Acabei de atualizar um balanço do PIB de Consumo do G-22, o grupo dos 20 maiores municípios do Estado de São Paulo. Os dados resultantes são sempre por habitante. Peguei o ano de 1995 e comparei com o ano de 2025. Trinta anos depois, portanto. Sabem o resultado? As três principais economias da região (São Bernardo, São Caetano e Santo André) estão entre as cinco últimas colocadas em crescimento acumulado. São Bernardo ocupa a lanterna. Lanterninha para os íntimos. Mauá e Diadema se saíram melhores no período, mas o crescimento tem como mola propulsora o nível bem mais baixo de resultados do PIB de Consumo por habitante na origem.
Só com a expressão “PIB de Consumo” já escrevi 76 análises nesta revista digital. Já a expressão “potencial de consumo”, se encontra em 446 análises. Uma coisa e outra coisa são a mesma coisa. Decidi, em 2013, criar a expressão “PIB de Consumo” para qualificar editorialmente o que é Potencial de Consumo.
Acompanho atentamente o andar da carruagem de potencial de consumo da região e dos maiores municípios do Estado desde muito tempo. A parceria com a Consultoria IPC, de meu amigo Marcos Pazzini, é o segredo desse histórico inédito no jornalismo regional. A economia da região jamais será compreendida sem dispor desses dados.
DOIS EIXOS
PIB de Consumo é o balanço do poderio de riqueza acumulada em recursos financeiros pela população. PIB Tradicional é o resultado de geração de riqueza em produtos e serviços. São diferentes e complementares. O primeiro dispensa o local de trabalho dos moradores. O segundo leva em conta a localização dos negócios que geram riqueza. O primeiro é cumulativo. O segundo é variável a cada temporada anual.
Por isso, todo cuidado é pouco na avaliação dos dados. Cidades que, como Santo André, sofrem com a evasão de cérebros, por força da desindustrialização, podem e são beneficiadas no PIB de Consumo, mesmo com maus resultados no PIB Tradicional. Quem mora em Santo André mas trabalha fora de Santo André gera PIB de Consumo em Santo André. Uma indústria que estava em Santo André e foi-se embora de Santo André deixa de gerar PIB Tradicional em Santo André. A regra vale para todos os municípios.
Há pelos menos dois eixos que devem ser observados à interpretação dos números do PIB de Consumo para que não se compre gato de crescimento ilusório por lebre de crescimento sustentado. Os números não costumam mentir ou enganar, desde que quem os avalie não use de traquinagens para enganar o distinto público.
BASE DE COMPARAÇÃO
Vamos a dois casos específicos de que uma verdade histórica desses 30 anos de abordagem sobre o PIB de Consumo não diz tudo. São os casos de Diadema e Mauá, representantes da região que mais se deram bem nessa trajetória. Tanto se deram bem que na classificação geral de crescimento acumulado ocuparam a quinta (Mauá) e a sétima (Diadema) posições.
Entretanto, é indispensável avaliar que a base de comparação compromete eventuais comemorações. Mauá cresceu em termos nominais (sem considerar a inflação do período) exatamente 1.072,58% em 30 anos. Diadema cresceu 966.55%. Muito mais que Santo André, São Bernardo e São Caetano, como se verá na tabela logo abaixo. Esses cinco municípios representam o Grande ABC no G-22. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra completam a lista dos município, mas somente para efeitos de cálculos agrupados da região.
De volta a Mauá e a Diadema: apesar de avançarem bastante e se colocarem na primeira página dos 10 primeiros que mais resultados positivos alcançaram em 30 anos, estão no fim da fila quando se observa o critério de PIB de Consumo per capita. Mauá ocupa a 16ª posição entre os 20 municípios, enquanto Diadema é a penúltima colocada. Conclusão? As melhores representações da região cresceram bastante relativamente às demais, mas não escaparam das últimas posições no computo geral .
SUMARÉ EM PRIMEIRO
Agora comparem o comportamento do PIB de Consumo per capita dos maiores municípios da região. Em 30 anos, Santo André caiu para a 16ª posição em crescimento nominal, mas resistiu o suficiente para registrar a oitava colocação em termos de riqueza acumulada. São Caetano ficou na posição 19 ao final de 30 anos, mas é a terceira em volume de riqueza por habitante. Já São Bernardo, a lanterninha do G-22 em termos de crescimento no período, sofreu mais na classificação geral no PIB de consumo por habitante, ocupando a 13ª posição.
Quem mais cresceu em termos percentuais desde 1995 foi Sumaré, no Interior do Estado, endereço de muita industriais que deixaram a Grande São Paulo. Sumaré avançou em crescimento per capita nada menos que 1.773,65 no período, mas mesmo assim não está entre os maiores endereço quando a classificação é pautada pelo PIB de Consumo por habitante: ocupa a 11ª posição no G-22.
