Economia

DÉCADA DESASTROSA: O
QUE SERÁ DA REGIÃO? (5)

DANIEL LIMA - 03/05/2023

O comportamento da economia de três grandes municípios vizinhos do Grande ABC dentro da Região Metropolitana de São Paulo durante a década de 2011-2020 mostra que a gravidade da situação regional é específica. Mas esses três endereços e suas respectivas vizinhanças são praticamente ignorados por autoridades públicas da região.   

Guarulhos, Osasco e Barueri, à Oeste e à Norte da Grande São Paulo, configuram exemplos explícitos da Década Perdida do Brasil no período. Mas não se estatelaram na parede da Década Desastrosa do Grande ABC.  

A tradução explicativa que separa uma década de outra década é que uma década foi ruim para aqueles três municípios e essa mesma década foi péssima para os sete municípios do Grande ABC.   

FATOR RODOANEL   

Há traçados do Rodoanel para explicar muita coisa dessa situação contrastante. Os mesmos traçados que jamais foram pauta obrigatória do Clube dos Prefeitos, como é chamado popularmente o Consórcio de Prefeitos do Grande ABC.  

A aberração institucional é tão escandalosa que não há registro nas agendas do Clube dos Prefeitos de qualquer encontro que trate dos efeitos danosos dos traçados do Rodoanel na região. Assim como desindustrialização é uma palavra-conceito banida do dicionário político e econômico do Grande ABC, Rodoanel é um espantalho.  

O então governador Geraldo Alckmin ganhou as manchetes ao proclamar São Bernardo a melhor esquina do Brasil. Uma demagogia típica de político que não entende do riscado. Nem do traçado. E ainda há quem repercuta tamanha bobagem como verdade. O servilismo da mídia não tem limites ante os poderosos.  

O resultado final do período de 10 anos analisados nesta minissérie envolvendo os três municípios se insere mesmo no conceito de Década Perdida, mas está longe dos estragos registrados no Grande ABC.  

CRESCIMENTO PÍFIO   

Osasco, Guarulhos e Barueri, conjunto fomentado direta e indiretamente pela construção do Rodoanel, registraram crescimento pífio em 10 anos, tendo como base de comparação a temporada de 2010.   

Juntos, cresceram cumulativamente 1,78% numa comparação ponta a ponta. Isso dá um crescimento médio anual de 0,178%. Quase nada, mas bem mais que o Grande ABC.   

Não custa lembrar a cada capítulo desta minissérie que o Grande ABC perdeu no mesmo período, sempre se referindo ao comportamento do PIB Geral, nada menos que 23,55%; ou seja, praticamente um quarto da riqueza registrada em 2010. Ou a média anual de 2,355%. Não há caso semelhante em outra região do País. 

O confronto de dados entre o Grande ABC e outras regiões do Estado de São Paulo (no capítulo anterior o confronto foi com Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, sedes de regiões metropolitanas paulistas) é imprescindível para entender o estado de depauperação regional na Década Desastrosa.  

MUITO DIFERENTE 

A ideia que alguns irresponsáveis sociais tentam levar à sociedade de que o Grande ABC não se distingue de outros endereços municipais e regionais no tamanho dos prejuízos provocados no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff não resiste aos fatos.   

De maneira geral o Brasil como um todo foi afetado pelas estripulias da então presidente, mas o Grande ABC automotivo foi especificamente muito mais. A Doença Holandesa Automotiva que atinge principalmente São Bernardo, mas se espalha aos demais municípios da região está na raiz da Década Desastrosa. Mas também há outros fatores. Como o Rodoanel.   

Ao final do ano de 2010, ou seja, no marco inicial da Década Desastrosa que começou em janeiro do ano seguinte e prosseguiu até dezembro de 2020, o PIB do G-3 Metropolitano (Osasco, Barueri e Guarulhos) totalizava R$ 109.189.999 bilhões em valores nominais. Esse montante, quanto atualizado pela inflação do IPCA a dezembro de 2020, passou para R$ 189.979.679 bilhões.   

