A quarta cidade com o maior potencial de consumo per capita do País, como São Caetano faz questão de ser conhecida, não tem um único shopping center. Depois de idas e vindas estratégicas, os proprietários do Shopping São Caetano resolveram assumir a realidade. Em vez de shopping, o que se tem e o que se terá cada vez mais é um centro empresarial. Ou alguém acha que pode ser chamado de shopping um conjunto de quatro pavimentos em que apenas o térreo é destinado a lojistas e os demais estão convertidos em escritórios de diferentes serviços?
A transformação de shopping em centro empresarial não é necessariamente má notícia para São Caetano. Primeiro, porque o empreendimento terá ocupação mais produtiva, em vez do alto índice de ociosidade. Segundo, porque a própria cidade, com sua mania de frequentar shoppings da Capital, de Santo André e de São Bernardo, determinou o destino do local. Terceiro, porque os 90 proprietários do empreendimento dão cada vez mais razão a especialistas que garantem que centro de compras precisa de administração centralizada, e não fragmentada por interesses individuais. Foi assim que o Shopping Metrópole, em São Bernardo, encontrou seu caminho. Por não seguir esse ritual, o Best Shopping, também em São Bernardo, acabou por desaparecer.
Quem não fica em situação confortável com a mudança do Shopping São Caetano são lideranças empresariais e políticas que ocuparam páginas e páginas de jornal, em tempos não muito remotos, para tentar desqualificar as críticas ao mix de produtos dos lojistas, ao preconceito da própria cidade em frequentar o endereço e às fissuras entre os proprietários, que não conseguiram agir como empreendedores.
O piso térreo do centro empresarial deverá comportar 90 lojas, segundo previsão de Raul Marcondes Furlan, gerente de marketing do empreendimento. Grande parte já está ocupada porque há muito tempo o espaço foi reconhecido como adequado ao varejo, numa espécie de prolongamento da Rua Amazonas. O segundo e o quarto pisos serão integralmente de serviços. Repetirão o perfil do terceiro andar, já ocupado por 40 lojistas de prestação de serviços (advogados, escritórios de contabilidade, entre outros) e até por um cartório. As duas salas de cinema e a praça de alimentação localizadas no segundo piso não vão mudar de espaço.
"Negócios têm de ser rentáveis. Pode-se insistir até um certo ponto, mas chega uma hora em que tem de haver estudo de reposicionamento"-- justifica Raul Marcondes Furlan.
Para sair do vermelho
Havia duas alternativas para o empreendimento sair do vermelho, segundo avaliação da Cema/LFM, empresa contratada para analisar o negócio. A primeira, investindo em lojas, fracassou porque os consumidores de São Caetano querem mesmo é gastar em outro Município. Gastar é força de expressão, porque já não se consegue mais dissociar shopping de uma variedade cada vez maior de lojas dos mais diferentes produtos associadas a áreas de lazer e entretenimento, algo que o empreendimento em São Caetano não oferece no nível da concorrência mais badalada. A segunda está sendo colocada em prática com o centro empresarial.
O executivo Raul Furlan evita falar dos desgastes inevitáveis de um empreendimento com 90 proprietários. Mas a literatura do setor está repleta de casos semelhantes em que o excesso de investidores simplesmente inviabiliza a agilidade de gestão de uma atividade cada vez mais competitiva.
Mudanças de rota que são decididas sem dificuldades quando a administração é centralizada tornam-se um Deus-nos-acuda diante da avalanche de investidores com direito a voto, mas nem sempre dispostos a abrir mão de interesses pessoais. O novo centro empresarial de São Caetano é bom para a Prefeitura, que aposta no crescimento do setor de serviços, até porque não há alternativa de imediato para o desenvolvimento econômico local. José Antônio Benedetti, assessor para assuntos especiais da Prefeitura, está encaminhando à administração do shopping os interessados em abrir novas unidades de serviços.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC