O PIB de Consumo do ABC Paulista durante a Década Desastrosa que começou em primeiro de janeiro de 2011 e se estendeu a 31 de dezembro de 2020 não tem números tão escandalosos quanto a derrocada do PIB Tradicional. Mas, mesmo assim, há mergulhos consideráveis. São Caetano e São Bernardo lideram a catástrofe na esteira da indústria automotiva.
O PIB de Consumo per capita no ABC Paulista caiu no período nada menos que 13,71%. Já o PIB de Consumo em valores gerais, sem considerar a população, caiu 5%.
O Brasil como um todo avançou 5% no PIB de Consumo por morador e 14,21 no PIB de Consumo per capita.
Quando afirmo que o ABC Paulista está cada vez mais a cara da média brasileira, mais as estatísticas confirmam. A mobilidade social da região naufraga faz muito tempo.
RIQUEZA E CONSUMO
É natural que o leitor fique todo embaralhado com esses números e especificidades. Por isso, trataremos de destrinchar cada indicador.
O resumo da ópera é que o ABC Paulista foi mal na Década Desastrosa também no PIB de Consumo depois de apanhar um bocado no PIB Tradicional.
Tanto no PIB de Consumo Geral quanto no PIB de Consumo por habitante há perdas na região. O PIB Geral considera o total de habitantes. O PIB por morador é a divisão do PIB Geral pelo número de moradores.
A diferença entre o PIB Tradicional e o PIB de Consumo é que o PIB Tradicional é a soma de geração de riquezas em produtos e serviços. O PIB de Consumo significa quanto cada endereço municipal, estadual ou nacional tem para gastar numa determinada temporada, independentemente da origem dos valores.
DENTRO E FORA
Esse é um aspecto que precisa ser levado em conta porque faz muita diferença entre um PIB e outro PIB.
O PIB Tradicional, utilizado para medir o desempenho da Economia, é registrado como resultado de atividades produtivas em cada endereço, enquanto o PIB de Consumo é resultado da soma de endereços.
Explicando: uma fábrica que produz em Santo André gera PIB Tradicional em Santo André, tanto como ocorre nos demais municípios.
Já um morador de Santo André, mas que trabalha fora de Santo André contabiliza PIB de Consumo para Santo André.
Uma Bridgestone, fábrica de pneus de Santo André, com mais de três mil funcionários, gera PIB de Consumo potencialmente em muitas localidades.
Os trabalhadores são provavelmente maioria domiciliada em Santo André e potencialmente vão agregar consumo em favor de Santo André. Mas os demais trabalhadores vão ter repercussão econômica de consumo nos respectivos domicílios.
POPULAÇÃO EVASIVA
Dessa forma, o PIB de Consumo não é uma medida adequada para garantir projeção de Desenvolvimento Econômico de um Município.
Calcula-se que perto de um terço da população do ABC tem atividades econômicas na vizinha Capital. Não há dados sobre a corrente inversa, de moradores de São Paulo que atuam no ABC Paulista. Seguramente é em proporção muito inferior. A Cinderela é mais querida que a Gata Borralheira.
Ou seja: uns municípios mais que outros, todos são influenciados pelo padrão de domínio econômico da Capital. Essa população de evasores agrega valor em forma de PIB de Consumo nos respectivos munícipios.
Como São Paulo é muito mais atrativa que o ABC Paulista como fonte de assalariamento e também de empreendedorismo, é natural que no cômputo geral o PIB de Consumo tende a favorecer os moradores locais. Diferentemente, portanto, do PIB Tradicional.
DERROTA CONSUMADA
Afinal, uma empresa que transforma matéria-prima em produto acabado, inclusive com incidência dos valores de mão de obra, permanece fisicamente no local em que está sediada, independentemente dos domicílios de seus colaboradores. O PIB Tradicional não é um PIB migrante. O PIB de Consumo é um PIB migrante.
É importante martelar essa distinção porque é possível que não faltem prevaricadores éticos a trombetear eventuais resultados que supostamente favoreceriam os municípios em que estão instalados.
O fato é que mesmo com os benefícios da proximidade da Capital, em forma de deslocamento da mão de obra para suprir deficiências do mercado regional, o ABC Paulista não escapou de derrotas no balanço da Década Desastrosa também no capítulo de PIB de Consumo.
