Economia

São Caetano a salva região
em 10 anos de muitas perdas

DANIEL LIMA - 23/02/2007

Imagine os sete municípios da região (G-7) e o próprio Grande ABC (visto como megamunicípio) disputando a Série A do Campeonato Paulista de Riqueza Produzida juntamente com outros 70 dos principais endereços do Estado. Agora, imagine os resultados em 10 anos, contados entre janeiro de 1996 e dezembro de 2005, período comprovadamente mais indigesto para a outrora invejável região mais pujante do País, depois da Capital paulista. Querem saber os resultados? São Bernardo, Mauá e Ribeirão Pires se somariam à litorânea São Sebastião como rebaixados à Série B. E o Grande ABC constaria de ameaçadíssimo 66º lugar.


 


Esses são os resultados mais dramáticos do Grande ABC nessa nova rodada estatística de LivreMercado com o suporte do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), laboratório virtual de estudos, e a Target Marketing, empresa paulistana especializada em potencial de consumo.


 


O balanço de 10 anos da economia do Grande ABC e dos 70 municípios mais importantes do Estado de São Paulo é o retrato falado de um crime anunciado exaustivamente por LivreMercado em quase 17 anos de circulação e, surpreendentemente, ainda hoje negado por gente mal informada.


 


A contabilidade que coloca o Grande ABC em 66º lugar e três dos sete municípios locais entre os quatro rebaixados à Série B do Campeonato Paulista de Riqueza Produzida é equação simples. Trata-se da comparação ponta a ponta do que foi transformado em produção industrial entre janeiro de 1996 e dezembro de 2005, dividido pelo número de habitantes de cada território. Ou seja: é o chamado Valor Adicionado por habitante, medidor implacável da economia de cada Município.


 


E é nessa competição que o Grande ABC atingido em cheio no núcleo de sustentação socioeconômica, a indústria automotiva, sofre duros reveses que ajudam a explicar o quadro. Um conjunto de fatores levou o Grande ABC a perder no período 27,9% de riqueza por habitante. A descentralização automotiva combinada com falências e concordatas de autopeças, perdas caudalosas de empregos industriais, elevação dos índices de criminalidade e o caos urbano de uma metrópole ensandecida, tudo a bordo de abertura econômica tão abrupta como insensível, tornaram o Grande ABC território em transe e em crise.


 


O ranking paulista de produção de riqueza detectado pelo Valor Adicionado, base de repasse de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para os municípios é pavorosamente cruel com o Grande ABC. A medida per capita de perdas é o melhor instrumento para detectar de fato o que ocorreu na região e no Estado e, também, para tornar mais nítidos os efeitos de aplicação de recursos públicos.


 


O desempenho individual dos municípios do Grande ABC não deixa margem a dúvidas. Exceto São Caetano, que associou no período o limite de perdas sequenciais e refluxo populacional, os demais municípios desceram a ladeira.


 


Melhor em 19º lugar


 


Mesmo com vantagens, São Caetano não passou do 19º lugar na classificação geral do IEME no período de 10 anos, com crescimento per capita de produção de riqueza de 12,7%. Os demais municípios da região apresentam números sofríveis: Diadema está em 57º com perda de 16,2%, Rio Grande da Serra em 59º com perda de 19,4%, Santo André em 60º com perda de 20,5%, São Bernardo em 75º com perda de 39%, Mauá em 76º com queda de 40% e Ribeirão Pires na condição de lanterninha absoluta com queda acumulada de 53,7% em 10 anos.


 


A situação do Grande ABC é pior do que parece no ranking do Valor Adicionado por habitante. A melhor explicação está no avanço da produtividade das indústrias que se mantiveram na região, sobremodo montadoras e autopeças, detentoras da maior parcela de Valor Adicionado regional. Valor Adicionado é medida monetária da cadeia de produção. É, por exemplo, a diferença entre a matéria-prima que sai do Pólo Petroquímico de Capuava e vira pára-choque de veículo numa autopeças, acrescentando-se valores relativos a serviços prestados, salários, custos de telecomunicações, transporte, entre outros.


 


Se com tudo pelo que passou nesse período para fazer frente à concorrência estadual, nacional e internacional, implacavelmente em busca de competitividade, o Grande ABC não conseguiu fugir dos últimos lugares do ranking de Valor Adicionado por habitante, isso significa que o quadro é mais grave do que parece.


