Economia

Região perde a vitalidade dos
ricos e também da classe média

DANIEL LIMA - 01/06/2023

A decadente Economia do Grande ABC levou o Grande ABC a se tornar espécie de Maria Fumaça em mobilidade de classes sociais. O universo de famílias de classe rica e de classe média tradicional desmoronou neste século, depois de também ter sido fortemente impactado nas duas últimas décadas do século passado. O trem bala virou passado. 

O Grande ABC produz menos ricos e menos classes médias convencionais do que a média brasileira.  

O trem-bala da riqueza automotiva desapareceu. Agora o que temos é uma dificuldade cada vez mais preocupante de sustentar os níveis das duas classes sociais que simbolizam Desenvolvimento Econômico e Social.  

Não temos nem uma coisa nem outra quando comparado ao passado de fertilidade produtiva. E quando a participação relativa dos dois principais extratos de riqueza se contrai, a situação só tende a piorar.  

CONSUMO DESPREZADO  

Não é a primeira nem será a última vez que nos debruçamos no que chamamos de PIB de Consumo do Grande ABC e dos principais municípios do Estado de São Paulo.  

PIB de Consumo é o resumo do que as famílias têm para gastar numa determinada temporada. E se as famílias têm para gastar é porque produziram para tanto. Produziram e pouparam. Quanto mais escassa essa possibilidade, mais se pronunciam perdas absolutas e relativas.  

O PIB de Consumo do Grande ABC jamais foi objeto de qualquer estudo de instâncias oficiais do Grande ABC. Também de instâncias econômicas e acadêmicas.  

O Grande ABC sobrevive da inércia socioeconômica, ou seja, da retroalimentação de uma dinâmica que perde o ritmo, a velocidade, mas não se esgota porque criou sistema de resiliência.  

DADOS AGREGADOS  

O PIB de Consumo é uma especialidade da Consultoria IPC, do pesquisador Marcos Pazzini. Não há nada mais confiável e robusto do que o Potencial de Consumo da Consultoria IPC. A matéria-prima é extraída de um agregado de fontes oficiais.  

Os estudos da Consultoria IPC chegam a detalhamentos impressionantes. É possível conhecer,  rua por rua, qual o PIB de Consumo dos municípios brasileiros. Uma constelação de indicadores é utilizada por gestores públicos e empreendedores privados como fonte inesgotável de conhecimento,  planejamento e ações.  

A degringolada do PIB de Consumo do Grande ABC é uma realidade exposta há muitos anos por CapitalSocial e também pela revista de papel LivreMercado. Há 33 anos as duas publicações cuidam do assunto. Nem poderia ser diferente. 

O PIB de Consumo é um medidor de extraordinária robustez. O pesquisador Marcos Pazzini é a fonte básica e indispensável a tudo que consta sobre Potencial de Consumo nas páginas desta revista digital.  

Agora vamos aos números deste século do PIB de Consumo do Grande ABC. Entenda este século como o ano base de 1999 e o ano-teto de 2023. O que vale a título de análise são os anos de 2000 e o ano de 2022. Ou seja: os dados da Consultoria IPC se referem aos resultados dessas duas temporadas.  

VELOCIDADES DISTINTAS  

Exemplificando: o que se constatou para consumo nesta temporada de 2023 foi apurado no ano passado. O que o Grande ABC terá para gastar no ano que vem será apurado neste 2023. Da mesma forma, o que se tinha para gastar em 2000 foi apurado em 1999.  

A velocidade de produção de famílias de classe rica e de classe média tradicional neste século no Grande ABC não passou de 22,09%. Das 354.093 novas moradias nos sete municípios da região a partir do ano 2000, apenas 78.217 foram detectadas como integrantes de extratos econômicos de classe rica e classe média convencional. Isso dá exatamente 22,09%.  

Isso significa que a classe C, algo como classe média precária, os miseráveis e os pobres ocuparam o restante do universo de novos moradores.  

