Economia

Três cenários preocupantes
para Santo André 500 Anos

DANIEL LIMA - 08/05/2023

Se você está lendo este texto em 2053, quando Santo André completa 500 anos de descobrimento, se você está nessa situação, nada melhor para conferir a projeção que faço hoje, uma segunda-feira, oito de maio de 2023, ou seja, 30 anos antes.  

São três cenários econômicos distintos mas não tão distantes entre si.  

O primeiro, catastrófico, está referendado por números que dificilmente vão se repetir ao longo dos próximos 30 anos e estão relacionados ao primeiro mandato do prefeito Paulinho Serra.  

O segundo, desestimulante, restringe-se ao período de 2000 a 2016 e é menos doloroso.  

O terceiro, dinamitador, entre 2000 e 2020, ocupa situação intermediária.  

Então, para que não haja dúvida sobre o que projetamos, ficamos assim: 

 

 CENÁRIO CATASTRÓFICO. 

 CENÁRIO DESESTIMULANTE. 

 CENÁRIO DINAMITADOR.   

 

A projeção é de que você estará morando numa cidade que ocuparia posições ainda mais secundárias no ranking do PIB per capita do Estado de São Paulo. Os cenários indicam que pode ser que seja posicionamento mais ou menos vexatório, mas dificilmente deixará de ser inquietante.   

DO MESMO TAMANHO  

PIB per capita é a divisão do Produto Interno Bruto de um Município pelo total de moradores. É a geração de riqueza esquartejada individualmente. É a uniformidade dos municípios de diferentes tamanhos econômicos.  

É, portanto, uma métrica que distingue potencialmente a qualidade de vida de uma pequena Dinamarca da gigantesca Índia. PIB sem a condicionalidade de ajuste por habitante pode ser enganador.    

É claro que ao escrever hoje o que você está lendo daqui há 30 anos há uma margem de erro que precisa ser considerada, porque tudo pode acontecer em três décadas cheias.  

Mas como me movo estruturalmente de dados concretos, registrados, carimbados, seria cretinice sem tamanho desprezá-los em nome de qualquer coisa. 

DADOS FUNDAMENTADOS  

O certo é que você, meu leitor deste 2053, ano do qual tenho dúvidas de estar vivo e inteirinho na cachola, precisa entender que 30 anos de projeções valem a pena senão como especulação, porque não é especulação, mas como alerta. 

E o que mais precisamos neste Grande ABC em que Santo André está inserido como um dos sete municípios é tratar as coisas com responsabilidade. O prefeito Paulinho Serra, que inicia o sétimo ano de dois mandatos, desfila na mídia em geral e numa das quais especificamente, um presente entusiástico e um futuro cor de rosa para Santo André. 

Tanto que engatilha frases e frases comemorativas que criou ou faz de conta que criou o projeto Santo André 500 Anos. Ou seja: Paulinho Serra e sua equipe anteviram o que você leitor deste 2053, poderia estar vivendo.  

PARAÍSO QUESTIONADO 

O problema que se encontra na gestão de Paulinho Serra é que sem bases sólidas, sem nada que possa sustentar à ideia de que Santo André de 2053 será um endereço paradisíaco, faz muita gente acreditar em milagre. 

É nesse ponto que entramos em campo. Paulinho Serra e sua equipe são as provas provadas de que não se deve acreditar em Paulinho Serra e sua equipe. Ou não valem nada os quatro primeiros anos do primeiro mandato? 

É com base nos resultados obtidos entre janeiro de 2017 e dezembro de 2020 (dados já consolidados pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), especialmente do comportamento do PIB (Produto Interno Bruto) é que fizemos a projeção de Santo André 500 Anos.  

MAIS TEMPO DE JOGO 

Para não dizerem que somos estreitos demais em cronologia, também reproduziremos um segundo cenário que remete a 2053. Nesse caso, vamos selecionar os dados do PIB tendo como base de comportamento o ano de 2000 e como fechamento o ano de 2016, ou seja, antes da posse e dos oito anos previstos de gestões de Paulinho Serra. 

Para não dizerem também que seccionamos o tempo, vamos construir um terceiro cenário, agora tendo como base a solidez do período cheio entre 2001 e 2020, ou seja, tudo que até agora tivemos neste século.  

Explicar o que faremos para que você que me lê em 2053 entenda os pressupostos deste trabalho é a pedra fundamental a qualquer tipo de contraposição de ideias e argumentos.  

O que quero dizer com tudo isso é que a Santo André 500 Anos que você, em 2053, está lendo neste momento, não resultou de uma aventura desta revista digital. É o que chamaria de obrigação junto aos leitores. 

FUTURO DESENHADO  

Afinal, se o prefeito Paulinho Serra começa a desenhar uma Santo André 500 Anos com ares de festa e de comemorações antecipadas, nada melhor que advertir com base no que é Santo André neste 2023. E o que foi Santo André em 2000. E o que também era Santo André em 2016, ano da vitória eleitoral de Paulinho Serra. 

Ao construir um dos três cenários tendo como suporte o ano 2000, levo em conta o projeto Santo André Cidade Futuro, lançado pelo então prefeito Celso Daniel e sobre o qual rememoramos neste espaço nos últimos dias.  

Celso Daniel, um ano e pouco antes de ser assassinado, deixou juntamente com sua equipe um plano factível, muito bem desenhado. Nada que lembre o projeto Santo André 500 Anos de Paulinho Serra, que é uma variação mal-acabada até mesmo porque ainda não se cristalizou teoricamente. 

Projetar a Santo André 500 Anos é um desafio e tanto, porque não pode ser observado sob qualquer ótica senão levando-se em conta, no mínimo, o comportamento econômico dos demais municípios paulistas.  

PAINEL ESTADUAL  

Achar que Santo André é uma ilha de informações e dados não fica bem. O eixo econômico do Estado de São Paulo não é tão abrangente quanto o que poderia ser confrontado com os mais de cinco mil municípios brasileiros. Mas os 645 municípios paulistas são um painel extraordinário a observações e conclusões.  

É praticamente impossível chegar a conclusões sobre o desempenho econômico e social de qualquer Município paulista olhando para o próprio umbigo ou mesmo para um grupo geograficamente próximo de municípios. Amplos fatores de competitividade precisam ser mensurados.  

Por isso a Santo André 500 Anos projetada por Paulinho Serra, uma cópia ordinária de Santo André Cidade Futuro de Celso Daniel, exige muita atenção. Daí à conclusão enunciada em três cenários distintos, conforme a cronologia inicial e de encerramento de dados.  

 CENÁRIO CATASTRÓFICO   

O primeiro cenário que tem como base o que seria Santo André de 2053 leva em conta os resultados obtidos durante os primeiros quatro anos de mandato do prefeito Paulinho Serra. Os dados do IBGE abrangem o período de 2017-2020. Somente no final deste ano o IBGE anunciará o PIB dos Municípios Brasileiros de 2021. Há defasagem de dois anos. 

Entre 2017 e 2020, tendo 2016 como base de comparação, o PIB Geral de Santo André sofreu queda real de 6,77%, ou média anual de 1,69%. Não se pode considerar qualquer disfuncionalidade grave entre a base e o topo de comparação.  

Em 2016 o Brasil e a região como um todo viviam o último ciclo da grande recessão do governo Dilma Rousseff. Em 2020, vivia-se o pior período da pandemia do Coronavírus. Ou seja: não se confrontaram dados de uma base elevada com uma reta de chegada frágil. Nem o inverso. 

Em 2016, ou seja, antes de Paulinho Serra assumir a Prefeitura de Santo André, o Município ocupava a posição 142 no ranking de PIB per capita estadual. Ao completar o primeiro mandato, em 2020, Paulinho Serra viu a posição de Santo André mais comprometida ainda, caindo à 168ª colocação. Nada menos que 26 degraus abaixo no ranking.  

Se nos próximos 32 anos a serem contabilizados até chegar-se a 2053 Santo André cair no mesmo ritmo anual no ranking do PIB per capita no Estado de São Paulo, serão 208 posições abaixo. A explicação: a queda de 26 degraus em quatro anos significa 6,5 degraus por ano que multiplicados por 32 anos resulta em 208 posições.  

Como a posição de Santo André em 2020 era a 168ª colocação, a soma do passado com o futuro resultaria na posição 376 do ranking paulista.   

 CENÁRIO DESESTIMULANTE  

O segundo cenário econômico para Santo André 500 Anos abrange o período de 2000 como ano base e 2016 como topo, ou seja, antes da chegada de Paulinho Serra ao Paço de Santo André. Em 2000, quando Celso Daniel lançou Santo André Cidade Futuro, a cidade ocupava a 85ª posição no ranking estadual de PIB per capita. Em 2016, segundo ano da maior recessão da história do País e do Grande ABC, Santo André foi rebaixada à 142 posição. Uma queda acumulada de 57 colocações. Média anual de 3,5625 colocações.  

Se prevalecer a média anual de perdas desse período até 2053, contando-se o período de 2017 a 2053, ou seja, 37 meses, Santo André cairá 131,8 posições e chegará à posição 274 no ranking paulista de PIB per capita. Bem melhor do que com os números de Paulinho Serra. 

 CENÁRIO DINAMITADOR  

O terceiro cenário parece o mais consolidador entre todos como possível definição dos rumos do PIB per capita de Santo André no Estado de São Paulo. Afinal, trata-se de período de 20 anos que começa em 2001, com base em 2000, e se estende até o ano 2020, atravessando todos os prefeitos de Santo André neste século. 

E qual seria o resultado dessa nova métrica? Se em 2000 Santo André era o 85º PIB per capita do Estado e se em 2020 caiu para a posição 168, houve perda acumulada de 83 postos que, divididos por 20 anos, significam queda média anual de 4,15 posições no ranking.  

Para projetar o que seria Santo André em 2053 com base nos 20 primeiros anos do século, tem-se uma queda acumulada de 132,8 posições. Somada essa perda com a posição 168 de 2020, o resultado final é a posição arredondada de 301ª colocação geral.  

Procurei ser o mais didático possível. Sei que é preciso certo esforço intelectual para acompanhar a metodologia aplicada. Mas é assim que funcionam coisas complexas. Que só são complexas quando ainda prevalecem desafiadoras.  

Os três cenários são objetivamente claros e devem ser conferidos pelos leitores do 2053 que vai chegar.  

A Santo André do primeiro mandato de Paulinho Serra é a pior Santo André possível que se poderia esperar para 2053.  

A Santo André de 16 anos iniciais deste século e sem a participação de Paulinho Serra seria menos complicada em 2053, mas longe do que se espera como futuro saudável.  

E a Santo André de 2053 com base na média de posicionamentos no Estado de São Paulo nos 20 primeiros anos deste século seria a antítese das expectativas atuais do prefeito de Santo André.  

A conclusão final desta análise é a seguinte: a Santo André 500 Anos de felicidade prometida por Paulinho Serra é praticamente uma meta inalcançável caso o referencial seja o ecossistema econômico que envolve o Estado de São Paulo.  

As sucessivas quedas anuais do PIB per capita de Santo André, quando se observa o comportamento geral dos municípios paulistas neste século, é uma ducha de água fria no entusiasmo. Algo que não se supera com aquecimento ilusório.



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