Economia

Mais produção,
menos emprego

VERA GUAZZELLI - 08/11/2004

O crescimento real de 5,67% no Valor Adicionado do Grande ABC em 2003 reverte oito anos consecutivos de perdas na Era FHC, mas é insuficiente para colocar ponto final na desaceleração econômica que marcou a fogo a região. A recuperação regional no mesmo ano em que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil encolheu 0,2% está inserida em contexto que vai além da euforia sugerida pelo dado estatístico isolado. Depois de quase duas décadas asfixiantes de desindustrialização a partir do furacão globalizante e da guerra fiscal, o que se projeta para o futuro é um quadro de recomposição apoiado bem mais em ganhos de produtividade do que na expansão física do parque manufatureiro e na geração intensiva de empregos industriais. Tanto assim que nos últimos cinco anos 1.655 indústrias desapareceram da região, segundo sondagem do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos) ancorada no CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica).


 


A elevação de 5,67% no VA regional também foi extraída de levantamento do IEME e toma como base dados da Secretaria da Fazenda do Estado apontando para conclusão lógica. O Grande ABC tenta cada vez mais aproximar-se da modernidade exigida pelo mercado globalizado. E entre a chegada de empresas em quantidade para compensar todas as que saíram ou que fecharam e a modernização das unidades que ficaram, compactas e enxutíssimas, prevalece a segunda alternativa. Mesmo que o pequeno avanço de 2003 tenha feito a perda acumulada do Valor Adicionado regional cair de 39% para 33,3% desde o Plano Real, o Grande ABC continua na lanterna da combinação de incentivos locacionais, reduções tributárias, logística eficiente e qualidade de vida que reforçam o cenário da interiorização industrial.


 


“O parque manufatureiro do Grande ABC tem capacidade ociosa e é natural que em momentos de reação de mercado apresente recuperação. Isso não quer dizer que haverá um boom. A tendência é que as atividades de maior valor agregado permaneçam por aqui, enquanto as que utilizam mão-de-obra intensiva migrem para locais mais vantajosos em todos os aspectos” — entende o empresário e um dos fundadores do IEME, Nelson Tadeu Pereira.


 


Queda permanente


 


A análise ajuda a sustentar a tese de que dificilmente a região recuperará a pujança industrial de tempos passados. Pelo contrário. A lista de desaparecimentos e deserções é imensa e a configuração econômica que se desenha não admite saudosismo. Basta citar que o Grande ABC já representou 15% do PIB paulista e hoje responde por 9%.


 


A ligeira recuperação do Valor Adicionado em 2003 colocou o Grande ABC em vantagem na relação com as cidades de Campinas, Sorocaba e São José de Campos, que juntas vinham ameaçando ultrapassar a região nesse quesito utilizado para medir a transformação de riqueza industrial. Os três municípios do Interior somaram R$ 26 bilhões de VA, enquanto o Grande ABC produziu R$ 30,2 bilhões. Mas a positividade dos números esconde outra armadilha: mesmo que Campinas, Sorocaba e São José dos Campos passem a perder tônus industrial na medida em que se tornam urbanisticamente complicadas, as cidades que formam o entorno desse grupo interiorano continuam extremamente atrativas para novos investimentos — situação diferente dos sete municípios da região, que perderam a maioria dos investimentos para localidades fora de seu eixo desenvolvimentista.


 


A equação pode parecer complicada, mas ajuda a desmistificar estatísticas que analisam o conceito de desindustrialização apenas sob o resultado cartesiano de soma ou subtração. A história da Mangels, de São Bernardo, é elucidativa para explicar a faceta positiva das transformações. A empresa instalada no Grande ABC há 35 anos tinha tudo para transferir operações para a unidade de Três Corações, no sul de Minas Gerais, mas resolveu permanecer na região por duas razões básicas: a proximidade com o ainda atraente mercado da Grande São Paulo e o custo elevado para transferência das instalações. Assim, a Mangels caminhou na contramão de muitas empresas e optou por modernização tecnológica que permitiu ampliar produção e número de empregos em São Bernardo.