JOGO EMBARALHADO  

Quem imaginou que algum dia o Grande ABC perderia a corrida de mobilidade de classes sociais para a média brasileira provavelmente seria chamado de estúpido.  

Afinal, a cristalização de subida constante de classes sociais rumo a extratos mais elevadas jamais foi colocada com suspeição. O Grande ABC automotivo a partir da metade do século passado jamais encontraria barreiras à ascensão social permanente. 

Mas o que se tem no confronto com a média nacional neste século é exatamente a prova provada de que a crise econômica e social de um Grande ABC duramente abalado por transformações sociais e econômicas não pode ser subestimada. O PIB de Consumo do Grande ABC era 40,41% superior do PIB de Consumo médio do Brasil no ano 2000. No ano 2022 caiu para 23,59%.  

MAIS BRASIL  

Entre 2000 e 2022, o PIB de Consumo nacional cresceu 26,72%. É um resultado discretíssimo mesmo para a realidade nacional, mas está acima do resultado dos sete municípios da região.  

Do total de novas famílias brasileiras neste século (28.686.841 moradias), foram registradas 7.665.469 famílias de classe rica e de classe média tradicional. Sai daí a marca de 26,72% novas moradias das classes mais abastadas.  

Feitas essas contas de um período restrito que demarca com precisão até que ponto vem perdendo consistência econômica, não custa ampliar a análise para demonstrar que o Grande ABC ainda não virou um Brasil em termos de participação de ricos e classe média tradicional. Ou seja: ainda não caiu pelas tabelas além do já bastante preocupante, determinado pelos números deste século. 

AMPLIANDO DADOS  

Quando se amplia o período de comparação, o Grande ABC ainda mantém vantagem sobre a média nacional, embora cada vez mais escassa.  

Quando se tem o estoque de ricos e de classe média tradicional registrado em 2000 (e que, portanto, veio do passado) e se compara com o que se apresenta em 2022, o Grande ABC chega ao universo de 31,92%, ante 26.72% da média nacional.  

Isso significa que, pelo andar da carruagem deste século, a vantagem do Grande ABC ao longo dos tempos estará cada vez mais comprometida.  

Talvez seja preciso explicar o que diferencia os dados restritos ao período deste século e os dados que incluem os anos anteriores, ou seja, desde a formação demográfica da região e do País. 

SÉCULO COMPROMETEDOR  

O estoque de ricos e de classe média tradicional no Grande ABC ao longo de décadas chega a 31,92% das moradias. Mas cai para 22,09% quando se restringe o período aos anos deste século, desconsiderando, portanto, o passado. 

Já o comportamento dos ricos e da classe média tradicional na média nacional chega a 24,39% ao longo da história de ocupação e dos estudos demográficos, e aumenta para 26,72% quando se limita o período a este século. 

Tradução: o contingente de ricos e de classe média tradicional da região sofreu queda relativa de 14,96% quando se comparam os dados do estoque histórico de 2000 com os dados de 2022.  

Enquanto isso, na mesma comparação, a média nacional aumentou 16,28%. Há, portanto, uma insofismável decadência do Grande ABC em contraste com uma leve ascensão dessas classes sociais na média nacional.  

DADOS MUNICIPAIS 

Estamos longe do encerramento dessa nova abordagem sobre a economia do Grande ABC. O PIB de Consumo da Consultoria IPC terá novas versões.  

Detalharemos o comportamento de cada um dos sete municípios do Grande ABC.  

Impactada duramente pelo setor automotivo, São Bernardo acusa as maiores perdas neste século. Famílias de ricos e de classe média tradicional no Grande ABC podem virar pó em termos relativos nesta nova década.  

Seremos uma região cada vez menos desigual, ou seja, com participações relativas muito próximas de ricos, classe média tradicional, classe média precária, pobres e miseráveis. O sonho dos socialistas está se aproximando da realidade. Acho que isso não é nada interessante.  



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