POTENCIAL DE CONSUMO
PIB de Consumo é uma expressão criada por este jornalista para popularizar os resultados do Índice de Potencial de Consumo, especialidade do pesquisador Marcos Pazzini e equipe sediada na Capital.
A Consultoria IPC é o maior banco de dados do Brasil quando se trata de conhecer a fundo o que cada Município tem a oferecer principalmente a empresas que têm o setor de consumo como principal objetivo.
Há dois fatores que pesam na mensuração do PIB de Consumo. Para efeitos de compreensão do andar da carruagem de cada Município, o mais indicado é o PIB de Consumo por morador.
Já o PIB de Consumo Geral leva em conta prioritariamente o total de valores monetários cada Município dispõe em cada temporada de 12 meses.
Adotamos o critério de PIB de Consumo por morador porque expressa, no caso do balanço da Década Desastrosa, dados mais consistentes e em conexão com o alinhamento geral de outros indicadores.
PERDA PER CAPITA
Dessa forma, o PIB de Consumo por habitante no ABC Paulista durante os 10 anos estudados acusou perda de 13,71%%.
Em 2010, base dos estudos, o PIB por habitante da região correspondia a valores nominais de R$ 17.549,59 mil para uma população geral de 2.549.135 milhão. Já em 2020, o PIB de Consumo por habitante chegou a R$ 26.349,29 mil com população correspondente a 2.807.483 milhões.
O resultado significou queda de 13,71%. O rebaixamento se deve ao descompasso entre o aumento da população e o crescimento do PIB de Consumo Geral. O PIB por morador é consequência disso.
Queda geral é o resultado da diferença entre os dois valores do PIB de Consumo Geral entre janeiro de 2011 e dezembro de 2020. E decorre da atualização do PIB de Consumo Geral de 2010 pelo IPCA em confronto com o PIB de Consumo de 2010. A inflação do período foi de 73,99%.
O PIB Geral do ABC Paulista deveria registrar R$ 77.836.677.422 bilhões em 2020, mas não passou de R$ 73.975.076 bilhões. A perda registrada, portanto, é de 5%. O valor do PIB Geral do ABC Paulista correria na mesma raia da inflação do período e chegaria a R$ 73.975.076.786 bilhões como desdobramento inflacionário dos R$ 44.736.293.708 bilhões nominais de 2010.
SÃO CAETANO LIDERA
Dos sete municípios do ABC Paulista, quem mais sofreu perda do PIB de Consumo por habitante é São Caetano. Na Década Desastrosa, São Caetano contava com PIB de Consumo por habitante de R$ 27.209,36 mil e deveria registrar em 2020 o valor de R$ 47.342,56 se corresse na velocidade da inflação do IPCA. O resultado real foi de R$ 31.209,13 mil. Queda real de 34,08%.
São Bernardo também se deu muito mal na Década Desastrosa com queda do PIB de Consumo por habitante muito próximo de São Caetano: foram 26,33% de rebaixamento. Em 2010 São Bernardo contava com PIB de Consumo per capita de R$ 19.975,19 e deveria registrar em 2020 o total de R$ 34.723,51 se acompanhasse a inflação do período. Mas deu apenas R$ 25.581,86 mil.
Também Santo André foi mal no período da Década Desastrosa com queda de 16,43% em termos reais. Santo André contava com PIB de Consumo por habitante de R$ 19.191,57 mil em 2010 e chegou a R$ 27.904,25 em 2020, quando o processo inflacionário exigia que alcançasse R$ 33.391,41.
QUATRO VITÓRIAS
Os demais municípios do ABC Paulista escaparam da degola e registraram PIB de Consumo per capita positivo. Diadema cresceu 12,85%, Mauá 11,12%, Ribeirão Pires 10,45% e Rio Grande da Serra 6,91%. Os quatro municípios contam com População Econômica Ativa mais vulnerável a jornadas de trabalho em outros municípios.
No conjunto da obra durante a Década Desastrosa, o PIB de Consumo Geral do ABC Paulista sofreu decréscimo real, considerando-se a inflação do período, de 5%. Foram R$ 3.861.601 bilhões de rebaixamento geral (77.836 bilhões de valores atualizados nos 10 anos ante R$ 73.975 realmente alcançados no período.
O estrago foi maior no PIB de Consumo por morador porque o ABC Paulista cresceu 258.348 moradores no período, o que corresponde a 10,13% do registrado em 2010 – eram 2.549.135 milhões de habitantes que se tornaram 2.807.483 milhões.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC