvesse perda alguma, seria necessário que o PIB Geral dos três municípios alcançasse R$ 94.613.481 bilhões.  Uma diferença em valores reais até dezembro de 2020 de R$ 2.597.967 bilhões, ou 2,75% do total.  

Traduzindo a equação: Santo André, São Bernardo e São Caetano perderam, em conjunto e em média  0,6875% do PIB Geral a cada ano dos quatro anos. O peso de prejuízo de São Caetano é enorme, com os 9,76% da derrocada divididos por quatro: resultado? Perda média anual de 2,44%.  

MENOS IMPACTANTE  

Se individualmente São Caetano pesou contra si mesma nos primeiros quatro anos de José Auricchio Júnior, em termos regionais o desastre é menos impactante. Afinal, quando se coloca o PIB Geral de São Caetano no bolo geral do PIB Geral dos outros três municípios, a participação relativa não passa de 15,17%. O PIB Geral registrado por São Caetano em 2020 registrou R$ 13.960.695 bilhões, ante R$29.440.477 bilhões de Santo André e R$ 48.614.342 bilhões de  São Bernardo. 

Dessa forma, da quebra total de R$ 2.597.967 bilhões dos três municípios nos quatro anos de primeiro mandato, o total de R$ 1.510.351 bilhão corresponde à cota-parte de São Caetano, enquanto R$ 443.437 milhões a São Bernardo e R$ 664.179 a Santo André.  

Apenas como exercício explicativo: se a queda do PIB de Santo André ou de São Bernardo fosse na proporção da registrada por São Caetano, o comprometimento do conjunto dos três municípios seriam muito maior. Pesos relativos diferentes podem, portanto, amenizar ou agravar o ambiente econômico regional. Tratar os municípios igualmente é desconsiderar desigualdades preponderantemente indispensáveis.  



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