 


Afinal, foram vultosos os investimentos das fábricas locais em máquinas, equipamentos, processos, treinamento e reciclagem de trabalhadores para se adaptarem aos novos tempos de mercado globalizado. A ordem unida de enfrentar a borrasca com corte de despesas e aumento de investimentos e de produtividade prevaleceu e ainda prevalece na região.


 


Tudo isso é diferente, portanto, de outras regiões do Estado e do País cuja industrialização mais recente dispensou medidas mais drásticas de modernização. São Caetano é o contraponto dessa conta de perdas porque é o único Município local a combinar dois fatores positivos mas não necessariamente exclusivos à oxigenação social: queda da população e aumento da produtividade em forma de elevação do Valor Adicionado. O restante do Grande ABC caminhou na mão contrária, com redução do Valor Adicionado e aumento da população.


 


O Grande ABC (ou seja, o conjunto de sete municípios locais) detinha em dezembro de 1995, sempre em valores monetários corrigidos pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), da Fundação Getúlio Vargas, o total de R$ 21,8 mil de Valor Adicionado por habitante. Esse montante colocava o G-7 em 12º lugar na classificação do IEME, atrás de Paulínia, Louveira, Cubatão, São Sebastião, Barueri, São Caetano, São Bernardo, Jaguariúna, Vinhedo, Cajamar e São José dos Campos, em ordem decrescente.


 


Dez anos depois, em dezembro de 2005, o valor per capita anual desceu para R$ 15,7 mil. Com isso, o Grande ABC caiu na classificação geral, que desconsidera o período restrito da pesquisa e abrange o acumulado histórico, para o 15º lugar. Aos 11 municípios que antecediam o G-7 no ranking de 1995 somaram-se, 10 anos depois, Pindamonhangaba, Valinhos e Caçapava.


 


A diferença de 27,9% de Valor Adicionado por habitante entre os extremos de largada e fita de chegada da nova pesquisa do IEME pode dizer pouca coisa quando se perde a dimensão do transtorno. Em números absolutos, o Grande ABC perdeu R$ 7,5 bilhões de Valor Adicionado. Essa numerologia ainda parecerá algo abstrato. O que dizer então diante do fato de que esse valor significa a produção industrial de Santo André registrada em 2005? Ou seja: em uma década o Grande ABC perdeu uma Santo André inteira em geração de riqueza. Ou a soma de São Caetano e Ribeirão Pires.


 


Uma outra comparação para tornar a imagem do desastre mais acessível e corrosivamente doída: em 10 anos pesquisados pelo IEME o Grande ABC ganhou praticamente uma Diadema de população (367.411 novos habitantes) e perdeu uma Santo André em produção de riqueza. Trata-se de descompasso que há muito merece maiores cuidados institucionais. Daí, entre outras iniciativas ao longo dos tempos, LivreMercado ter preparado em 2006 um decálogo para os concorrentes a cargos públicos. O Grande ABC definha como geoeconomia mas poucos se dão conta disso ou, na maioria dos casos, muitos preferem mesmo adotar filosofia de avestruz. Afinal, é trabalhoso implementar políticas de recuperação econômica num País de espertalhões semânticos que usam e abusam de manchetes da mídia igualmente rasante.


 


Piratas estatísticos


 


Os dados comparativos que LivreMercado lança com base no banco de informações do Instituto de Estudos Metropolitanos é arma letal contra piratas estatísticos que durante muito tempo infestaram a região com números grandiloquentes recheados de truques e que ainda de vez em quando aparecem em forma de manchetes de jornais. Os falseadores que ocuparam espaços e instituições do Grande ABC nos anos 1990, sempre protegidos por interesseiros em mistificação, quebraram a cara. Mas deixaram alguns adeptos que preferem mentiras adocicadas a realidades nuas e cruas.


 


A criação do Instituto de Estudos Metropolitanos foi a resposta de LivreMercado para possibilitar a compreensão da realidade social e econômica do Grande ABC fora de suas próprias geografias. Ou seja: o Grande ABC visto de perspectiva não exclusivamente regional, intramuros, quando os números geralmente são manipuláveis. O confronto com sete dezenas dos principais municípios paulistas escancara vitórias e derrotas do Grande ABC no campo econômico, financeiro, criminal e social.


 


Por isso, a nova rodada de informações, agora do Campeonato Paulista de Riqueza Produzida, é implacável. O Grande ABC está concretamente muito menos poderoso do que no passado ainda recente. Ganhar uma Diadema de população e perder uma Santo André de geração de riqueza são extremos de descomunal impacto social e econômico, cuja perspectiva de recuperação automática só povoa a cabeça dos insensatamente enlouquecidos por interesses específicos ou ignorância irrecuperável.


 


Afinal, o Grande ABC continua a perder nas duas pontas dessa contagem. Os níveis de aumento demográfico são elevadíssimos, porque sobram para os municípios locais transbordamentos da periferia de uma Capital tão próxima quanto problemática. Já o revigoramento da indústria de transformação no Grande ABC situa-se entre o desejo e a esperança que não conseguem sincronia com medidas práticas que sugerem sangue, suor e competência. Não bastasse tudo isso, para completar a obra de descalabros a UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) sob comando estranho à realidade regional simplesmente dá de ombros à inserção de currículo minimamente próximo das demandas locais.


 


A crise de produção de riqueza é mais acentuada no Grande ABC, como provam os números da década, mas está evidenciada no próprio ranking do IEME. Apenas quatro dos municípios da Grande São Paulo analisados estão entre os 20 primeiros que mais cresceram no período pesquisado. Entre os 10 primeiros, consta apenas Itapevi. A liderança de Jaguariúna e o terceiro lugar de Paulínia se devem à seletividade de Valor Adicionado nas áreas de energia e pólo químico-petroquímico. Majoritariamente entre os 20 primeiros colocados estão resultados práticos de avanço da indústria de transformação, movida principalmente pela guerra fiscal.


 


Valores Absolutos


 


Sempre considerando o Grande ABC megamunicípio de mais de 2,5 milhões de habitantes, o que eleva para 78 o total de endereços pesquisados pelo IEME, apenas 16 localidades apresentaram queda de Valor Adicionado no período de 10 anos. Essa interpretação descarta cálculos por habitante. Trata-se de valores monetários atualizados pelo IGP-M. Por essa contabilidade, o Grande ABC visto como megamunicípio ocupa a segunda colocação estadual, atrás apenas da Capital. São Paulo contava em dezembro de 2005 com R$ 103,8 bilhões de Valor Adicionado, contra R$ 40,1 bilhões do Grande ABC. Individualmente, o melhor posicionamento da região é o quarto lugar de São Bernardo, com R$ 15,9 bilhões, atrás de São Paulo, Paulínia e Guarulhos.


 


Apenas 15 municípios, seis dos quais do Grande ABC e o próprio Grande ABC como soma de sete localidades, apresentam resultado negativo de produção de riqueza na pesquisa do Instituto de Estudos Metropolitanos. A exemplo do que ocorreu no Campeonato de Produção de Riqueza por habitante, São Caetano é o único Município local a apresentar saldo positivo quando se obtém valores absolutos: o Valor Adicionado elevou-se em 3,9% no intervalo de 10 anos. São Bernardo perdeu 21,5%, Santo André 16,7%, Diadema 1,1%, Mauá 24,7%, Ribeirão Pires 43,2% e Rio Grande da Serra 0,3%. Na média, o Grande ABC perdeu 15,7%.


 


É natural que os resultados percentuais sejam diferentes quando se levam em conta valores absolutos e valores por habitante. O crescimento demográfico acrescenta mais dificuldades aos municípios locais e também ao Grande ABC como um todo porque recrudesce a disputa por recursos públicos em várias áreas, como Educação, Saúde, Segurança Pública, entre outras, e eleva ainda mais o quadro de desemprego. Outros municípios que perderam tônus de produção de riqueza: Jacareí, São José do Rio Preto, Mogi-Guaçu, Bauru, Franca, Araras, Caçapava, Salto e Araçatuba.


 


A diferença entre os dois mapeamentos do IEME -- um sobre Valor Adicionado por habitante e o outro de Valor Adicionado em números absolutos -- pode ter analogia com o futebol também para explicar as razões de três municípios do Grande ABC estarem na zona de rebaixamento de produção de riqueza. Os números absolutos são espécie de títulos acumulados pelos municípios ao longo dos anos. São patrimônios amealhados. São conquistas históricas. Já os números do Valor Adicionado por habitante convertem-se em reacertos permanentes da tábua de classificação.


