Nos próximos dias vou escrever mais um ou outro capítulo sobre algo a que me dediquei intensamente num passado recente: a denúncia de que o Residencial Ventura, construído no coração do Bairro Jardim, em Santo André, é premonitório na grife que lhe atribuíram, porque de fato é uma aventura de forte risco ambiental. É um potencial Barão de Mauá dos ricos, referência ao condomínio popular do Parque São Vicente, em Mauá, que completou 10 anos de tragédias e infortúnios sem que os responsáveis tenham sido efetivamente penalizados.
Destinado à Classe Média, com valor por apartamento especulado em torno de R$ 700 mil, o Residencial Ventura não encontrou tantos compradores quanto imaginavam os empreendedores, a Incorporadora Cyrela e a família De Nadai, liderada pelo empresário Sérgio De Nadai. Não está enganado quem associar Sérgio De Nadai ao escândalo das marmitas da rede educacional de São Paulo. Trata-se do mesmo personagem, frequentador assíduo de rodinhas de pretensas celebridades que fazem doações de Natal a carentes sociais. Emocionante demais.
Quero distância de qualquer coisa que lembre morar no Residencial Ventura. Os documentos de que disponho e as novas informações que pretendo obter na apuração do Ministério Público do Meio Ambiente de Santo André vão nocautear os argumentos falaciosos e pretensamente intimidatórios dos prevaricadores em questão. O advogado que escalei para cuidar do assunto foi retirado do processo porque parecia pronto para tudo, menos a me informar sobre os avanços das investigações do Ministério Público.
O silêncio do restante da mídia regional só comprova o quanto os mercadores imobiliários têm força de coerção publicitária disfarçada de investimento em marketing. Não fosse assim, entre outros pontos, Milton Bigucci, presidente da entidade que supostamente representa o setor, embora não conte com apoio algum dos pequenos e médios empreendimentos, não seria o que é. E o que Milton Bigucci é? No mínimo, no mínimo, omisso em responsabilidade social. Já imaginaram se ele fosse presidente do Conselho Federal de Medicina e reagisse da mesma forma diante de uma denúncia de gravidade como a que está entregue ao Ministério Público de Santo André? Como esperar algo diferente se o dirigente perpétuo da Acigabc manteve-se no cantinho de espectador também em relação ao caso do Barão de Mauá, o original?
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC