Economia

SUSTENTABILIDADE FRÁGIL,
COMPETITIVIDADE SOFRÍVEL

DANIEL LIMA - 19/08/2025

Confirmando rigorosamente tudo o que temos desfilado, analisado, triturado, esquadrinhado, projetado e o escambau ao longo de décadas, o Grande ABC vê agravarem-se com absoluta indiferença dois macroindicadores entre os 17 que integram o Campeonato Brasileiro de Sustentabilidade. Enquanto o capital social escasso destas terras não se mobilizar para buscar saídas, mais afundaremos economicamente, com gravíssimos reveses sociais.

Vamos diretamente ao ponto para que o leitor mate a sede de conhecimento. Conhecimento nesse caso não é apenas egoisticamente ou não uma ação individual, mas um bem coletivo.

As duas piores situações concorrenciais em que se encontra o Grande ABC nesta metade da terceira década de um novo século no qual colecionamos derrotas sobre derrotas em todos os campos, as duas piores situações, repito, estão no Macroindicador “Trabalho Decente e Crescimento Econômico” e também em “Indústria, Inovação e Infraestrutura”.  

MAIORES PROBLEMAS

De novo vou ser rápido no gatilho exposto para o leitor sentir de vez o golpe de informação isenta de interesses escusos febrilmente manipulados na praça para ludibriar o distinto público.

O macroindicador “Trabalho Decente e Crescimento Econômico” é integrado por seis quesitos:

1. População ocupada entre 10 a 17 anos.

2. PIB per capita.

3. Desemprego.

4. Desemprego de Jovens.

5. Jovens de 15 a 24 anos de idade que não estudam nem trabalham.

6. Ocupação formal das pessoas com 16 anos ou mais de idade.

Agora vamos para os quesitos do macroindicador “Indústria, Inovação e Infraestrutura”:

1. Investimento público em infraestrutura urbana.

2. Participação dos empregos formais em atividades intensivas em conhecimento e tecnologia. 

17  TORNEIOS

Que o leitor fique atento, agora, aos resultados que se seguem. Não pensem que os dados estão disponíveis regionalmente nas fontes de consultas. Nada disso. É preciso botar a mão na massa, seja qual for o horário, e compilar tudo com detalhismo e cuidados. Não vale vacilar. As saborosas ofertas disponíveis no mercado midiático precisam ficar de lado. A concentração é indispensável. 

Cada macroindicador (e são 17, relativamente ao programa da ONU de Metas do Milênio) foi organizadamente capturado. A constatação de que o Grande ABC vai de mal a pior, ou de pior a péssimo tanto no mercado de trabalho e crescimento econômico, de um lado, e indústria, inovação e infraestrutura, de ouro, foi consequência disso.

Não há almoço grátis para quem pretende inovar no jornalismo. E inovar no jornalismo é não se deixar prender pelo varejismo informativo sem alma, sem coragem, sem profundidade. Inovar é ir muito além do que imaginam leitores mais ávidos por conhecimento. É disso que se trata.

Então, vamos aos resultados? A melhor maneira de efetivar uma mediação que transmita ao leitor muito mais que informação, muito mais que análise, é a metodologia simplificatória no sentido de valor agregado, não de simplismo. Vamos em frente?

MACROINDICADORES

No macroindicador “Indústria, Inovação e Infraestrutura”, que poderia, em termos futebolísticos, ser um torneio do calendário de sustentabilidade dos municípios brasileiros, todas as cidades do Grande ABC (todas, mesmo!) estão na Quinta Divisão. Quinta Divisão é a pior divisão. Não existe nada pior que a pior divisão, porque não há divisão seguinte. Algo assim como o Supremo Tribunal Federal.

Nem mesmo São Caetano, detentora da segunda melhor campanha de temporada de sustentabilidade, que, repito,  envolve 17 competições diferentes, nem São Caetano escapa.

Para não deixar o leitor fugir do foco dessa disputa, repito que se trata de um macroindicador chamado “Indústria, Inovação e Infraestrutura”,  com os dois quesitos já mencionados.

FORÇA-TAREFA

Qualquer idiota dotado de um tiquinho de neurônio saberia responder, num vestibular sobre regionalidade, que o mal maior do Grande ABC de quase três milhões de habitantes está no setor econômico. E que, portanto, como tenho cansado de martelar, deveria ser objeto de força-tarefa focada exclusivamente nessa guerra das guerras. Preferencialmente formada, essa força-tarefa, por gente que tenha consciência de uma coisa simples: é o Desenvolvimento Econômico sem amarras ideológicas estúpidas, que se comprovam a cada dia mais perniciosas, o grande objeto de atuação.

O segundo macroindicador, e que também abrange as atividades econômicas (“Trabalho Decente e Crescimento Econômico”)  se rivaliza em incompetências generalizadas com o anterior. Afinal, dos sete municípios,. Apenas São Caetano está na categoria de resultado de Nível Alto, de Segunda Divisão. 

MARCHA FÚNEBRE 

Parece evidente que, ao descuidar completamente de dois torneios básicos do Campeonato Brasileiro de Sustentabilidade dos Municípios, o Grande ABC de sete endereços coloca-se integralmente à disposição de derrotas encavaladas. Não haverá nem choro nem vela enquanto permanecerem o desinteresse, a incapacidade, a irresponsabilidade e tudo o mais de mandachuvas políticos, econômicos e sociais em interceptar a marcha fúnebre de uma economia que se desmantela a olhos vistos. Tanto que a massa eleitoral dos pobres e miseráveis, e também da Classe Média Precária, sempre com um pé na fronteira dos desafortunados, seguirá sustentando projetos populistas de prefeitos risíveis que se consideram fantásticos. 

