Economia

Aeroportozinho de Marinho começa
a ser desvendado ou é coincidência?

DANIEL LIMA - 09/08/2012

O aeroportozinho de São Bernardo, para aviação executiva, anunciado ano passado como aeroporto internacional pelo Diário do Grande ABC, com base numa fonte da Administração Luiz Marinho, pode ser o aeroportozinho cujo projeto está em vias de ser aprovado pelo governo federal.


 


É o que deduzo com cautela mas também com certa convicção após ler nesta manhã de quinta-feira uma notícia do jornal Valor Econômico. Está lá: o governo federal baixará decreto que autoriza empresas privadas a operarem comercialmente a chamada aviação executiva, permitindo que o setor privado construa aeroportos para pouso e decolagem de jatinhos e aviões de pequeno porte, além de helicópteros, e faça exploração comercial dessas unidades.


 


Se este jornalista não estiver equivocado, quem exploraria o aeroportozinho pretendido por São Bernardo seria um grupo formado pelos empresários paulistas Fernando Botelho e André Skaf. A área anunciada seria na região do anel rodoviário de São Paulo, também conhecido por Rodoanel.


 


Será mesmo esse o projeto que a Prefeitura de São Bernardo guarda a sete chaves, depois do desgaste de ter vazado ao Diário do Grande ABC o conto da carochinha de um grande aeroporto internacional, o terceiro da Região Metropolitana de São Paulo, inviável no aspecto financeiro, ambiental e também de ocupação do espaço aéreo?


 


O aeroporto internacional de São Bernardo que esta revista digital transformou em aeroportozinho por conta de que ainda há senso crítico na praça, mostraria que a Administração Luiz Marinho, respeitadíssima pelas intervenções sociais, não preza pela coerência ideológica de centro-esquerda contaminada por pressões sindicalistas. Ou estaria enganado este jornalista quando observa contradição entre a possibilidade de instalar-se um aeroportozinho por conta de intervenção da iniciativa privada, de um dos herdeiros do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a construção do Museu do Trabalho e do Trabalhador que, simplesmente, elimina qualquer vestígio de empreendedorismo verde e amarelo e multinacional no desenvolvimento econômico e social de São Bernardo?


 


Mesmo que o aeroportozinho projetado na proximidade do Rodoanel (mas que terá de passar por baterias severamente seletivas de autoridades aeroportuárias) não seja exatamente o que o Valor Econômico publicou na edição de hoje (o que é muito improvável, porque seria uma baita coincidência) só o fato de anunciar a obra que teria prevalecente dinheiro privado, comprova a dificuldade de a Administração petista de São Bernardo sustentar linha de coerência programática tendo a sociedade como alvo principal, não um nicho, forte e respeitado, de representatividade do trabalhador.


 


Ainda sobre o aeroportozinho, o jornal Valor Econômico diz que o Brasil dispõe de dezenas (na verdade, são mais de uma centena) de aeroportos privados de pequeno porte, todos impedidos de atuar comercialmente. Os donos não podem cobrar taxas de pouso e decolagem nem instalar lojas comerciais em suas dependências. Explica a matéria que funcionam também no Brasil aeroportos públicos de aviação geral, em cidades como São Paulo (Campo de Marte) e Rio de Janeiro (Jacarepaguá).


 


Desafogo nos céus


 


O governo federal pretende, com o decreto, estimular a construção de aeroportos de aviação executiva para desafogar os aeroportos regulares durantes grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada do Rio, em 2016. A previsão é que os aeroportozinhos desafogariam os poucos e decolagens, que já representam de 30% a 35% de alívio.


 


O suposto aeroportozinho previsto para São Bernardo já teria projeto protocolado na Secretaria de Aviação Civil (SAC) da Presidência da República, que estuda, também, autorização para um terceiro aeroporto geral exclusivamente a pousos e decolagens de helicópteros, chamado de Helicidade, um projeto idealizado pelo economista Fábio Tinelli. Segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral, o Brasil possui o segundo maior mercado de aviação executiva do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A frota de aviões executivos alcança 12,3 mil unidades. O segmento realiza mais de 800 mil voos por ano. São mais de mil empresas a explorar o mercado.


 


Embora tudo indique que partiria mesmo dos empresários paulistanos o projeto do aeroportozinho pretendido na vizinhança do Rodoanel Sul, que corta tangencialmente a Província do Grande ABC, haverá dificuldades à aprovação. A Lei de Proteção dos Mananciais é um dos pontos mais vulneráveis à pretensão privada. Mas não está apenas em eventual oposição ambientalista o nó górdio a ser superado. A rota de aviões de grande porte que atende principalmente pousos e decolagens no Aeroporto de Congonhas estaria no meio do caminho, segundo especialistas do setor.


 


Certo mesmo nisso tudo é que o prefeito Luiz Marinho nem ousa falar em aeroportozinho ou aeroportozão durante a campanha eleitoral que está nas ruas. Previdente, ele teria advertido os falastrões que informaram ao Diário do Grande ABC sobre a iniciativa até então confinada a reuniões preliminares. Marinho não teria autorizado a ação supostamente de marketing. Além disso, como se lançou a perspectiva de aeroportozão, o aeroportozinho eventualmente possível perderia o impacto como novidade a ser explorada politicamente, um direito líquido e certo para quem precisa de votos para manter-se no poder da Capital Econômica da Província do Grande ABC.


 


Configura-se algo que se encaixaria à perfeição no axioma de que o apressado come cru. O anúncio oficial de um aeroportozão em vez de um aeroportozinho seria algo como um cidadão que recebe a notícia de que foi sorteado com uma Ferrari, mas que, na hora de receber a chave, constata que vai sentar-se mesmo ao volante de um carro popular.


 


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