Economia

Classe média da Província perde para
São Paulo, Brasil, Norte e Nordeste

DANIEL LIMA - 01/04/2014

Uma boa e uma má notícia para quem acompanha o andar da carruagem do desenvolvimento econômico da região: os cinco municípios da Província do Grande ABC que integram o G-20, o grupo das 20 localidades mais importantes do Estado de São Paulo, dobraram o contingente de famílias de classe média tradicional (média-média e média-baixa) desde a implantação do Plano Real. A má notícia é que os 108,60% de crescimento no período são 59% inferiores aos registrados no Brasil, que, durante o período, avançou 264% nesse estrato social. Outros indicadores são semelhantemente desvantajosos à Província, quando não completamente desvantajosos.


 


A Província perde para o crescimento da classe média-média e média-baixa no Estado de São Paulo, que chegou a 186,20% (41,67% superiores) e também para o próprio G-20, que alcançou 145,60% (25,41% maiores). Se a comparação de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá for com o avanço dos Estados do Nordeste, a desvantagem será ainda maior: os 358,80% registrados pelos nordestinos significam crescimento superior da classe média de 69,70%. Já no confronto com os Estados do Norte, os municípios da região são ainda mais massacrados: os 396,30% acumulados de elevação do contingente de classe média tradicional são 72,54% superiores aos da região.


 


Se no aumento relativo de novos domicílios de classe média-média e média-baixa o conjunto formado por Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá perde feio para os demais referenciais geográficos, no universo proporcional de famílias desse estrato social quando confrontado com o total de moradias, a Província manteve superioridade, embora cada vez menos expressiva. O índice de participação de famílias de classe média tradicional dos cinco municípios da Província alcançou 42% em 2013, ante 31,10% em 1994. O crescimento de 35,16% é inferior ao dos concorrentes.


 


Estado cresce 73,12% acima


 


No Estado de São Paulo, a participação de famílias de classe média em 2013 chegou a 39,30% da população total, resultado 73,12% superior entre a base (22,70%) e o extremo da comparação. No Brasil, eram 15,80% as famílias de classe média em 1995, ante 32,10% em 2013 -- crescimento de 103,16%. Ou seja: os moradores de classe média do Brasil, quando comparados ao total da população, avançaram em velocidade 66% superior à registrada pela Província. A distância que separa a participação da classe média da Província no conjunto da população regional em relação ao mesmo conceito no Brasil caiu 15,30 pontos percentuais, ou praticamente à metade. 


 


Já na comparação com a média da Região Norte, a redução da distância da Província desenvolvida ao longo de décadas e aqueles Estados da Federação foi ainda mais expressiva: o Norte contava com apenas 13,80% de residências de classe média em 1995 (55,62% abaixo da média da Província) e chegou a 27,30% em 2013 (35% abaixo da Província). Já o Nordeste contava em 1995 com 8,50% da população entre famílias de classe média (72,69% abaixo da Província), enquanto na ponta da pesquisa, em 2013, alcançou 20,20% (51,90% abaixo da Província).


 


Esses números e outros mais fazem parte do banco de dados do IPC Marketing e Editora, empresa comandada pelo especialista Marcos Pazzini e se referem ao potencial de consumo que cada Município brasileiro teve disponível em 1994 e em 2013.


 


Potencial de Consumo é um indicador socialmente mais robusto que o PIB (Produto Interno Bruto), porque mede a disponibilidade financeira de cada família. PIB é a geração de riqueza não necessariamente interiorizada nos municípios. Por exemplo: vasto contingente de trabalhadores da Volkswagen do Brasil, em São Bernardo, não mora na Província do Grande ABC. Desta forma, os valores relativos a salários, prêmios, poupança e outros investimentos financeiros que detêm são contabilizados nos respectivos endereços domiciliares. Da mesma forma, moradores da região que atuam na Capital têm recursos financeiros consolidados nos municípios locais.


 


Valores monetários também abaixo


 


Outra vertente levantada pela IPC Marketing sobre o comportamento da classe média tradicional no Brasil a partir do Plano Real refere-se a valores monetários disponíveis em cada Município e Estado. E também nesse ranking os cinco municípios da região no G-20 se dão mal: no período e em termos nominais, sem considerar a inflação, a Província do Grande ABC registrou crescimento de 425,60% do total disponível de dinheiro para consumo da classe média convencional. O Estado de São Paulo avançou 592,90% (28,21% superiores), o Brasil avançou 768,50% (44,70% superiores), a Região Norte 955,10% (55,44% superiores) e a Região Nordeste 929,40% (54,20% superiores).


 


Também o crescimento do potencial de consumo do G-20, incluindo-se os cinco municípios da Província, é superior ao registrado pelos representantes da região: 483,40% contra 425,60, ou vantagem de 12%. Os números registrados pelo G-20, quando contrapostos aos números dos cinco municípios da região no agrupamento, são bastante úteis porque, como ocorreu na comparação das famílias ricas detectadas pelo IPC Marketing, confirmam a tendência de perda de competitividade da Província na produção e na absorção de classes sociais mais robustas tanto em termos absolutos quanto relativos. Os confrontos com a média brasileira e com as regiões Norte e Nordeste são massacrantemente ruins para a Província.


 


Entretanto, não podem ser desconsideradas as defasagens históricas entre aquelas áreas geoeconômicas e as regiões metropolitanas, numa das quais a Província está inserida. A velocidade bastante superior de absorver e criar mais famílias de classe média naquelas regiões e mesmo no Brasil como um todo reforça a marca de que a Província está cada vez menos distante do Brasil em diversos indicadores econômicos. Trata-se de movimento com duas faces. Primeiro, é natural que a Província cresça menos que outras localidades do Norte e Nordeste e também que a média do País, porque existe há muito tempo o deslocamento do eixo de transformação industrial para áreas relativamente afastadas das metrópoles, seguido de deslocamento demográfico. Segundo, os impactos dessas mudanças são mais pronunciados onde os indicadores de potencial de consumo são mais suscetíveis a incrementos, porque a base de comparação é bem menor. Mas, mesmo assim, o desempenho da Província não escapa à debilidade do esvaziamento industrial, porque sofre contínuos reveses ante endereços semelhantemente maduros, integrantes do G-20.


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