Economia

DIADEMA MAIS IGUAL E
DIADEMA MAIS DESIGUAL

DANIEL LIMA - 27/05/2025

Essa é uma abordagem inédita. Os dados me surpreenderam ao chegar às conclusões que se lerão adiante. A ideia de que Diadema é o Município menos desigual do Grande ABC, forjada ao longo dos tempos por partidos de esquerda de políticas públicas direcionadas aos mais carentes, vale na distribuição relativa de moradias em classe sociais, mas não vale quando se trata do PIB de Consumo, variante do PIB Tradicional que é especialidade da Consultoria IPC.  Temos portanto um enigma a resolver?

De posse dos dados desta temporada, analisados parcialmente aqui outro dia, não há como estar enganado. Estão nas planilhas os números reais. Números reais que, como mostrei semana passada, explicitam nova queda de participação relativa do PIB de Consumo da região no ambiente nacional. Somos cada vez menos importantes. E despencamos também cada vez mais em participação,  em confrontos com outras regionalidades esquecidas pelos triunfalistas.

O que são outras regionalidades? Ora, o conglomerado de municípios próximos entre si não apenas na geografia propriamente dita, mas sobretudo na interdependência ou interatividade econômica.  Exemplos não faltam. Mais que isso: abundam. Pegue a Grande Campinas, pegue a Grande Sorocaba, pegue o Grande Oeste da Região Metropolitana de São Paulo. Todos superaram o Grande ABC.

QUANDO MAIS É MENOS

Mas vamos ao que mais interessa hoje. A participação relativa das famílias de Classe Rica e Classe Média Tradicional em Diadema está abaixo dos demais grandes municípios da região. Esse dado sugere que há menos famílias dos estratos sociais mais elevados em relação ao conjunto de moradores de Classe Média Precária, Pobres e Miseráveis. Portanto. Diadema é um endereço regional menos desigual.

Afinal, nada menos que 74,70% de Classe Média Precária, Pobres e Miseráveis formam o total de moradias de Diadema. Se estão mais próximos do topo de 100%, então o que temos é o caminhar rumo à potencial uniformidade das moradias. Numa escala temporal de 30 anos, essa conversão vem se acentuando. Sinal de empobrecimento nas veias.  

Reparem nos números desses dois blocos de categorias socioeconômicas dos demais grandes municípios locais e não esqueçam o resultado de Diadema. Tenha Diadema como pano de fundo a comparações. 

DEMAIS MUNICÍPIOS

Em Santo André, alcança 62,50% o total das moradias de estratos menos aquinhoados no PIB de Consumo. Em São Bernardo o universo é de 65,50%, em São Caetano não passam de 57,20%, em Mauá alcança 73,80%. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não entram nesse balanço porque são menos de 5% das moradias da região, mas mesmo assim contabilizam 70,40% (Ribeirão Pires) e 76,40% (Rio Grande da Serra).

O que se pergunta é como Diadema pode ser a mais desigual se -- e os números expostos confirmam -- é a mais igual? Explicando: é mais igual quando se separam Ricos e Classe Média Tradicional em quantidade de residência tendo do outro lado Classe Média Precária, Pobres e Miseráveis.

É nesse ponto que entra em campo o PIB de Consumo, que contrasta a mais desigual em relação a mais igual. Proporcionalmente ao número de residências de Classe Rica e Classe Média Tradicional, Diadema conta com mais poderio de consumo do que os demais municípios da região, exceto a pequeníssima Rio Grande da Serra. Vamos às explicações.

Embora conte com apenas 25,30% de moradores de Classe Rica e Classe Média Tradicional, esse universo responde por 58,40% do total do PIB de Consumo de Diadema. Uma diferença de 33,10 pontos percentuais entre o volume de residências e a participação no consumo geral.

MAIS DIFERENÇAS

Em Santo André, a diferença entre os dois blocos de estratos sociais não passa de 22,57 pontos percentuais quando se trata de valores financeiros a consumir nesta temporada. As residências de Classe Rica e Classe Média Tradicional representam 37,50% do conjunto de moradias em Santo André (muito acima de Diadema), e a participação no consumo é de 60,07%.

São Bernardo duramente impactada no PIB Tradicional na última década, sobretudo durante os dois últimos anos do governo de Dilma Rousseff, aproxima-se dos números de Diadema. Tem nítida vantagem no total de moradias ( 34,50% integram a Classe Rica e a Classe Média Tradicional), mas a participação desse bloco cresce para 65,90% no PIB de Consumo. A diferença entre um bloco econômico e outro é de 31,40 pontos percentuais.

A rica São Caetano conta com 42,80% das moradias de Classe Rica e Classe Média Tradicional. Se desfrutasse de diferença relativa apresentada por Diadema, esses dois grupos socioeconômicos responderiam por 75,90% do total de consumo, mas só alcançam 71,50%. Ou seja: entre a representação em forma de números de moradias de Classe Rica e Classe Média Tradicional e o PIB de Consumo, a distância é de 28,70 pontos percentuais.

SEMELHANÇAS

Mauá tem muita semelhança com Diadema nos dois critérios conjugados, mas perde também quando se trata de desigualmente de consumo. Existem em Mauá 26,2% de moradias de Classe Rica e Classe Média Tradicional ante o restante de 73,80% de moradias de Classe Média Precária, Pobres e Miseráveis. A diferença é, portanto, de 28,30 pontos percentuais entre os dois blocos.

Ribeirão Pires está longe de ser comparada a Diadema no PIB de Consumo e também na diferença em relação à participação de moradores de Classe Média Precária, Pobres e Miseráveis. Do total de moradias em Ribeirão Pires, 29,60% são do estrato mais afortunado, enquanto o restante, 70,40% são das demais categorias socioeconômicas. A participação no consumo de Ricos e Classe Média Tradicional de Ribeirão Pires chega a 55,30%. Ou seja: há uma diferença de 25,70 pontos percentuais separando uma coisa e outra. Não se deve esquecer que em Diadema são 33,10 pontos percentuais.

Qual seria a explicação para o fato de Diadema mais predominante que qualquer outro Município do Grande ABC em moradias de Classe Média Precária, Pobres e Miseráveis, contar com, também proporcionalmente, mais riqueza em forma de PIB de Consumo entre Ricos e Classe Média?  

POBRES E MISERÁVEIS

Trata-se do fato de que, entre Pobres e Miseráveis, últimos estratos das moradias no bolo de consumo, Diadema conta com participação relativa mais elevada que os demais municípios. São 22,70% do total de moradias. Em Santo André o contingente é de 16,00%, em São Bernardo alcança 18,4%,  em São Caetano 15,60%, em Mauá são 19,5%, em Ribeirão Pires alcança 20,90% e em Rio Grande da Serra somam 26,30%.

Agora vamos aos números gerais do Grande ABC, sempre considerando os dois blocos. A Classe Rica e a Classe Média Tradicional dos sete municípios somados representam 32,9% das moradias e 61,20% do PIB de Consumo. Uma diferença de 28,3 pontos percentuais. O Grande ABC conta com o total de 1.011.434 milhão de residências e população de 2,790.633 milhões de habitantes. O contingente de Ricos e Classe Média Tradicional registra 333.220 moradias. A Classe Média Precária é a mais volumosa, com 493.944 moradias  -- ou 48,90% do total. Pobres e Miseráveis ocupam 184.270 – ou 18,1% do total.



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