Economia

Campinas sozinha gera mais
emprego que o Grande ABC

DANIEL LIMA - 02/06/2023

Devagar com o andor do entusiasmo que o santo do emprego formal é de cristal. Esse é o recado incisivo e necessário que devo transmitir principalmente aos assessores de imprensa das prefeituras da região. Eles trombetearam nas últimas horas os resultados de abril e também do primeiro quadrimestre do emprego formal no Grande ABC nesta nova temporada, agora sob o governo do petista Lula da Silva.

O que está aí em cima em forma de manchetíssima do dia é a amostra da realidade. Mais que a realidade, uma advertência. Campinas produziu no mesmo período muito mais emprego que o Grande ABC inteiro.  

Peguei o exemplo de Campinas longe de qualquer objetivo aleatório. De fato, há outros 15 endereços municipais extra-território do Grande ABC  que formam o G-22, o Clube dos Maiores Municípios do Estado de São Paulo. 

O G-22 são 20 municípios, de fato. Os outros dois são Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que completam a cota do Grande ABC para efeitos estatísticos, porque não têm porte para figurar no ranking. 

MUITO Á FRENTE

Quando se considera apenas o saldo líquido de empregos com carteira assinada de janeiro e abril deste ano, sob o critério de números absolutos, a vantagem de Campinas sobre o Grande ABC é de 1.281 novas carteiras assinadas. 

Mas a contabilidade é outra e muito mais incômoda, além de precisa, porque envolve o total de trabalhadores que encontraram emprego neste ano comparado com o estoque anterior, de dezembro do ano passado, quando se encerrou o mandato do então presidente Jair Bolsonaro. 

E é nesse ponto que a situação do Grande ABC se torna embaraçosa. 

As 5.622 novas ocupações de empregos formais nos sete municípios do Grande ABC representaram apenas 0,75% de elevação do estoque registrado em dezembro do ano passado. Em Campinas, as novas 6.903 carteiras de trabalho adicionais significam crescimento de 1,74% do estoque anterior. Ou seja: mais que o dobro.

SEM ALQUIMIA 

Qualquer conta que alquimistas fizerem para tentar vender gato de números absolutos por lebre de números relativos deve ser descartada. 

Números absolutos sempre tendem a favorecer cidades que contam com maior estoque de trabalhadores. É um processo histórico, longo portanto.  

Um exemplo? Por menor que seja o movimento das pedras de emprego formal numa Capital como São Paulo, o saldo líquido será sempre muito maior. 

A Capital do Estado registra saldo líquido de empregos no primeiro quadrimestre de 44.083. Quase oito vezes maior que o Grande ABC. Também não se pode comparar os números absolutos  da Capital com as 4.422 vagas preenchidas no mercado de trabalho de Guarulhos. 

Entretanto, no que mais interessa, ou seja, o crescimento do estoque de dezembro, Guarulhos registrou 1,27%, enquanto São Paulo não passou de 0,97%. 

ESTOQUE DETERMINA 

A equação que privilegia a definição da temperatura do ambiente de emprego formal envolvendo os municípios passa, portanto, pela equivalência em relação ao estoque. 

Vamos a um novo exemplo prático. O leitor é capaz de responder quem gerou mais emprego nos primeiros quatro meses deste ano quando se tem de um lado São Bernardo com saldo de 1.478 postos de trabalho e de outro Taubaté com 1.181? Se apontou São Bernardo está redondamente enganado.

São Bernardo teve evolução de empregos líquidos nos primeiros quatro meses deste ano de 0,57% em relação ao estoque de dezembro do ano passado. Já Taubaté registrou praticamente três vezes mais, pois chegou a 1,55%. O estoque atual de empregos formais em São Bernardo é de 259.298 ante 76.193 mil de Taubaté. 

PERDA CONSTANTE 

Se o Grande ABC fosse um único Município e constasse como tal do ranking do G-22, ficaria à frente de apenas três endereços fora do território regional, casos de Barueri, Osasco e Jundiaí. 

Ou seja: dos 15 municípios paulistas que não pertencem ao Grande ABC e que constam do G-22, apenas três seriam superados pela média do saldo de emprego líquido da região no primeiro quadrimestre. 

Individualmente, a melhor posição é alcançada por Mauá quando se trata de verificar o comportamento dos sete municípios do Grande ABC. E Mauá é apenas a quinta colocada na classificação geral. 

Na edição de segunda-feira o Observatório do Emprego do G-7 vai esmiuçar a situação do emprego formal deixada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e como está o ritmo do governo Lula da Silva. Sem esquecer, claro, do dramático governo de Dilma Rousseff. Estamos ainda muito longe de recuperar os estragos da petista. O saldo regional ainda é expressivamente negativo tendo dezembro de 2014 como data-base. As turbulências de Dilma Rousseff se concentraram em 2015-2016. O Grande ABC perdeu 23% do PIB (Produto Interno Bruto). Nada comparável na história. 

RANKING DO G-22

Veja o ranking do G-22 em forma de saldo de empregos formais nos primeiros quatro meses do ano (em números absolutos) e o resultado que realmente interessa, de movimentação do estoque de dezembro do ano passado.

1. Paulínia com 2.241 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 4,89%.

2. Sumaré com 1.603 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 2,72%.

3. Piracicaba com 3.017 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 2,38%.

4. São José do Rio Preto com 2.928 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 2,10%. 

5. Mauá com 1.328 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 2,02%. 

6. Rio Grande da Serra com 49 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,95%. 

7. Campinas com 6.903 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,74%. 

8. Mogi das Cruzes com 1.804 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,70%.

9. São José dos Campos com 2.891 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,56%. 

10. Taubaté com 1.181 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,55%.

11. Ribeirão Preto com 3.390 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,47%. 

12. Sorocaba com 2.864 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,40%. 

13. Guarulhos com 4.422 novas carteiras assinadas, com crescimento do estoque de 1,27%.

14. Diadema com 949 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 1,09%. 

15. Santos com 1.362 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 0,82%. 

16. Ribeirão Pires com 126 novas carteiras de trabalho e crescimento do estoque de 0,67%. 

17. Santo André com 1.220 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 0,60%. 

18. Jundiaí com 1.043 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 0,59%.

19. São Bernardo com 1.468 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 0,57%. 

20. Osasco com 901 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 0,50%.

21. São Caetano com 472 novas carteiras assinadas e crescimento do estoque de 0,43%. 

22. Barueri com queda de 4.156 carteiras assinadas e redução do estoque de 1,23%. 

23. GRANDE ABC – Contratação líquida de 5.622 trabalhadores e crescimento do estoque de 0,75%. 



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