A Província do Grande ABC é um fracasso no Campeonato Brasileiro de Emprego e Renda, como batizamos esse indicador do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal) criado em 2008 e que monitora o comportamento socioeconômico dos municípios brasileiros. Desde o lançamento dos estudos até a última atualização neste ano, com dados de 2011, a Província de sete municípios e quase três milhões de habitantes desabou em emprego e renda. Como nesse período o PIB (Produto Interno Bruto) da região recuperou parte das perdas dos anos 1990, o resultado é ainda mais dramático. O que vem na sequência com a fragilização do PIB?
Em 2008 o indicador de emprego e renda da Província do Grande ABC no IFDM, como é conhecido o trabalho da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, registrava 0,7105 ponto, ante 0,6172 ao final de 2011. O Índice Firjan regula em três vertentes (Saúde, Educação e Emprego & Renda) essa espécie de Campeonato Brasileiro de Municípios. A modulagem vai de 0 (mínimo) a 1 ponto (máximo) para classificar o nível de cada cidade em quatro categorias: baixo desenvolvimento (0 a 0,4), regular (0,4001 a 0,6), moderado (de 0,6001 a 0,8) e alto desenvolvimento (de 0,8001 a 1). A Província do Grande ABC se manteve em emprego e renda na categoria moderada, mas ficou muito mais próxima de regular. Já no Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida, que seria o somatório dos três indicadores, a Província soma pontuação suficiente para instalar-se na Série A. Mesmo com os tropeços da economia.
Tudo indica que nas próximas edições do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal na modalidade de emprego e renda o conjunto dos municípios da região poderá ter números ainda piores, quem sabe descendo de categoria. Seria rebaixado para a Série C, já que a categoria alto desenvolvimento pode ser relacionada à Série A, a categoria moderado desenvolvimento à Série B, o regular desenvolvimento à Série C e a categoria baixo desenvolvimento à Série D. Como em 2011, base dos novos dados da pesquisa, 2012 e 2013 também registraram resultados insatisfatórios do PIB na região. No ano passado houve congelamento ao se deflacionarem os valores monetários.
O IFDM de Emprego e Renda foi o único indicador que recuou em 2011 no conjunto de mais de cinco mil municípios brasileiros. Passou de 0,7261 para 0,7219 ponto (-0,6%). O número de municípios com alto desenvolvimento caiu de 124 para 97, enquanto o de municípios com baixo desenvolvimento aumentou de 1.624 para 1.686. Os dados, segundo os especialistas da Firjan, refletem a desaceleração da economia brasileira em 2011, quando o saldo de geração de postos de trabalho com carteira assinada foi 23% inferior ao registrado no ano anterior.
Ninguém na Série A
Nenhum representante da Província do Grande ABC consta da relação da Série A do Campeonato Brasileiro de Emprego e Renda, ou de alto desenvolvimento. São Caetano (0,7858), São Bernardo (0,7385), Santo André (0,6883) e Diadema (0,7098) estão na Série B do Brasileiro, de desenvolvimento moderado. Mauá (0,5376) e Ribeirão Pires (0,5466) estão na Série C, de desenvolvimento regular. Rio Grande da Serra (0,3136) faz parte da lista da Série D, de baixo desenvolvimento. Em 2005, na primeira versão do IFDM, São Caetano constava da Série A, de alto desenvolvimento, com 0,8570 ponto. Santo André, São Bernardo e Diadema já estavam incluídos na Série B, enquanto, Ribeirão Pires e Mauá já disputavam a Série C. Rio Grande da Serra parece destinada à Série D, de baixo desenvolvimento.
A situação de emprego e renda da Província do Grande ABC azedou no período de sete anos de estudos da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. A média de pontos registrados pela região sofreu queda de 13,13%, passando de 0,7105 para 0,6172. O resultado é mais preocupante quando se observa que a média brasileira tomou rumo inverso, ao ganhar impulso de 20,10%, passando de 0,6011 para 0,7219 ponto. Ou seja: em 2008 a Província do Grande ABC acumulava vantagem de 15,39% no confronto com a média brasileira e oito anos depois foi superada em 16,96%. O resumo dessa ópera comparativa é simples: houve degradação da qualidade de emprego e renda na região. Como se os anos 1990 não fossem suficientes.
Novos conceitos
O Índice Firjan de Emprego e Renda contemplou na temporada de 2011 os conceitos de desigualdade e absorção da mão de obra local. O primeiro indicador incorporou ao cálculo do IFDM o Índice de Gini, medido a partir da remuneração dos trabalhadores com carteira assinada, iniciativa que permite avaliar a concentração da renda gerada no mercado de trabalho local. Já o conceito de absorção da mão de obra local, segundo relatório dos especialistas da Firjan, mede a capacidade de cada Município de absorver a população local através da relação entre o estoque de trabalhadores com carteira assinada e a população em idade ativa. “Nessa vertente, também foi substituída a variável salário pela massa salarial, de forma a captar a relevância econômica do Município e o seu potencial de servir como vetor de desenvolvimento para outras cidades” – afirma o relatório.
O Campeonato Brasileiro de Emprego e Renda da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro leva em conta cinco variáveis: geração de emprego formal, absorção da mão de obra local, geração de renda formal, salários médios do emprego formal e desigualdade. O que tudo isso significa para a Província do Grande ABC? Que o glamour do setor automotivo, no qual as montadoras de veículos de passeio, principalmente, transmitem a sensação de que vivemos no Primeiro Mundo, não passa de ilusão. Mais que isso: confirma amplamente uma reportagem de capa que produzimos para a revista LivreMercado em janeiro de 2001. Naquela edição, mostramos o quanto o emprego na Província do Grande ABC era subdividido entre trabalhadores de primeira, de segunda e de terceira classe.
Economia atrapalha
Os indicadores de emprego e renda da Província do Grande ABC comprometem o resultado geral do Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida, como poderia ser rotulado o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal. Essa competição envolve, além dos indicadores de emprego e renda, as modalidades de saúde e educação. Por conta das fraquezas econômicas, a média geral dos municípios da Província acaba comprometida. Por isso, no período de oito anos de pesquisas da Firjan, caímos bastante na competição.
Em 2008 a Província acumulou 0,7797 ponto no Brasileiro de Qualidade de Vida, mas avançou apenas levemente (2,77%) em 2011 para 0,8013 ponto por causa dos desencaixes de emprego e renda. Já a média brasileira na competição aumentou 19,29% ao passar de 0,6136 para 0,7320 ponto. A diferença de qualidade de vida da Província em relação à média nacional caiu 21,30% para 9,88%.
São Caetano é o Município mais bem colocado da Província no Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida medido pela Firjan. Juntamente com Santo André, São Bernardo e Diadema integra a Série A da competição. São Caetano está em terceiro lugar com 0,9041 ponto, São Bernardo em 48º com 0,8593 ponto, Santo André é a 147ª colocada com 0,8329 e Diadema a 262ª colocada com 0,8097. Mauá (0,7556, em 800º lugar), Ribeirão Pires (0,7813, na 498ª colocação) e Rio Grande da Serra (0,6667, na 2203a posição) estão na Série B, de desenvolvimento moderado. O posicionamento individual em 2008 era melhor para a maioria dos municípios locais: São Caetano era campeã, São Bernardo ocupava a 57ª colocação, Santo André estava na 117ª posição, Diadema na 151ª, Mauá na 486ª, Ribeirão Pires na 214ª e Rio Grande da Serra na 1.370 colocação. Melhoria mesmo apenas de São Bernardo no período, ao evoluir do 57º para o 48º lugar.
Nos próximos dias voltaremos a analisar o Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida da Firjan, nos indicadores de Saúde e Educação.
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