 


O que LivreMercado apresenta no quadro relativo de produção industrial por habitante entre janeiro de 1996 e dezembro de 2005 é uma competição restrita no tempo para que se pudesse avaliar sem distorção o comportamento da economia nos municípios mais importantes do Estado. Se mesmo com o desempenho muito aquém das expectativas o conjunto dos municípios do Grande ABC e também o Grande ABC individualmente não desabaram completamente no ranking de produção industrial em números absolutos, ou seja, sem passar pelo crivo do rendimento por habitante, a explicação é simples: o passado de exuberância que começou a se esvair no início dos anos 1990 com a abertura econômica é um alicerce senão monolítico, pelo menos redutor de maiores estragos.


 


Mais do menos


 


Os números absolutos ou por habitante de produção de riqueza são ao mesmo tempo um novo alerta e também um freio contra eventuais ataques de triunfalismo que sempre rondam o Grande ABC, porque não faltam agentes políticos, econômicos e sociais com interesses nem sempre honestos na manipulação de dados.


 


Vejam uma situação sintomática de como é possível enganar o distinto público: é verdade suprema a informação exclusiva de LivreMercado, do Instituto de Estudos Metropolitanos e da Target Marketing de que o Grande ABC apresentou nos últimos sete anos saldo adicional de 506 indústrias e 12.544 estabelecimentos de comércio e serviços.


 


O resultado do Grande ABC segue a trilha do crescimento médio registrado no Estado de São Paulo, mas há diferença em relação à média nacional: embora haja semelhança de resultados no setor terciário (comércio e serviços), no industrial o saldo de empreendimentos é muito maior nos demais Estados.


 


A pesquisa está ancorada no CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), do Ministério da Fazenda. Ou seja: não há espaço para a informalidade de um lado nem para arquivos defasados e sempre maltratados de prefeituras, de outro. Isso significa que qualquer estatística sobre o assunto que fuja dos números divulgados por LivreMercado não tem consistência.


 


Entretanto, e é nesse ponto que se deve colocar um freio nas expectativas mais eufóricas, a pesquisa sobre número de estabelecimentos industriais e do terciário tem valor relativo. Está longe, portanto, de ser compulsoriamente instrumentalizada como sinônimo de desenvolvimento econômico, como tentam fazer crer, invariavelmente, solícitas fontes públicas municipais. Diferentemente também de avaliações de entidades privadas que defendem publicamente noticiários cor-de-rosa, por mais que reservadamente critiquem vulnerabilidades econômicas regionais.


 


O fato de em sete anos, entre janeiro de 1999 e dezembro de 2005, apresentar saldo adicional de 506 indústrias e de 12.544 empresas de comércio e serviços (respectivamente 5% e 20,2% sobre a base anterior) não retira o Grande ABC da zona de turbulência econômica.


 


Mais estabelecimentos empresariais, no caso específico do Grande ABC, podem ser fator complementar de agravamento do quadro negocial. Com a massa salarial e de renda da População Economicamente Ativa em baixa histórica desde a abertura econômica que atingiu profundamente a comunidade da região, mais concorrência pode ter efeitos destrutivos, entre os quais a depauperação do mercado de trabalho. Não é à toa que, exceto atividades industriais protegidas pela massa crítica sindical, a evolução da média salarial do Grande ABC não acompanhou a inflação no período. Sem contar que as taxas de desemprego se mantêm elevadas.


 


Por essas e outras razões, cheiraria a triunfalismo abusado dar conotação de sucesso à evolução numérica de empreendimentos industriais, comerciais e de serviços no Grande ABC. A contextualização de mercado de trabalho precarizado, dificuldade de reposição de mão-de-obra desempregada ao longo dos anos de desindustrialização e queda abrupta seguida de crescimento moderado da produção de riqueza da indústria de transformação colocam um providencial freio em análises destrambelhadas.


 


Quem acha que mais estabelecimentos provam o dinamismo de qualquer localidade deveria dar espiada na situação cada vez mais caótica das escolas particulares. O quadro de inquietação dos empreendedores é nacional, mas, especialmente no Grande ABC, chega aos limites do insustentável. Há excesso de oferta e retração da demanda. Praticamente metade dos bancos escolares do Ensino Superior está à espera de alunos no Grande ABC, como de resto no País.


 


Avalanche terciária


 


A tentativa de pintar o Grande ABC como caso excepcional de novos estabelecimentos comerciais e de serviços, fenômeno que pretende negar efeitos de perdas industriais, peca não só pelo provincianismo como pelo despropósito. Provincianismo porque a enchente do terciário, como poderia ser chamada a febre de empreendedorismo em comércio e serviços, alcança todo o território nacional. Despropósito porque, exceto quando conta com o chamado terciário de valor agregado, de empreendimentos em que prevalecem áreas de conhecimento intelectual e tecnologia, os setores de comércio e serviços são incapazes de produzir riqueza. E esse é o caso do terciário do Grande ABC, de baixa inserção com as matrizes industriais.


 


O total de empreendimentos de comércio e serviços do Grande ABC em 1998 atingia 61.949 unidades. São Bernardo (20.354) e Santo André (19.331) superavam mais de 60% da oferta de estabelecimentos dos mais diferentes segmentos. São Caetano vinha a seguir (7.782), Diadema logo após (6.609), Mauá (4.850), Ribeirão Pires (2.452) e Rio Grande da Serra (571). Sete anos depois, em dezembro de 2005, o total alcançou 74.493 estabelecimentos, com crescimento de 20,2%. São Bernardo (24.675) e Santo André (22.422) seguiram com mais de 60%, contra 10.547 de São Caetano, 7.676 de Diadema, 5.723 de Mauá, 2.666 de Ribeirão Pires e 787 de Rio Grande da Serra.


 


No setor industrial, São Bernardo contava com 2.760 indústrias em 1998, contra 2.805 em 2005. Santo André registrava 2.285 e subiu para 2.320. São Caetano subiu levemente de 1.209 para 1.212, Diadema de 1.962 para 2.153, Mauá aumentou de 734 para 957, Ribeirão Pires caiu de 500 para 437 e Rio Grande da Serra subiu de 39 para 71.


 


Poucas diferenças


 


Os números apresentados pelo Grande ABC em volume de empreendimentos registrados no Ministério da Fazenda praticamente não diferem da média do Estado de São Paulo e, no setor industrial, escapam da média brasileira. No Estado de São Paulo o crescimento do universo de estabelecimentos do terciário no período de sete anos foi de 21% (1.187.296 estabelecimentos em 1998 contra 1.436.716 em 2005). No Brasil, avanço de 21,6% (3.857.240 estabelecimentos em 1999 contra 4.692.632 em 2005).


 


Já no setor industrial, contra saldo de 5% de estabelecimentos no Grande ABC no período da pesquisa, a média do Estado de São Paulo foi exatamente igual: 5% (178.914 indústrias em 1998 contra 187.852 em 2005). No Brasil, houve crescimento de 19,1% de unidades industriais (558.757 em 1998 contra 665.743 de 2005).


 


Embora isoladamente o número de estabelecimentos não possa sustentar teses desenvolvimentistas, no caso dos números do setor industrial do País, quando comparados aos do Estado de São Paulo, a leitura contextualizada é emblemática. Diferentemente da maioria dos Estados, São Paulo relegou o desenvolvimento econômico a terceiro plano, deixando escorregar entre os dedos da inquietação administrativo-financeira de saneamento das contas públicas os efeitos danosos da guerra fiscal. Não é por outra razão que, no que mais interessa de fato na economia, o PIB paulista tem perdido musculatura em números absolutos e relativos. Ao contrário, portanto, da maior parte dos demais Estados e do Distrito Federal, onde quantidade de empreendimentos tem linha direta com evolução econômica.


 


Diante de tantos números e comparações, é melhor escorraçar o próximo palestrante que, inadvertidamente ou de má-fé, continuar com a pregação de que o Grande ABC explode em empreendimentos de comércio e de serviços e dá show de bola em novos estabelecimentos industriais. A situação do Grande ABC é parecida com a do samba imortalizado que exaltava a criatividade da dona de casa de colocar "água no feijão que chegou mais um". No caso, "água no feijão" significa mais oferta de produtos e serviços e menos dinheiro para consumo.


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