RESULTADOS GERAIS

É claro que não me limitei a perscrutar unicamente os dois macroindicadores diretamente relacionados ao equilíbrio básico de sustentabilidade. Todos os demais foram verificados. E os resultados gerais foram semelhantemente decepcionantes. Não à toa que no Campeonato Brasileiro de Sustentabilidade, que abordei em análise na semana passada, apenas  São Caetano sempre privilegiadíssima, se salva, como o vice-campeonato geral.

Ou seja: quando se contabilizam os 17 torneios (macroindicadores) de uma temporada, São Caetano registra o melhor resultado médio da região e o segundo do País. Não é pouca coisa, embora também carregue nas costas da imprevidência, principalmente, os macroindicadores relativos ao Desenvolvimento Econômico.

Como foram os resultados gerais do Grande ABC no Campeonato Brasileiro de Sustentabilidade ao se considerarem os dados dos sete municípios nos 17 torneios realizados no ano passado? Se são sete municípios e 17 temáticas, temos o total de 119 participações. Vejam os resultados.

PAU A PAU

Na Primeira Divisão, de resultados considerados de Nível “Muito Alto”, o Grande ABC obteve 18 apontamentos, ou 15% do total de 119. Na Segunda Divisão, de resultados de Nível  “Alto”, foram 30 registros, ou 25% do total. Na Terceira Divisão, de resultados de Nível  “Médio”, registraram-se 20 apontamentos, ou 20%. Na Quarta Divisão, de resultados de Nível “Baixo”, foram 18 registros, ou 15% do total. E na Quinta Divisão, de resultados “Muito Baixo”, foram 29 registros, ou 24% do total.

Desconsiderando-se os registros de Nível  “Médio”, apenas para efeito comparativo entre os melhores e os piores resultados, temos um empate regional entre os dados que Primeira e de Segunda Divisão contrapostos aos de Quarta e de Quinta Divisão. O oque isso significa? Significa que estamos de mal a pior porque, repito, a base à reestruturação e crescimento de uma sociedade está sendo sabotada permanentemente.

Enquanto não houver um gabinete permanente de crise para que a crise não seja eterna,  que trate de questões ligadas diretamente aos resultados Econômicos, não haverá formula mágica que faça com que o entorno de sustentabilidade se movimente a uma direção ascendente na escala de competitividade nacional. É disso que se trata.

MELHORES RESULTADOS

Quem obtém os melhores resultados individuais no Grande ABC no Brasileiro de Sustentabilidade é mesmo São Caetano. Nos 17 quesitos dessa competição, em 11 São Caetano frequenta as duas primeiras divisões, de Nível Muito Alto e Alto, enquanto Santo André soma sete, São Bernardo 6, Diadema 5, Mauá 6, Ribeirão Pires 7 e Rio Grande da Serra 6. Na página inferior, de Baixa e Muito Baixa Sustentabilidade, São Caetano registra cinco quesitos,  ante oito de São Bernardo, sete de Santo André, 9 de Diadema, 8 de Mauá e 6 de Rio Grande da Serra.

Os demais resultados estão concentrados na classificação “Média”, de Terceira Divisão. No caso, três registros de Santo André, três de São Bernardo, dois de São Caetano, três de Mauá, dois de Ribeirão Pires e cinco de Rio Grande da Serra.

Na classificação geral da competição, São Caetano brilha isoladamente com o segundo lugar. Os demais municípios sofrem percalços mais que compulsórios, sobre os quais estou cansado de escrever e que, resumidamente, ocuparia em ordem alfabética todas as configurações de inquietação social e econômica. São Bernardo ocupa a posição 1.913 entre os 5.570 municípios brasileiros, Santo André a posição 1.406, Diadema a posição 2.275, Ribeirão Pires a posição 1.219, Mauá a posição 2.301 e Rio Grande da Serra a posição 1.984.

OS 17 QUESITOS 

Abordamos os dois “torneios” da competição nacional que consideramos os mais significativos ao futuro do Grande ABC, mas o cardápio do Instituto Cidades Sustentáveis, que produz o ranking nacional, é extenso e importante. Vejam, sem detalhes, todos os macroindicadores:

1. Erradicação da pobreza.

2. Fome zero e agricultura responsável.

3. Saúde e bem-estar.

4. Educação de qualidade.

5. Igualdade de gênero.

6. Água Limpa e saneamento.

7. Energia limpa e acessível.

8. Trabalho decente e crescimento econômico.

9. Indústria, inovação e infraestrutura.

10. Redução das desigualdades.

11. Cidades e comunidades sustentáveis.

12. Consumo e produção responsáveis.

13. Ação contra mudança global do clima.

14. Vida na água.

15. Proteger a vida terrestre.

16. Paz, justiça e instituições eficazes.

17. Parcerias e meios de implementação. 

Qual teria sido o desempenho de São Caetano, nossa campeão regional e vice nacional, em cada um dos macroindicadores relacionados acima?

Na Primeira Divisão, de nível “Muito Alto”, estão os macroindicadores 6, 7, 13 e 14. Na Segunda Divisão, de nível “Alto”, estão os macroindicadores 3,4,5,8,11,12 e 16. Na Terceira Divisão, de nível “Médio” estão os macroindicadores 10 e 17. Na Quarta Divisão, não há um macroindicador sequer. E na Quinta Divisão, de nível “Muito Baixo” está o macroindicador 9, de Indústria, Inovação e Infraestruturas.



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