ACIMA DA INFLAÇÃO  

Para que não houvesse perda durante todo o percurso de 10 anos, os três municípios vizinhos do Grande ABC teriam, portanto, que registrar em 2020 o total de R$ 189.979.679 bilhões. O resultado final? R$ 193.415.697 bilhões. Daí o crescimento real de 1,78% no período.   

O desempenho econômico de Osasco no G-3 Metropolitano foi discreto na Década Desastrosa do Grande ABC e na Década Perdida do Brasil.  

Em 2010, em valores nominais, Barueri registrou PIB Geral (de todas as atividades econômicas) de R$ 43.499.785. Quando se aplica a inflação do período (73,99%) o valor deveria alcançar R$ 75.685.276 bilhões. Chegou a R$ 76.311.814 bilhões. Crescimento real no período de 0,82%.  

Guarulhos, endereço em que o setor industrial é relativamente mais forte que o de Osasco e Barueri, registrou crescimento um pouco maior no período de 10 anos analisados. Em valores nominais, o PIB de Guarulhos em 2010 era de R$ 35.671.510 bilhões. Se acompanhasse o ritmo da inflação, o valor registrado em 2020 deveria ser de R$ 62.064.860 bilhões. Como chegou a R$ 65.849.311 bilhões, o PIB cresceu cumulativamente no período 5,75%. Um pouco acima, portanto, de Osasco.   

ABAIXO DA INFLAÇÃO  

Barueri também fortemente marcada na área de serviços, foi o único endereço do G-3 Metropolitano que acusou perda real do PIB nos 10 anos. O PIB nominal de R$ 30.018.704 bilhões de 2010 deveria ser R$ R$ 52.229.543 bilhões em 2020. Chegou próximo a isso: R$ 51.254.572 bilhões. Queda acumulada de 1,87%. Ou média anual de 0,187%. Praticamente nada. Principalmente quando se compara com o mergulho do Grande ABC.  

A distância que separa o PIB de Guarulhos, Osasco e Barueri dos sete municípios do Grande ABC ampliou-se estrondosamente na Década Desastrosa. Se antes do primeiro mandato de Dilma Rousseff o PIB do G-3 Metropolitano era 11,95% superior ao PIB do Grande ABC, 10 anos depois o alargamento foi impressionante: o PIB do Grande ABC passou a ser 33,62% inferior ao PIB somado de Guarulhos, Osasco e Barueri.  O G-7 é um perdedor irrefreável.  

E muito dos motivos que explicam o enfraquecimento do PIB do Grande ABC diante do adversário que ocupa o mesmo território da Grande São Paulo se deve à construção dos trechos Oeste e Sul do Rodoanel. Primeiro veio o trecho oeste, em 2002. Depois o trecho sul, em 2010. Já publicamos série de análises sobre as razões que determinaram, entre outros pontos, a migração de empresas do Grande ABC para ou outro lado da Região Metropolitana. E a atratividade dos territórios do Grande Oeste e do Grande Norte metropolitano a investimentos diversos, principalmente nas áreas de logística e de tecnologia.   

TRAÇADOS DISTINTOS   

Resumidamente, a melhor explicação para essa descentralização de ocupação empresarial está nas características dos dois trechos do Rodoanel: enquanto a região de Osasco e Barueri foi diretamente beneficiada com a integração do trecho oeste, o Grande ABC sofreu as consequências de um trecho sul praticamente lacrado à permeabilidade logística.   

Enquanto o trecho oeste contempla Osasco e outros municípios por dentro dos respectivos territórios, o Grande ABC foi isolado. Mais que isso: apenas São Bernardo, Santo André e Mauá foram impactados pelo traçado em termos morfológicos.  

São Bernardo pagou um preço alto por isso. O custo de negócios industriais é mais elevado que na região de Osasco e Barueri. O chamado Custo ABC vem de longe e tem no custo da mão de obra um dos vetores principais. Mauá beneficiou-se de um puxadinho do Rodoanel, mas sem repercussões econômicas semelhantes às da região Oeste da metrópole.  Sem contar que há mascaramento da realidade econômica de Mauá por causa da influência do Polo Petroquímico, que divide com Santo André e que gera muito Valor Adicionado, parente próximo do PIB, mas poucos empregos e crescimento interno.  



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