Economia

E AUMENTA O DESAFIO
DOS 100 MIL EMPREGOS

DANIEL LIMA - 01/10/2025

Se estou preso a uma promessa profissional, vou em frente com a promessa profissional. Sabe aquela série que prometi seguir em frente para acompanhar o andar da carruagem do emprego em São Bernardo durante os quatro anos da atual gestão? Adivinhe o novo capítulo? Acabou de piorar para o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo, Rafael Demarchi.

Os 100 mil empregos prometidos em 48 meses estão indo, como projetei, para o chapéu. Vou dar os números em seguida, mas antes vou dizer uma coisa: a tarefa mais fácil deste mundo é acertar praticamente todas as questões relativas ao Grande ABC quando se tem mais de meio século de atividades críticas no Grande ABC. Demarchi ruim de tempero estatístico é mais uma prova disso. 

Rafael Demarchi é o típico secretário de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC. Ele parece praticamente com todos os que tomaram posse nos últimos 30 anos, quando se criou a primeira secretaria do setor, na gestão de Celso Daniel, atendendo sugestão deste jornalista. 

OFÉLIA, OFÉLIA

O que isso quer dizer? Que praticamente não aparece no noticiário porque não tem o que mostrar. Pior ainda: quando bota a cabeça para fora, lembra aquele quadro humorístico que fez muito sucesso na televisão. Lembra da Ofélia? Lembra? Pois é.

Ainda bem que a natureza proporcionou a possibilidade de me debruçar mais em questões econômicas e sociais, entre outras, do que no futebol, atividade que durante muitos anos marcou minha carreira. No futebol não é fácil segurar a barra de projeções, palpites, análises.

Quando 11 marmanjos correm atras da bola em meio, agora, a milhões de pressões na Internet, antes, durante e depois dos jogos, é melhor se precaver. Gente respeitada que aprecio ouvir e ler está cansada de quebrar a cara. Ainda outro dia um deles, que conhece um pouco de bola, o ex-volante Vampeta, disse Com a convicção dos crentes que o São  Paulo seria campeão da Libertadores.

E não se poderia, àquela altura, dizer que Vampeta estava alucinado. O São Paulo vinha jogando o fino da bola, mas eis que Luciano, o marqueteiro Luciano, um jogador nota seis que muitos dizem valer nove, perdeu uma enxurrada de gols contra o time equatoriano em pleno Morumbi e o São Paulo dançou. Tricolinos e Libertadores são sinônimos para o bem e para o mal.

EMPREGO INDUSTRIAL

Derivei demais, mas agora volto ao foco. No balanço do Ministério do Trabalho, São Bernardo ainda com prefeita interina,  somou apenas e tão somente 664 novos postos de trabalho com carteira assinada. Em agosto, o Grande ABC como um todo contabilizou 3.089 novos trabalhadores, a maioria, quase totalidade, em comércio e serviços.

Emprego industrial que é bom, apenas 438, ou seja, 14,17% do total. Muito abaixo do estoque dos sete municípios que flutua entre 25% e 22%. E que, como tenho reafirmado, vai seguir sendo cada vez menos em dados proporcionais.

Não recomendaria que se festejasse saldo de emprego no Grande ABC, inclusive com manchetíssima (manchete das manchetes de primeira página) como a edição de ontem do Diário do Grande ABC. Acho que deveria haver alternativa de manchetíssima regional mais sintonizado com a cronologia da desindustrialização. Quantidade sem qualidade não é lá essas coisas. Transmite falsa impressão de redenção, quando o que temos de imediato, no passado e pela frente são vendavais no mercado de emprego. 

TETO DA TEMPORADA

Antes de voltar a São Bernardo e ao secretário de Desenvolvimento Econômico Rafael Demarchi, não custa lembrar que nos primeiros oito meses desta temporada de primeira jornada de mandatos dos atuais prefeitos o Grande ABC soma saldo líquido de 22.112 trabalhadores com carteira assinada. Isso quer dizer que dificilmente chegará a 30 mil contratações liquidas em dezembro.

Faltam pouco menos de oito mil contratações. Com a média mensal até agora é de 2.764, muitos concluirão que 30 mil seria uma barbada. Mas esquecem que dezembro é período de perda de postos de trabalho.

De qualquer forma, seja o que for, a situação do Grande ABC como um todo é bem melhor que a de São Bernardo dos prometidos 100 mil empregos em quatro anos. Cem mil empregos divididos por quatro anos dão 25 mil empregos a cada temporada. Ou 2.083 a cada 30 dias, como já explicamos em edições anteriores desta série.