Os números de Jundiaí, também no Interior do Estado, são duplamente positivos e a torna detentora de melhor desempenho conjugado. Jundiaí cresceu no período 1.139,46% no PIB de Consumo, per capitam, classificando-se em terceiro lugar no geral. Um resultado que a colocou como campeã em volume financeiro no PIB de Consumo por habitante.
São José do Rio Preto também é um bom exemplo de casamento perfeito entre PIB de Consumo por habitante tanto no crescimento nominal em 30 anos quanto na classificação geral. A cidade do Interior do Estado ficou na quarta posição em crescimento nominal, com acumulado de 1.086,78%, e terminou o período ocupando a terceira posição na classificação de riqueza acumulada por habitante.
IGUAL E DIFERENTE
Apenas para tornar mais pedagógica a diferença entre crescimento nominal no período e registro final de riqueza acumulada, vale a pena uma comparação entre São José do Rio Preto e Mauá no período. O crescimento de Rio Preto (1.086,78%) em 30 anos foi levemente superior ao de Mauá (1.072,58%), mas o tiro de partida e o tiro de chegada são completamente diferentes: São José o Rio Preto registra na reta final o valor per capita de riqueza acumulada de R$ 60.340,89, enquanto Mauá não passa de R$ 45.701,95.
Continuaremos com o PIB de Consumo da Consultoria IPC na alça de mira de estudos que mostram o comportamento da Economia do Grande ABC em múltiplos ângulos. Uma história que mais que explica, justifica e incrementa diariamente a obrigação deste jornalista alertar principalmente os prefeitos de uma região que segue patinando e vivendo de um passado que se tornou pesadelo no presente.
O assistencialismo combinado com o populismo e a exploração espetaculosa das redes sociais transformaram o Grande ABC num território de horrores tanto quando se projeta o futuro como, igualmente, o que vem do passado em forma de retrovisor avaliativo. Nossos prefeitos ainda não acordaram. A queda continuada do PIB Tradicional e do PIB de Consumo virou carne de vaca que foi para o brejo.
Veja o ranking do PIB de Consumo per capita do grupo do 20 maiores municípios do Estado de São Paulo, fora a Capital. O resultado coloca em primeiro plano o acumulado de crescimento nominal per capita em 30 anos e, em seguida, o PIB de Consumo per capita decorrente dos resultados:
1. Sumaré com crescimento nominal e 1.773,65 e PIB de Consumo per capita de R$ 45.709,90.
2. Paulínia com crescimento nominal de 1.158,07% e PIB de Consumo per capita de R$ 61.579,26.
3. Jundiaí com crescimento nominal de 1.139,46% e PIB de Consumo per capita de R$ 64.932,05.
4. São José do Rio Preto com crescimento nominal dê 1.086,78% e PIB de Consumo per capita de R$ 60.340,89.
5. Mauá com crescimento nominal de 1.072,58% e PIB de Consumo per capita de R$ 45.701,95.
6. Taubaté com crescimento nominal de 1.064,64 e PIB de Consumo per capita e R$ 49.935,11.
7. Diadema com crescimento nominal de 966,55% e PIB de Consumo per capita de R$ 41.268,36.
8. Piracicaba com crescimento nominal de 994,11% e PIB de Consumo per capita de R$ 51.946,73.
9. Santos com crescimento nominal de 952,85% e PIB de Consumo per capita de R$ 53.570,63.
10. Sorocaba com crescimento nominal de 946,14% e PIB de Consumo per capita de R$ 49.832,49.
11. Mogi das Cruzes com crescimento nominal de 919,31% e PIB de Consumo per capita de R$ 44.651,92.
12. Ribeirão Preto com crescimento nominal de 890,72% e PIB de Consumo per capita de R$ 53.570,63.
13. Osasco com crescimento nominal de 876,61% e PIB de Consumo per capita de R$ 44.061,02.
14. Barueri com crescimento nominal de 875,90% e PIB de Consumo per capita de R$ 40.973,10.
15. Guarulhos com crescimento nominal de 875,06% e PIB de Consumo per capita de R$ 42.858,25.
16. Santo André com crescimento nominal de 868,94% e PIB de Consumo per capita de R$ 52.784,71.
17. São José dos Campos com crescimento nominal de 866,05% e PIB de Consumo per capita de R$ 49.993,84.
18. Campinas com crescimento nominal de 766,35% e PIB de Consumo per capita de R$ 54.353,78.
19. São Caetano com crescimento nominal de 713,54% e PIB de Consumo per capita de R$ 55.459,87.
20. São Bernardo com crescimento nominal de R$ 681,97 e PIB de Consumo per capita de R$ 49.989,50.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC