Completam-se cinco anos agora em sete de junho desde que o prefeito Luiz Marinho ainda apenas prefeito, ou seja, sem o acúmulo de cargo de comandante do Clube dos Prefeitos do Grande ABC, liderou movimento que lançou no Teatro Cacilda Becker o que veio a ser chamado de Grupo Automotivo. Promessas foram feitas, holofotes iluminaram até ministro de Estado, os tucanos boicotaram o evento e o que temos nestes dias não é nada diferente do dia seguinte àquela festa: nada vezes nada. Por isso continuamos a viver de favores do governo federal, sempre pronto a injetar adrenalina postiça de alguma competitividade automotiva em troca do silêncio e das vantagens dos trabalhadores e sindicalistas.
Se o leitor tem dúvidas sobre a inoperância de Luiz Marinho numa problemática que agora, nestes dias, tem-se revelado devastadora, com desemprego formal e emprego privilegiado em forma de descanso remunerado a custa dos contribuintes, basta ir à Internet e digite “Grupo Automotivo”. Faça a experiência antes de dizer que este jornalista está a perseguir o petista porque o petista entre outras safadezas administrativas não tomou providência alguma para abastecer o Ministério Público com documentação comprobatória das irregularidades do empresário Milton Bigucci no leilão da área pública que se está transformando em empreendimento imobiliário.
O que esperar de uma Administração Pública se nem mesmo na suposta especialidade que deteria (afinal, Marinho foi dirigente sindical durante muitos anos) é capaz de fazer acontecer? Luiz Marinho fez daquele encontro puro marketing, acreditando piamente que não há jornalismo com memória na Província do Grande ABC como também não haveria jornalismo organizado para perscrutar promessas e lorotas.
Não vou desfilar aqui uma massa de sugestões que o prefeito de São Bernardo poderia preparar aos demais titulares dos Paços Municipais na tentativa de convencê-los de que a indústria automotiva da região deveria ser o núcleo maior de planejamento para senão neutralizar pelo menos amenizar os tempos difíceis que virão, como outros tempos difíceis que vieram nos anos 1990.
São muitos os quesitos que poderiam ser acionados sem sequer mexer nas cláusulas sagradas do sindicalismo metalúrgico regional para que a Província saia da pasmaceira de dependência cada vez maior de benesses tributárias e trabalhistas do governo federal. Juro que teria condições de desfilar uma enxurrada de propostas mais que exequíveis, mas a troco de que faria se sei que sei que a Administração Luiz Marinho dará de ombros porque está mais preocupada em manter velhos vícios de guerra, de lobby em instâncias que julgam decisivas, em vez de produzirem medidas reparadoras?
Vivendo de favores
O desprezo de Luiz Marinho pelo Grupo Automotivo que ele mesmo desfraldou como bandeira de redenção do setor na região é suficiente para que se entenda até que ponto a economia da Província do Grande ABC está jogada às traças. O aumento do desemprego industrial, que os ingênuos minimizam ao dar destaque midiático a empregos dos setores de comércio e de serviços, é um velho fantasma que retorna à cena. Os anos 1990, com corte de 100 mil empregos industriais, 85 mil dos quais durante o governo Fernando Henrique Cardoso, parece que não serviram para nada.
Nos últimos cinco anos, como em tantas outras temporadas, o governo federal saiu a campo para reduzir a carga tributária do setor e para facilitar o financiamento de veículos, mesmo com altíssimos índices de inadimplência. Agora, chegou a hora de a onça beber água: o governo Dilma Rousseff queima as pestanas para tentar mover um corpo flácido mas sabe que a encruzilhada da desaceleração da demanda exige mais que o facilitarismo decisório de antes. Produtividade, competitividade, redução da margem de lucro, reconfiguração do mercado de trabalho, tudo isso e muito mais açoitam os protagonistas do setor automotivo. Sem contar que a capacidade de produção aproxima-se de cinco milhões de unidades por ano e a demanda não supera a 3,5 milhões.
Luiz Marinho saiu açodadamente logo após a consagração nas urnas em busca de manchetes que lhe conferissem uma imagem de Celso Daniel redivivo. Houve quem acreditasse, inclusive este jornalista, que, contexto econômico e político absolutamente favorável, Luiz Marinho pudesse, com estilo diferente, porque metalúrgico e Celso Daniel intelectual, contar com colaboradores de peso na elaboração de propostas que revolucionariam a economia da região a partir de São Bernardo, nossa Capital Econômica. Ledo engano.
Os textos abaixo mostram em detalhes como foi aquele encontro no Cacilda Becker e o quanto acreditamos que Luiz Marinho era o nome e o sobrenome de novos tempos na região. Estão vendo os leitores por que já não dá mais para produzir textos otimistas? O tempo e os gestores públicos de baixo preparo nos fazem passar de crédulos a otários.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC