Temos uma boa e uma má notícia para quem torce pelo sucesso do Atrium Shopping, empreendimento da Brookfield plantado no Bairro Homero Thon, área esquecida ao longo de décadas. A boa notícia é que, desde que foi inaugurado, há um mês, aumentou em mais de 100% o número de lojas disponíveis aos consumidores. A má notícia é que, mesmo assim, não passa de 14% a taxa de ocupação. O Atrium Shopping reserva espaço a 350 lojistas, mas até ontem apenas 48 estavam ocupados, 26 acima dos 22 que abriram as portas no dia da inauguração, em 29 de outubro.
Não pretendo repetir a descrição do que meus olhos viram um dia após a inauguração, quando autoridades públicas locais, prefeito Carlos Grana à frente, desfilaram verborragia triunfalista. A secretária de Desenvolvimento Econômico de Santo André, Oswana Fameli, que provavelmente jamais entrou numa fábrica em funcionamento ou nos escombros de fábricas que faliram ou se escafederam, disse que aquele centro de compras era a prova de que a cidade é um primor de avanços.
Fui ao Atrium Shopping apenas para atualizar os números de ocupação e também para checar até que ponto o entorno do empreendimento, que contará com torres residenciais, de escritórios e hotéis, já não tem semelhança com um espaço invadido por terroristas. Dei-me mal porque para chegar ao estacionamento do Atrium Shopping é preciso resignação e coragem. Resignação porque há dificuldades imensas para encontrar o caminho mais adequado num trânsito infernal. Coragem porque há obras por todos os cantos a ameaçar a integridade de veículos e ocupantes.
O mais lastimável é que o Atrium é um shopping bonito, agradável, com facilidades logísticas que, por exemplo, o Golden Square de São Bernardo, inaugurado uma semana antes, não oferece no mesmo nível de aprovação. Mas de que adianta o Atrium ser fisicamente o que se apresenta se os corredores que supostamente levariam ao consumo são corredores emparedados por tapumes multicoloridos à espera de lojistas? Jamais havia experimentado a sensação de um vazio imenso num shopping como a experiência de um mês atrás, repetida agora.
Sei lá se vou continuar a contagem vagarosamente crescente de ocupação do Atrium Shopping. Ainda faltam 302 lojas ao público, porque se anunciaram oficialmente durante todo o período de vendas que seriam 350 espaços. Talvez desista da empreitada. Até porque, cauteloso, preferi me dirigir àquele espaço depois de almoçar no Restaurante São João. Garanti uma boia caseira que imaginava não encontrar no Atrium. E fiz bem porque, embora ofereça 14 lojas especializadas em fastfood, o atendimento é precário. Os rapazes e as moças estão perdidos. Transmitem a impressão de que nem treinados foram para dar conta do recado. E olha que são logomarcas famosas ali instaladas. Será que os jovens participaram de concursos às avessas, nos quais os piores seriam desembarcados no Atrium em fase experimental?
De volta ao Golden Square
Pretendo voltar ao Golden Square nesta semana. Vou repetir lá o mesmo procedimento a que me dei o trabalho no Atrium: contar loja por loja ocupada e comparar o total com o universo anunciado. Não é por nada não. Peguei a mania de desconfiar do noticiário da Imprensa sempre que marqueteiros entram na parada; sejam marqueteiros políticos, sejam econômicos.
A beleza, a funcionalidade e o ambiente interno agradável do Atrium Shopping me remetem a uma imagem que alguns reprovarão mas que explicito porque não resisto: é uma mansão supostamente coalhada de virgens sedutoras com o inconveniente de que está fincada no centro de uma imensa floresta e, superadas todas as dificuldades de acesso, o que se encontra, na maioria dos casos, são aposentos fechados a sete chaves. Aqueles corredores de tapumes multicoloridos do Atrium Shopping são isso, se querem saber.
Total de 1995 matérias | Página 1
04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC