Economia

Indústria paulista segue
perdendo participação

DANIEL LIMA - 10/12/2002

Os jornais publicaram de forma incompleta o balanço do PIB (Produto Interno Bruto) no período de 1985 a 2000 anunciado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Por isso, liguei ontem de manhã para o Rio de Janeiro e conversei com Eduardo Nunes, que coordena o Departamento de Contas Nacionais do IBGE. A perda de participação paulista de menos de três pontos percentuais (de 36,12% para 33,67%) envolve todos os setores -- industrial, serviços, financeiros e agronegócios --, mas não oferece o que mais de perto interessa a quem está de olho no desenvolvimento econômico: o comportamento da indústria de transformação.


 


 Nenhum jornal deu, mas Capital Social vai responder na sequência: qual foi o comportamento da indústria de transformação do Estado de São Paulo, base para qualquer tipo de debate que se estabeleça sobre o grau de desindustrialização do Grande ABC?


 


É claro que os resultados não são nada interessantes aos paulistas. Temos nos antecipado aos organismos oficiais de pesquisa vasculhando informações aqui e acolá, interpretando-as com a velocidade de quem tem o compromisso com o estado de emergência do Grande ABC.


 


Pena que os dados do IBGE sobre a indústria de transformação não contemplem tanto São Paulo quanto os demais Estados de maneira endogenamente segmentada. Fosse assim, saberíamos com precisão por que os paulistas que contavam com 51,58% da transformação industrial em 1985 passaram para 42,05% no ano 2000, com queda de 9,53 pontos percentuais ou 18,47% no período. É certo que a Região Metropolitana de São Paulo, conforme estamos cansados de averiguar, perdeu em números absolutos e relativos participação no Estado e no País, principalmente o Grande ABC.


 


O quanto dessa perda foi para o Interior do Estado e também para o restante do País não é mensurado pelo IBGE na primeira divulgação da pesquisa. Recentemente, com base em dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, detectamos que a RMSP teve seu poder de fogo de transformação industrial reduzido a 48%. Os 52% restantes ficaram com o Interior e a Baixada Santista. Uma inversão de peso relativo antecipada por este jornalista há alguns anos e que tende a acentuar-se porque nada apareceu no fim do túnel das desilusões metropolitanas que indicasse reversão da situação. 


 


Perda industrial preocupante


 


A divulgação do trabalho do IBGE pela mídia na semana passada tratou do PIB sem segmentação, por isso o comportamento do Estado de São Paulo não é tão preocupante, já que contava com 36,12% e caiu para 33,67%. A queda paulista no conjunto de indicadores do PIB é discreta, mas a perda relativa e em números absolutos da força da indústria de transformação ao longo dos 15 anos pesquisados não deixa de ser inquietante, porque é processo contínuo. E que tem como alvo principal a metrópole paulistana com seus 39 municípios e 18 milhões de habitantes.


 


A descentralização da indústria de transformação é muito mais pronunciada do que as evoluções no PIB. Em 15 anos, a indústria de transformação dos cinco principais Estados brasileiros somava 85,23% do total nacional, contra 71,35% do ano 2000. Vejam os números dos dois períodos:


 


 São Paulo caiu de 51,58% em 1985 para 42,05%.


 Rio de Janeiro contava com 7,95% e subiu para 8,59%


 Minas Gerais registrava 8,26% e chegou a 9,17%


 Rio Grande do Sul saiu de 8,08% para 10,21%


 Paraná subiu de 5,01% para 5,68%.


 


Acompanhem agora o peso de cada um desses Estados no PIB Geral, isto é, contando as riquezas da indústria, de serviços, do sistema financeiro e do agronegócio:


 


 São Paulo contava com 36,12% em 1985 e caiu para 33,67% em 2000.


 Rio de Janeiro registrava 12,70% e caiu para 12,52%.


 Minas Gerais saiu de 9,61% para 9,64%.


 Rio Grande do Sul caiu de 7,88% para 7,73%.


 Paraná saiu de 5,92% para 5,99%.


 


Percebe-se que o PIB dos cinco maiores Estados brasileiros em 1985 totalizava 72,23%, contra 69,55% em 2000. A diferença está praticamente na perda paulista, que só não foi mais aguda porque o setor financeiro representa 47,97%  do PIB do setor.


 


O que os números do IBGE recomendam a quem se dedica a decifrá-los é que há armadilhas a serem desativadas antes de qualquer interpretação. Por exemplo: o PIB global por Estado é uma coisa, enquanto o PIB industrial por Estado é outra, completamente diferente. E mesmo dentro do PIB industrial por Estado há aspectos regionais que não podem ser desconsiderados. 


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