Economia

AUMENTA O EXAGERO
DOS 100 MIL EMPREGOS

DANIEL LIMA - 01/05/2025

A péssima notícia deste Primeiro de Maio dos Trabalhadores é que o prefeito de São Bernardo recebeu um já previsto presente de grego do secretário de Desenvolvimento Econômico Rafael Demarchi. A projeção em tom triunfalista de criação de 100 mil novos empregos nos quatro anos de mandato de Marcelo Lima vai se confirmando, como antecipei no mês passado. Trata-se de uma das maiores anedotas da história econômica do Grande ABC.

No conjunto da obra regional, março não foi nada satisfatória para quem soltou foguetes em fevereiro. A demora em divulgar dados nacionais já prenunciava um ministro do Trabalho Luiz Marinho insatisfeito. Dar a notícia geral que foi dada e que o leitor terá logo abaixo é sempre um desastre quando se fazem projeções potencialmente frustrantes.

No caso de São Bernardo, a situação é muito mais que isso. Será desesperador a cada novos 30 dias. Agora faltam 45 meses para terminar o prazo regulamentar do prefeito da Capital Econômica do Grande ABC e será preciso média mensal de 2.176 carteiras assinadas para que o objetivo onírico de 100 mil empregos seja alcançado.

SARRAFO ELEVADO

Esse sarrafo vai aumentar a cada novos 30 dias do calendário gregoriano do Empregômetro e do Desempregômetro. Haverá oscilações positivas e negativas que mais e mais vão distanciar a fanfarronice do secretário da realidade nua e crua da economia regional. E olhe que não estamos considerando ainda, por ausência de matéria-prima atualizada, a qualidade do emprego gerado em  relação ao emprego perdido no passado.

Diferentemente dos dois meses anteriores desta temporada, os números de março são péssimos para São Bernardo, que perdeu 237 carteiras assinadas do estoque geral. O Grande ABC como um todo contabilizou mísero saldo de 851 postos de trabalho. Esse total vira praticamente pó quando em confronto com o mês passado -- o saldo foi de 7.153. Ou seja: caiu nada menos que 88,1%.

O leitor pode não acreditar, mas há secretário de Desenvolvimento Econômico da região que, à moda Rafael Demarchi, comemora resultados que entende satisfatórios. É o caso, por exemplo, do titular da pasta em Santo André. Evandro Banzato mandou à mídia que Santo André obteve o primeiro lugar regional no saldo de empregos de março, garantindo 489 vagas. O secretário só esqueceu de dizer que em fevereiro o saldo registrado foi de 2.008 postos de trabalho em Santo André. Uma queda relativa, portanto, de 75,6%.

SUBINDO E DESCENDO

Além de Santo André, também Ribeirão Pires (101 vagas), Diadema (369) e Mauá (199) obtiveram saldos positivos em março, mas sempre muito inferiores aos do mês anterior. Além de São Bernardo com 237 baixas de carteiras assinadas em março, São Caetano perdeu 68 vagas e Rio Grande da Serra duas.

O registro médio de perda de emprego no Grande ABC em março foi levemente superior à média nacional. Em fevereiro foram criadas 437.111 vagas, ante apenas 71.576 em março. Uma queda relativa de 83,6%, cinco pontos abaixo do Grande ABC.

No caso de São Bernardo do sonhador secretário Rafael Demarchi, dos tais 100 mil empregos formais garantidos em 48 meses, a situação se agrava e se agravará na medida que a cada mês novos números se integração aos dados anteriores.

O saldo positivo dos três primeiros meses do mandato de Marcelo Lima é de 2.170 carteiras assinadas, média mensal de 772 trabalhadores. A  média de geração de saldo de emprego necessária decorrente da projeção do secretário trapalhão passou de 2.083 (100 mil divididos por 48 meses) para 2.370 (97.683 para os próximos 45 meses).

MARCHA DA CONTAGEM

O acompanhamento da marcha da contagem de empregos formais em São Bernardo é uma decisão editorial desse jornalista entre outras razões porque informação pública é um bem precioso que precisa ser respeitado. Quando um secretário de uma pasta teoricamente tão importante como a ocupada por Rafael Demarchi emite  projeção no mínimo insensata, porque fere todo o histórico do comportamento do emprego formal em São Bernardo e nos municípios brasileiros como um todo, há evidentes movimentações especulativas, quando não ingênuas, no mercado.

A especulação injeta falsa adrenalina econômica. Foi assim durante largo período na região, no mercado imobiliário turbinado pelo Clube dos Construtores comandado pela Família Bigucci.

Por essas e outras seguiremos atentos à movimentação das pedras do emprego na região. O secretário Rafael Demarchi não será esquecido. Nem deve. O silêncio seria cúmplice de uma irresponsabilidade tolerada pelo prefeito Marcelo Lima.       

ESCOLHA POLITICA

Rafael Demarchi, sem qualquer experiência em lidar com Economia, foi escolhido por Marcelo Lima em agradecimento por ter atuado como cabo eleitoral no ano passado. São Bernardo é o Município da região que mais sofreu com a desindustrialização neste século. Sofreu dores irreparáveis durante os dois últimos anos do governo Dilma Rousseff. São Bernardo viu, nesse período, o PIB Geral desabar acima de 30%; Uma catástrofe da qual não se recuperou até agora, passada uma década.

O passado econômico de São Bernardo, medido a partir de 2014, não oferece nenhum argumento para o secretário Rafael Demarchi ter projetado com entusiasmo a contratação líquida de 100 mil empregos durante os quatro anos de Marcelo Lima. São Bernardo contava em 2014 com 292.028 carteiras assinadas. Exatamente 1.177 postos de trabalho acima do registrado na ponta da comparação, em dezembro de 2024, com 290.851 empregos formais.

Incorporados os números dos três primeiros meses deste ano, com saldo de 2.317 empregos formais, São Bernardo passou a contar com saldo positivo de 293.168 postos de trabalho. Quase nada diante do desafio imposto pelo próprio secretário.

O período de 2015-2016 é o mais terrível na história do emprego em São Bernardo. Houve perda líquida de 39.739 trabalhadores com carteira assinada, quando comparado com o estoque de 2014. O estoque de trabalhadores registrava 292.028 carteiras assinadas. Passou para 252.289 em 48 meses. 

BOBAGEM EMPÍRICA

Uma das maneiras mais seguras de não cair na tentação do risco e tratar o despreparo do secretário Rafael Demarchi com segurança informativa, é identificar o comportamento padrão do emprego com carteira assinada nos maiores municípios paulistas. CapitalSocial criou o G-22, o Clube dos 20 Maiores Municípios do Estado de São Paulo, justamente com essa e outras finalidades de segurança informativa. O G-22 conta também com Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra apenas para completar a participação do Grande ABC, mas são municípios sem expressão diante dos demais. A Capital, exatamente o oposto, pela grandiosidade, que distorceria os dados, não consta da lista.

Para chegar aos 100 mil empregos prometidos num arroubo típico da imaturidade para ocupar um cargo tão importante, Rafael Demarchi traçou uma linha média de crescimento do estoque de trabalhadores de33% nos quatro anos. Algo como avanço médio do estoque de 8% ao ano.

Para se ter uma ideia mais precisa do quanto a projeção está completamente fora da curva, no ano passado, quando o emprego formal cresceu consideravelmente no País, nenhum dos 20 maiores municípios do G-22 chegou perto dos 8% necessários, em tese, para alcançar o resultado proposto pelo secretário escolhido pelo prefeito Marcelo Lima. Veja a evolução dos respectivos estoques:

a) Barueri, 1,83%.

b) Campinas, 3,26.

c) Diadema, 3,79.

d) Guarulhos, 4,85%.

e) Jundiaí, 2,98%.

f)Mauá, 3,20%.

g) Mogi das Cruzes, 4,56%.

h) Osasco, 6,85%.

i) Paulínia, 3,96%.

j) Piracicaba, 3,36%.

k) Ribeirão Preto, 2,69%.

l) Santo André, 3,86.

m) São Bernardo, 4,04%.

n) São Caetano, 3,85%.

o) São José do Rio Preto, 3,85%.

p) São José dos Campos, 4,38%.

q) Sorocaba, 4,16%.

r) Sumaré, 3,26%.

s) Suzano, 2,16%.

t) Taubaté, 4,34%.

 

MUITO ABAIXO

Quando se alarga o comportamento do emprego formal no Grande ABC, juntando os sete municípios, os números do ano passado igualmente corroboram com o despropósito projetado pelo secretário Rafael Demarchi. Neste ano, segundo informação publicada na edição de hoje do Repórter Diário, o saldo de empregos na região é de 9.154 vagas, com variação de 1,12% sobre o estoque regional de dezembro do ano passado. Já quando se consideram os 12 meses entre abril do ano passado e março deste ano, o saldo é de 28.599 vagas, com crescimento de 3,54 no estoque de empregos. No caso específico de São Bernardo, que precisaria de crescimento médio anual de praticamente 8%, o saldo médio do estoque nos último 12 meses é de 3,05%. E a tendência é de redução gradual ao longo deste ano e mesmo possivelmente em seguida. As altas taxas de juros, consequência logica da gastança pública, só começaram a desaquecer o mercado de trabalho agora.



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