Deu no Estadão de domingo (e deveria ter repercussão num País que clama por reforma geral muito além de tentarem decifrar o DNA Cultural dos Rolezinhos) uma notícia que interessa muito à Província do Grande ABC: já que nossas entidades sociais, econômicas e culturais estão literalmente falidas, sem agrupamentos humanos que se mobilizem para enfrentar os poderosos de plantão, que tal emergirem interessados em organizar uma franquia do Observatório Social do Brasil, ONG instalada em mais de sete dezenas de municípios brasileiros e cujo foco é o combate à corrupção?
Será que haveremos de ter voluntários a essa empreitada? Só essa iniciativa pode nos tirar do lamaçal de comodismo e de acovardamento. Para fermentar essa proposta é preciso ter tutano, porque muitos interesses escusos serão contrariados.
Li a matéria do Estadão domingo de manhã e me recriminei porque até então não tinha conhecimento algum sobre o Observatório Social do Brasil. Das duas uma: ou estou desatento nas leituras diárias ou aquela entidade não conta com a divulgação necessária. Aposto tudo na segunda alternativa, porque se tem alguém que é viciado em garimpar novas informações, esse alguém sou eu.
Qualquer dia desses escrevo como me movo no mar de informações impressas e digitais em busca de alta produtividade somada à qualidade dos textos. Quem acha que isso é coisa simples, que qualquer amador em leitura pode dar conta, amador é.
Apoio improvável
Mas vamos ao que interessa. Tudo seria simplificado, massificado e provocaria estouros de champanhe entre aqueles que querem ver uma Província do Grande ABC sob novos desígnios se o conjunto da mídia regional propagasse as vantagens da ONG que surgiu no Paraná e se espalha lentamente pelo País. Mas será que a mídia regional vai meter a colher nessa sopa de vantagens sociais? Duvido, duvido e duvido. Há uma sobreposição econômica da maioria dos veículos de comunicação da região por organizações políticas. Falida no mercado publicitário já há alguns anos, a Província do Grande ABC não dá sustentação da livre iniciativa à liberdade de imprensa no sentido mais verdadeiro da expressão, não do jogo de palavras que impermeabiliza safadezas.
Sem a mídia como incentivadora à instalação da ONG, não restaria saída senão ação intensa nas redes sociais. A alternativa se fortalece ao sabor do barateamento de equipamentos móveis e da avalanche tipicamente tropical de individualidades tanto anônimas como reconhecidas buscarem 140 caracteres de fama e de autoestima.
Sei que as redes sociais desfilam mais egos que propostas, mais lantejoulas que mergulhos reflexivos. Também sei que reúnem muitos guetos defensivistas de administrações públicas estrategicamente preparadas para combates virtuais. Entretanto, quem sabe, aproveitando mesmo eventual minoria bem nutrida de cultura, inconformismo, dedicação e interesse por mudanças, não se chegue a uma turma que daria o pontapé inicial no projeto que parece sério a ponto de excluir -- vejam que informação importante, para não dizer crucial -- quem tiver filiação partidária?
A força dos editais
Segundo a reportagem do Estadão de domingo (na verdade, uma entrevista com Ater Cristófoli, presidente da ONG) o primeiro Observatório Social do Brasil surgiu em 2004, no rastro de um escândalo de desvio de recursos
A entrevista do presidente da ONG ao Estadão destaca que um manual de procedimentos foi formulado pela Price Watherhouse, uma das mais badaladas auditorias do País. “Quem mais rouba não é o poder público. Em geral são as empresas que pegam o edital, combinam a coisa antes e vão acertadas para o pregão. Agora, estamos indo além. Melhor do que saber que a Prefeitura pagou 49 centavos por uma caneta – o preço normal – e não R$ 3,50, é ver se a caneta é necessária. Só aí se faz o edital – disse o presidente. Do qual discordo: não há mutretagem em forma de licitação que não seja de conhecimento do Poder Público. O que se apresenta na formalidade de suposta disputa concorrencial é apenas um jogo de cena. Os principais protagonistas estão incrustrados direta ou indiretamente nos escaninhos do poder.
A ONG Observatório do Brasil tem avançado significativamente. Em março prevê o quinto congresso nacional, evento programado para Santa Catarina. O impulso que a organização alcançaria caso fosse adotada pela mídia como exemplo a ser seguido e fortalecido seria suficiente para provocar série de alterações na mambembe estrutura das instituições sociais brasileiras, reproduzidas nas organizações da região que, em larga escala, apenas fingem independência, apenas sugerem planejamento, apenas oferecem perspectiva de transformações. No fundo, no fundo, apenas jogam para a plateia já que suas parcas e mais que manjadas lideranças, com exceções de praxe, querem mesmo é arrumar boquinhas nas administrações públicas.
O caso da Acisa pró- eleição e pró-gestão de Carlos Grana é emblemático. Instituiu-se suruba que causa arrepios nos interiores da própria entidade, subdivida entre apoiadores e opositores da aventura pró-petista. Como não há compromisso coletivo de sustentação de um projeto que contribua com a plataforma de representação dos interesses da região, porque o individualismo fala mais alto, a paralisia diretiva é marca registrada. Acisa e congêneres na região fingem que são apolíticas, que gozam de autonomia, mas, todos sabem, se entregam docilmente ao primeiro aceno de cada novo Executivo que toma posse; quando não antes, como
A ONG Observatório Social do Brasil está aí e, até prova em contrário, introduz novo modelo de assessoramento da sociedade em instâncias públicas tendo como base operacional a marcação homem a homem nos editais de compras de produtos e serviços, mapa da mina das malandragens. Mata-se o mal pela raiz, ou ninguém mais é capaz de segurar a roubalheira. A preparação de gente para essa tarefa é um dos pontos mais valiosos da ONG. Precisa mais?
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS