Economia

Região ainda tem déficit de
50 mil empregos pós-Dilma

DANIEL LIMA - 30/06/2023

Não se iludam com manchetes aparentemente positivas porque são manchetes sem memória. O ABC Paulista contabiliza déficit de 50.819 empregos com carteira assinada após o desastre recessivo da presidente Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016, quando 99.132 empregos formais foram destruídos. Déficit é a diferença entre o estoque de empregos formais de dezembro de 2014 e maio deste ano.  

Os quase sete mil empregos gerados em cinco meses do governo Lula da Silva, portanto, são muito pouco. Como o foram os números dos antecessores.  

Mais que isso e que não é levado em contra porque não convém a determinadas fontes levar em conta o que mais interessa à sociedade: do total de empregos abertos em maio (e que reflete meses anteriores que serão apurados por CapitalSocial) ou seja, 1.404 trabalhadores, somente 59 integram o setor industrial, base da riqueza e dos estragos na região.  

Procure dividir 59 empregos industriais  pelo saldo geral de maio. Faça a conta. Resultado? Apenas 4,2% do saldo de empregos formais está na indústria de transformação.  

CRATERA ABERTA  

Os saldos gerais positivos  dos governos Michel Temer, Jair Bolsonaro e de Lula da Silva são insuficientes para zerar uma conta geral  que, na previsão do Observatório do Emprego do G-7, desta revista digital, deverá consumir 41 dos 48 meses do novo governo federal.  

Tradução do desastre dilmista? Por mais que façam e têm de fazer porque é impossível repetir o que foi feito em tão pouco tempo, mais que durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, será sempre pouco ante as demandas econômicas e sociais da região.  

Quem comemora dados circunstanciais e esquece dados estruturais ri da própria desgraça. Não há salvação regional sem recuperação econômica que se expressa, ainda e por muito tempo se expressará, nos indicadores do mercado de trabalho.  

FALTA REALIDADE  

Na edição de segunda-feira vou preparar análise mais aprofundada sobre os números históricos do mercado de trabalho formal no ABC Paulista, uma das especialistas desta revista digital.  

Vou detalhar, entre outros pontos, o comportamento dos municípios, individualmente.  

Nem tudo que é alardeado agora como ouro é de fato ouro. Diferentemente disso. Quando a política partidária e interesses de parte da mídia ultrapassam O meio de campo do bom senso, tudo pode acontecer. Os leitores têm obrigação de ter contato com a realidade dos fatos.  

A mídia regional propaga hoje que o ABC Paulista contabilizou em Maio, segundo dados do Ministério do Trabalho, novos 1.404 empregos formais em todas as atividades. Com isso, o saldo de cinco meses da temporada chega a 6.994 empregos formais.  

A média mensal até agora do governo Lula da Silva é de arredondados 1.399 empregos com carteira assinada. Se prevalecer esse ritmo de resultado nos 48 meses de mandato, teremos 67.152 postos de trabalho incluídos no estoque regional. Nesse caso, o governo federal atual precisaria de 41 meses para zerar o déficit remanescente do governo Dilma Rousseff – 57.813 carteiras assinadas destruídas. 

QUASE 100 MIL  

Não custa lembrar o desastre dilmista durante os anos da maior recessão da história do ABC Paulista: o PIB sofreu queda de 23% no período e o total de empregos com carteiras assinadas sofreu baixa de 99.132 trabalhadores.  

Portanto, porém e todavia, e todas as outras vias, qualquer informação sobre a temperatura do mercado de trabalho no ABC Paulista que despreze esses dados e que, portanto, chamem a atenção para o processo de recuperação lenta, não pode ser considerada informação plenamente confiável. 

Seria demais esperar que, principalmente agentes políticos, não usariam as redes sociais para manipular os dados de forma seletiva. Até parece que o passado destruidor que o ABC Paulista viveu e que determina diretamente o estágio complementar de decadência em que está metido não tem a menor importância.  

É ISSO MESMO 

Imagino a cara dos leitores diante dos dados que se apresentam. Quantos têm conhecimento do que foram os dois anos tenebrosos de Dilma Rousseff, que completaram 14 anos de gestões petistas no governo federal?  

O número exposto aí em cima, mais uma vez ao longo da trajetória de CapitalSocial, não é uma fantasia. São quase 100 mil empregos formais que sumiram pelo ralo do populismo do governo de Dilma Rousseff, na esteira da gastança desenfreada do segundo mandato do presidente Lula da Silva.  

Agora querem repetir a fórmula do fracasso. Responsabiliza-se o Banco Central pela suposta elevada taxa de juros, quando os juros supostamente elevados refletem os gastos governamentais que veem desde a Constituição Federal de 1988. O Brasil é uma farra continuada de gastança do dinheiro dos contribuintes. 

Deixar que se repita o enredo de Dilma Rousseff, complemento das facilidades e escândalos do governo Lula da Silva, seria o pior dos mundos.            

TUDO É POSSÍVEL  

Mas quem disse que no Brasil o pior dos mundos é improvável? Basta ver que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse ao justificar a quebra da expectativa de que o mercado de trabalho nacional contabilizaria pelo menos novos 180 mil empregos, não os 155 registrados. Marinho responsabilizou o Banco Central.  

E no ABC Paulista, o que temos neste dia glorioso chamado sexta-feira? O Clube dos Prefeitos (também Consórcio dos Prefeitos), sob  o comando político do prefeito de Santo André, Paulinho Serra, e aliados do PT, e também a Agência de Desenvolvimento  Econômico, igualmente partidarizada, refestelam-se com o saldo positivo deste mês e da temporada de cinco meses.  

Quem procurar alguma análise crítica vai cair do cavalo. O ABC Paulista foi tomado por uma combinação de entreguismo, oportunismo, triunfalismo, partidarismo e tudo o mais que lembre uma província de quinta categoria.  

Enquanto a motoniveladora oficial silencia a sociedade sem rumo e sem prumo, incapaz de construir uma instância sequer de vigilância a tudo que está aí, a carruagem passa gloriosamente.  

ARROUBOS DOENTIOS  

O ABC Paulista é uma coleção de arroubos doentios. E submerge silenciosamente  a cada temporada de inação de uma sociedade servil desorganizada.   

Desempregados locais e refugiados venezuelanos tomam as esquinas em apelos pela sobrevivência. Enquanto isso, parte da mídia, quando não quase toda a mídia, e supostas lideranças políticas, trombeteiam migalhas de saldos de empregos formais tópicos.   

E festeja, entre outras bobagens, a chegada de um prefeito, Paulinho Serra, ao topo estadual de comando de uma agremiação (PSDB) que está para fechar as portas de competitividade eleitoral,  destroçada por uma sociedade que cansou de simulações de um oposicionismo combinado com o PT. O Teatro de Tesouras prevalece em Santo André, com PSDB e PT dividindo o Poder Executivo juntamente com tropas de elite da política estadual.  



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