Até agora, em oito meses, São Bernardo estaria firme no jogo proposto se somasse 16.664 novos postos de trabalho. Sabem quantos são nesses oito meses: apenas 5.339. Isso mesmo. Menos de 5,5 mil trabalhadores que, divididos por oito meses, significam  apenas 667 contratações líquidas a cada mês.

ACEITO APOSTAS

O leitor deve continuar a fazer a conta para chegar aonde pretendo chegar, ou seja, ao nocaute do secretário Rafael Demarchi. Insisto em desafiar quem ouse apostar no secretário. Não tenho lá muito dinheiro, mas não sou maluco. Para cada R$ 50 do maluco que reforçar a projeção do secretário, boto R$ 100.

Como foram contratados até agora apenas 5.339 trabalhadores em São Bernardo (24% do total da região), a conclusão é fácil: faltam ainda 94.661 contratações que, divididas por 40 meses restantes até o fim do mandato do atual prefeito e da prefeita interina, significa média mensal de 2.366 postos de trabalho. Ou seja: São Bernardo precisa aumentar a atual média de oito meses de contratações líquidas de 667 para 2.366 trabalhadores.

A média mensal acumulada em oito meses significa apenas 28% do que São Bernardo necessita. E a cada nova rodada do balanço do Ministério de Luiz Marinho cujos dados não alcançarem a média mensal indispensável, mais a média mensal indispensável será elevada.  

GASTANÇA, GASTANÇA

Todos os jornais deram aquilo que já registrei aqui baseado como baseei em leituras diversas: há crônica desaceleração do mercado de trabalho. Pior que isso: quando se cruzarem os indicadores de empregos mais adiante com o calendário eleitoral, além da corrida desenfreada para debelar o crescimento da inflação e da inadimplência de consumidores, os futuros dados de emprego ficarão mais preocupantes. Traduzindo tudo isso: teremos os dados de São Bernardo e do Grande ABC como um todo ainda mais comprometidos.

Acho interessante o ministro Luiz Marinho insistir na cantilena que utilizava quando o presidente do Banco Central ainda era um suposto aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e repetir a história agora que o titular é um petista de carteirinha. São os malditos juros que atrapalham o avanço do empregômetro no Brasil e que, por isso mesmo, podem causar desempregômetro no futuro – disse Marinho.

Luiz Marinho sabe muito bem ou deveria saber que a política fiscal do governo federal do qual faz parte é um convite à gastança desconectada da produção e da produtividade. Resultado:  gera complicações gerais, inclusive no mercado de trabalho. Inflar a bolha consumista, no melhor estilo Dilma Rousseff, é a pior das soluções.

MÁQUINA FISCAL

Tanto é que o Banco Central está tentando de todas as formas encontrar uma saída para baixar a taxa Selic de 15% ao ano, com ganho líquido estratosférico de 10%. Como o andar da carruagem eleitoral vai exigir mais gastos para que a candidatura de Lula da Silva se mantenha competitiva, as perspectivas postas por especialistas são de mais tormentos.  

A máquina fiscal do governo federal não tem freios. Não vai demorar para os indicadores de emprego registrarem dados que vão deixar o secretário Rafael Demarchi ainda mais desesperado. Não será um condomínio logístico asiático aqui, um novo supermercado ali, essas coisas que não mudam nada na caminhada de recuperação de riqueza de São Bernardo e da região, que salvarão a lavoura da fanfarronice estatística.

Para completar, chamou a atenção o registro de alguns dados que dão especificidades às contratações líquidas no Grande ABC, conforme o boletim divulgado pelo Clube dos Prefeitos e Agência de Desenvolvimento Econômico. Entretanto, como não consegui expandir aquelas informações às últimas temporadas, vou deixar para outro dia eventual incursão. Claro, se houver condições de superar os obstáculos.

O que vi talvez seja a ponta do iceberg de uma catástrofe social, mas não posso antecipar nada sem comprovações. Há um cheiro de tragédia envolvendo uma situação que não vou revelar agora. O Grande ABC estaria em situações ainda pior do que se imagina. E o que parece um exagero  combinado com precipitação, no caso o alavancar à manchetíssima o saldo de empregos com base exclusivamente em quantidade,  se tornaria algo estruturalmente inquietante.



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