 


“A empresa avaliou inúmeras vezes a possibilidade de deixar o Grande ABC. Mas como nosso produto tem valor agregado, foi possível viabilizar a permanência” — afirma o superintendente Ronalde Pinna. A Mangels produz em São Bernardo chapas de aço relaminado utilizadas tanto na lâmina de uma serra circular quanto no capô de um veículo. A unidade regional responde por 50% do faturamento do grupo e abocanhou R$ 20 milhões dos R$ 70 milhões investidos nas quatro plantas da marca entre 1994 e 2000. Até o final deste ano está prevista a aplicação de outros R$ 4 milhões, sobretudo em equipamentos para ampliação da produção e capacitação de funcionários.


 


Ronalde Pinna confessa que, à despeito das adversidades, é um entusiasta da região. O executivo, no entanto, tem os pés no chão e sabe muito bem que o crescimento da empresa nos próximos anos depende mais das próprias pernas do que de medidas governamentais nacionais ou locais capazes de fomentar o desenvolvimento econômico. Ele lembra, por exemplo, que o custo dos salários na região — que chegam a dobrar em relação a outras localidades — está mais equilibrado. “Se permanecer o cenário atual, a tendência é de mais investimentos” — aposta Ronalde Pinna.


 


Cresce Custo ABC


 


A declaração remete diretamente às conquistas sindicais que também contribuíram para elevar o Custo ABC e levaram muitas empresas a migrar para locais com mão-de-obra mais barata e relações trabalhistas menos beligerantes. A Mangels está entre as poucas empresas que sobreviveram à reestruturação industrial do Grande ABC sem diminuir o quadro de funcionários — uma invejável exceção numa região que perdeu 100 mil postos de trabalho formal só na indústria nos anos 90, fato que adicionado ao desaquecimento da economia nacional flexibilizou naturalmente a convivência capital-trabalho.


 


A perda de empregos no setor produtivo é endossada pelo recente levantamento do Observatório Econômico de Santo André. O estudo mostra que o número de trabalhadores na indústria encolheu 38,7% nos últimos 20 anos. Na década de 80, de cada 100 ocupados 45 estavam nas indústrias. Em 2003, essa relação caiu para apenas 28. Há ainda outro dado relevante: dos então 45 trabalhadores da indústria, 26 atuavam na cadeia metal-mecânica. Hoje são só 14. Isso significa, entre outros desdobramentos, que a retomada da produção das montadoras — que projetam bater recorde em 2004 com 2,1 milhões de veículos — dificilmente elevará de forma significativa os níveis de emprego no setor porque está baseada mais em ganhos de produtividade do que na criação de vagas.


 


Além disso, as montadoras são exemplo mais clássico de indústrias que compactaram a produção e permaneceram na região ancoradas em produtos de maior valor agregado. O Grande ABC já concentrou a produção nacional de veículos e responde agora por 25,7% do universo de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Em contrapartida, mantém-se na dianteira da manufatura de caminhões e ônibus, com 58,1% do total brasileiro.


 


A principal explicação para a concentração dos pesos pesados é a facilidade para diluir os custos produtivos e trabalhistas maiores na região em produto que chega a custar até 27 vezes o valor do carro popular mais barato do mercado. Esse segmento, no entanto, emprega relativamente bem menos funcionários em comparação com fábricas que produzem automóveis em volume expressivo de comercialização. Os populares são responsáveis por mais de 60% das vendas no mercado interno.


 


Aposta em três turnos


 


Bridgestone-Firestone também tem histórico peculiar no Grande ABC. A BF aposta tanto as fichas em Santo André que arrendou 28 mil metros quadrados ao lado da fábrica para otimizar o espaço fabril com estacionamento de visitantes e funcionários e armazém de matéria-prima, o que liberou áreas para o operacional. A empresa trabalha em três turnos há tempos e desde 1998 investe US$ 50 milhões ao ano para aumentar a produtividade e atingir a marca de 34 mil pneus/dia até 2005, ante os 32 mil atuais. Depois disso, só outra fábrica para dar conta de mais produção. “Foi aqui que iniciamos nossa história de sucesso e será aqui que continuaremos mantendo a principal linha de produção” — reforça o presidente da BF no Brasil, Eugênio Deliberato.


 


Os ganhos de produtividade e o investimento constante em equipamentos e treinamento de mão-de-obra permitiram à Bridgestone-Firestone manter-se competitiva no Grande ABC numa época em que muitos concorrentes seguiram os passos da descentralização automotiva. A vizinha Pirelli, que há pouco mais de um ano inaugurou fábrica na Bahia no vácuo da nova planta da Ford, é bom comparativo. A multinacional italiana chegou a Santo André em 1929, continua instalada na cidade, mas reduziu drasticamente as operações, o quadro de funcionários e as instalações físicas. Ficaram em Santo André 1,6 mil funcionários de parte da produção de pneus, os departamentos de logística, engenharia de produto, pesquisa e desenvolvimento, controladoria e superintendência. As outras operações da Pirelli migraram para Campinas, Gravataí, no Rio Grande do Sul, e Feira de Santana, na Bahia.


 


Como a Pirelli, o Grupo EMS Sigma Pharma, de São Bernardo, apostou na especialização no Grande ABC e expansão fora. A empresa se dedica à produção de genéricos e investiu US$ 40 milhões na construção de unidade em Hortolândia, para onde transferiu toda a linha de medicamentos líquidos em 1999. À época, a EMS considerou proibitivos os preços de terrenos vizinhos à unidade de São Bernardo e foi seduzida por benefícios encontrados na Grande Campinas: 10 anos de isenção de IPTU e terraplenagem total do terreno.


 


Há dois anos, no entanto, a EMS anunciou que investiria US$ 10 milhões na planta de São Bernardo para modernizar a produção dos sólidos — comprimidos de antibióticos e pílulas anticoncepcionais. Mas, da mesma forma que a maioria dos aportes feitos na região nos últimos anos, o dinheiro proporcionou muito mais ganhos de produtividade do que criação de postos de trabalho. Dos cerca de três mil funcionários da empresa, apenas 400 estão no Grande ABC. Em fevereiro do ano passado, a EMS anunciou a construção de novas fábricas em Sergipe e Brasília, projetos em fase de estudo de viabilidade técnica e financeira. A empresa também está prestes a iniciar operação comercial em Lisboa, Portugal.


 


A Yakult, outro empreendimento tradicional da região, já tornou pública a intenção de investir R$ 1 milhão na modernização da unidade de São Bernardo. Depois de transferir toda a linha do leite fermentado para Lorena, no Vale do Paraíba, onde inaugurou sua maior unidade em 1999, quer trazer para São Bernardo a produção de 11 cosméticos de tratamento facial. A Yakult comercializa cosméticos importados do Japão e fabricados por empresas terceirizadas. Com produção própria, deve gerar 30 vagas. A empresa emprega 300 funcionários no Interior e 80 no Grande ABC. Além dos cosméticos, a unidade em São Bernardo fabrica alimentos mais sofisticados como o complexo vitamínico Taff Man E.


 


A Yakult de São Bernardo foi construída em 1969 e, conforme explicou o então prefeito Maurício Soares, a cidade perdeu o investimento em ampliação por causa da burocracia. A unidade está instalada às margens da Via Anchieta, em área de proteção aos mananciais, o que teria dificultado a obtenção de licença para a ampliação. De qualquer forma, a Yakult foi brindada pela Prefeitura de Lorena com terreno e isenção de IPTU. A empresa também tem operação em Lages, Santa Catarina, para a fabricação de alimentos, e uma fazenda em Bragança Paulista onde concentra um posto de laticínios e pecuária.


 


Instalada em Santo André desde 1919, a francesa Rhodia está entre os exemplos mais emblemáticos da compactação que atingiu o parque fabril regional. O complexo químico-têxtil chegou a ter mais de 13 mil funcionários na década de 70 e hoje emprega menos de 1,6 mil, dos quais quase 1,5 mil na área têxtil e pouco menos de 100 na química. “Quando entrei na Rhodia, em 1988, eram 1,2 mil trabalhadores na divisão química e 7,5 mil na têxtil, mas os funcionários mais antigos contam que a têxtil já teve 10 mil funcionários e a química 3,8 mil” — comenta o operador de processos químicos e diretor do Sindicato dos Químicos do ABC, Otávio dos Santos.


 


A estrutura física da Rhodia sofreu redução como resultado da adoção de tecnologias poupadoras de mão-de-obra e transferência de linhas de produção para outras unidades do grupo francês. Pelo menos 14 galpões foram derrubados e 30 mil metros quadrados de área construída eliminados — ou quase metade do Parque Celso Daniel — no complexo industrial instalado na Avenida dos Estados.


 


Apesar do enxugamento radical, a Rhodia mantém-se na quarta colocação entre os maiores contribuintes de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de Santo André graças a investimentos constantes. O mais recente foi a instalação de uma unidade automatizada de dipping (tecidos para pneus) que exigiu aporte de US$ 10 milhões. O complexo Rhodia no Grande ABC, que abrange ainda uma fábrica de plásticos de engenharia em São Bernardo, representou 47% do faturamento de R$ 1,87 bilhão no Brasil em 2003.


 


Fim das perdas?


 


O fato de o Grande ABC ter recuperado mais de cinco pontos percentuais no Valor Adicionado em 2003 e de as empresas estarem investindo na região é alentador, mas ainda não autoriza decretar o fim do ciclo de perdas industriais. Estudos do IEME mostram também que nos últimos cinco anos completados em dezembro de 2003 a região viu desaparecerem 1.655 unidades industriais, de acordo com registros do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). Os números têm relação direta com a febre de empreendedorismo que se alastrou na metade dos anos 90 como efeito direto da terceirização das grandes empresas e dos negócios próprios montados por ex-trabalhadores da indústria. O sumiço de indústrias também mostra que a guerra pela competitividade continua implacável com pequenos estabelecimentos sem inovação tecnológica e sem escala de produção.


 


Essa diferença entre quantidade de empreendimentos e qualidade produtiva está expressa em outro estudo do IEME. O Grande ABC perdeu numericamente menos indústrias que Campinas e Sorocaba, cidades-sede de duas regiões pródigas em atrair investimentos produtivos. Foram 17,54% de perdas, contra 18,76% e 19,42% respectivamente. Mas os números de Valor Adicionado põem um freio em eventual euforia. Nos últimos cinco anos os sete municípios do Grande ABC perderam 27,7% de participação industrial na Grande São Paulo, enquanto as demais 32 cidades da metrópole tiveram decréscimo de 6,44%. Outras regiões metropolitanas paulistas apresentaram saldo positivo.


 


A pesquisa do IEME envolveu 90 cidades paulistas e apontou Ribeirão Pires como a que mais sofreu com perdas de Valor Adicionado: 57,83%. A queda escancara, além das reviravoltas conjunturais e macroeconômicas, a inépcia dos poderes públicos locais ao fecharem os olhos para a debacle de empresas e acharem durante anos que a ocupação de galpões desativados por grandes lojas de varejo impulsionaria o desenvolvimento econômico. O ABC Plaza ocupa área da antiga Black & Decker em Santo André, que se mudou para o sul de Minas, e o Extra São Caetano está no lugar da ZF, hoje em Sorocaba, para citar dois gigantes industriais que se evadiram no vácuo da guerra fiscal e do Custo ABC.


 


O Grande ABC também não conseguiu emplacar um desenvolvimento econômico integrado regionalmente, o que coloca o Consórcio de Prefeitos, a Câmara Regional e a Agência de Desenvolvimento no papel de figurantes do processo. A própria história do encolhimento industrial de Ribeirão Pires ajuda a entender as peculiaridades local e regional. Essa estância turística tem 100% do território enquadrado na lei de proteção aos mananciais e sofre com as restrições ambientais para implantação de empresas. Mesmo assim, conseguiu atrair alguns negócios ambientalmente corretos, como engarrafadoras de água, e foi a única cidade da região a aplicar de fato a Lei de Incentivos Seletivos. A Loto Fiscal, como LM batizou, foi formatada pelos sete municípios para evitar a guerra fiscal interna e garantiu a permanência e ampliação da Inox Tubos em Ribeirão Pires. A iniciativa, no entanto, foi insuficiente para compensar a desativação de empresas tradicionais do Município como Brosol e Philips.


 


“Além de todas as transformações provocadas pela globalização, sofremos com a falta de ação dos governos municipais e com a fraca representatividade política. As secretarias de Desenvolvimento Econômico foram implantadas com muito atraso” — lamenta o fundador do IEME, Nelson Tadeu Pereira, sobre a introdução dessas instâncias governamentais apenas na gestão dos atuais prefeitos. Nelson Pereira fala com propriedade porque foi secretário de Desenvolvimento Econômico em Santo André entre 1997 e 2000 e conta passagem elucidativa. Ele visitou a Cofap na condição de executivo público e o lendário empresário Abraham Kasinski lhe disse que, em 30 anos de atividade, nunca havia recebido um representante do poder público para falar sobre negócios. Tarde demais. Assim, como a maioria das autopeças locais, a Cofap não resistiu à acirrada concorrência das players globais e acabou vendida para uma multinacional italiana.


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