A cada mês que se passar no calendário do Empregômetro e do Desempregômetro do Grande ABC, mais se acentuará o despreparo do secretário de Desenvolvimento Econômico Rafael Demarchi e a omissão do prefeito Marcelo Lima num quesito de primeira necessidade de respeito à cidadania: o fracasso da projeção triunfalista de que São Bernardo geraria 100 mil empregos de saldo nos quatro anos da Administração que tomou posse em janeiro. O déficit aumentou mais uma vez, agora no balanço de junho.
Aumentar o déficit é café pequeno quando se sabe que isso é apenas uma parte do problema. Vamos explicar em seguida.
O miserável saldo de 347 contratações liquidas em junho, em balanço divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho, é quase nada do quase nada diante não só do despreparo do secretário Rafael Demarchi para ocupar o cargo da Capital Econômica do Grande ABC, como também para incrementar expectativa de dias melhores.
CURVA DESCENDENTE
São Bernardo, o Grande ABC e o País como um todo, já começam a dar sinais de desaceleração na área de emprego formal. O custo fiscal para manter o Estado gastador, que desestimula a Economia e eleva as repercussões dos juros, além de fatores especiais geopolíticos, e específicos, de vagabundagem regional em se planejar, não vai deixar pedra sobre pedra.
Somente uma excepcionalidade macroeconômica poderia reverter a situação. Entretanto, não se fazem projeções baseadas em aleatoriedades quando se ocupa um cargo de influência nas decisões individuais e coletivas. E foi e continua sendo isso o centro da questão que pegamos pelo chifre para dissecar a cada 30 dias.
A tendência é de São Bernardo (e o Grande ABC como um todo) recuar em empregos formais em relação a temporadas passadas, de pós-reação à pandemia.
FALTAM 42 MESES
Com o saldo de 347 contratações em junho, São Bernardo soma (com ajustes) 4.188 na temporada. É muito pouco em qualquer circunstância. Mas muito pior ainda quando no horizonte de restantes 42 meses para o encerramento do mandato do prefeito Marcelo Lima aparece a configuração de enforcamento explícito de um secretário levado ao cargo porque conta com um naco de eleitores no homônimo Bairro Demarchi.
Fosse um médico, provavelmente Rafael Demarchi teria sugerido aspirina na veia para quem pretenderia ganhar músculos e reduzir o peso. O exercício irregular de um cargo público provoca estragos demais. No caso, o exercício irregular é mesmo por falta de competência. Rafael Demarchi não errou apenas na projeção do estoque adicional de empregos formais que São Bernardo ganharia. A entrevista que o incentivou ao disparate é uma coletânea de barbaridades que a mídia aceitou passivamente.
O leitor mais polido e conservador poderia sugerir a este jornalista algo menos ácido para destrinchar o empregômetro e o desempregômetro especialmente em São Bernardo. Sabe qual é a melhor resposta a isso?
Experimente bater na mesma tecla de respeito aos contribuintes e ao empreendedorismo que investem o que têm no bolso e nos bancos no comando de pequenos negócios, e veja se o comportamento de um agente público, que repete a mesma cantilena de tantos outros, não é uma baita irresponsabilidade para agradar o chefe.
CUSTO PERIGOSO
Rafael Demarchi é mais um entre muitos que fazem da informação pública e suscetível a decisões privadas um bonde de ilusionismo desrespeitoso. Como já mostrei neste caso, a projeção de 100 mil empregos estava condenada à morte factual e ética, porque é especulativa. Bastou, como o fiz, analisar os dados dos quatro anos anteriores.
Para cumprir a meta estapafúrdia e nada obrigatória de 100 mil empregos formais em quatro anos do mandato de Marcelo Lima, São Bernardo precisaria registrar, em média, a cada mês, 2.083 contratações líquidas. A conta é simples: bastava dividir 100 mil empregos por 48 meses.
Entretanto, como a cada novos 30 dias São Bernardo não consegue atingir a meta média projetada, mais aumenta a metas média necessária. Com as 4.188 contratações nos seis primeiros meses dessa maratona estatística, restam 95.812 postos de trabalho a serem preenchidos.
Experimente dividir por 42 meses que faltam para se chegar a dezembro de 2028 e terá como resposta provisória nada menos que a média mensal de 2.281 novos empregos.
INDÚSTRIA INDOMÁVEL
Como o setor industrial do Grande ABC continua fora do rumo e do prumo, ou seja, cada vez com participação decadente ante as demais atividades, o balanço de junho não poderia ser diferente. Do saldo positivo regional de 1.266 postos de trabalho o total do comércio e de serviços chegou a 1.413 vagas. Isso quer dizer que houve perdas em outras atividades. A indústria de transformou perdeu 215 vagas na conta que leva em conta contratações e demissões.
Cada vez mais dependente da Doença Holandesa Automotiva e da Doença Holandesa Petroquímica, o Grande ABC caminha a uma encruzilhada industrial perigosíssima, da qual os prefeitos reunidos no Clube dos Prefeitos não se deram conta ou simplesmente não estão nada preocupados. A região está caminhando lenta, mas continuamente para um extremo que exigirá, goste-se ou não, ampla e vigorosa reação. O pior é que nem mesmo essa eventual mudança teria as respostas que se necessita, porque tardias.
Mauá foi a cidade da região que liderou o saldo positivo de empregos em junho, mas o resultado também é bastante modesto. Foram 447 vagas apenas. As 3.447 colocaram São Bernardo na segunda colocação, ante 322 de São Caetano,131 de Santo André, 58 de Diadema, 26 de Diadema e a perda de 86 carteiras assinadas de Rio Grande da Serra.
O jornal Reporter Diário aponta que o primeiro semestre do Grande ABC fechou com saldo de 15.831 vagas de empregos. A liderança é de Santo André com 4.647 postos de trabalho, seguida por São Bernardo(4.188), Mauá (2.715), Diadema (2.030), São Caetano(1.666), Ribeirão Pires (577) e Rio Grande da Serra (8).
Vamos voltar ao balanço geral na próxima edição.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC