O PIB (Produto Interno Bruto) da Província do Grande ABC vai cair pelo segundo ano consecutivo. Quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciar no final do ano o PIB dos Municípios Brasileiros na temporada de 2012, não escaparemos de nova degola de riqueza. Exceto se houver uma grande surpresa. Diferentemente do futebol, zebras não costumam passear pelo campo de jogo da economia, embora não faltem alquimistas a maltratar os números.
O PIB de 2013 da Província só sairá no ano que vem e deverá seguir a mesma trilha dos dois PIBs anteriores. Do PIB deste 2014, não é preciso nem falar. Quando o PIB brasileiro vai mal, o PIB da Província geralmente vai muito pior. Se o PIB Nacional cresceu míseros 0,9% em 2012, o que terá acontecido com o PIB da Província? Se perdemos 0,47% do PIB em 2011, enquanto o PIB Nacional cresceu 2,7%, resta alguma dúvida sobre o que vem aí?
Valor Adicionado é uma espécie de PIB sem os impostos. Os dados que constam do site da Secretaria da Fazenda do governo do Estado de São Paulo revelam o comportamento dos sete municípios da região na temporada de 2012. Exatamente a temporada do PIB a ser anunciado pelo IBGE em dezembro. Houve avanço nominal do Valor Adicionado da Província, ou seja, sem considerar a inflação, de apenas 0,52% entre 2011 e 2012. Quando se aplica o IPCA (Índice de Preço do Consumidor Ampliado), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que baliza os valores do PIB, a Província perdeu mais de 5% de produção de riqueza, já que o medidor registra 5,84%. Fosse aplicado o IGPM (Índice Geral de Preços ao Consumidor), da Fundação Getúlio Vargas, de 7,82%, a perda seria ainda maior.
Como acreditar, portanto, que o Valor Adicionado em queda, quando deflacionado, impedirá novo rebaixamento do PIB da Província do Grande ABC?
Doença Holandesa
A submersão do PIB em 2012 se deverá principalmente à representatividade asfixiante da indústria automotiva na economia regional. Faltam números precisos, estatísticas mais confiáveis, mas há projeção de que o setor automotivo da região representa 20% do quadro nacional. E supera em mais de 50% a influência sobre as mais diferentes atividades econômicas dos sete municípios. Sem as montadoras e as autopeças, a Província do Grande ABC sucumbe porque os danos colaterais se agigantam. O comércio vende menos, os serviços empacam, a construção civil reduz o ritmo.
Somos vítima de uma Doença Holandesa clara. Quanto mais uma atividade econômica concentra poderio num determinado território, mais vulnerabilidades conjunturais e estruturais se cristalizam. Depender das montadoras e das autopeças de forma tão abrangente é flertar com desarranjos sociais.
A economia do Brasil do governo Lula da Silva navegou nas águas plácidas de altas constantes de commodities minerais e agrícolas. Dançamos a dança dos deuses do Olimpo. O consumo foi incentivado. Uma nova classe média, que de média não tem nada, apareceu nas pesquisas bajulativas. Agora a biruta virou. Produtos agrícolas e minerais já não valem tanto no mercado internacional. A economia verde-amarela desanda também por conta disso. Não apenas por conta disso.
Não somos uma Detroit, mas convém não facilitar porque, principalmente nas duas últimas décadas, perdemos feio em qualquer tipo de campeonato de desenvolvimento econômico para as principais geografias brasileiras. Até mesmo para os entornos da Região Metropolitana de São Paulo, considerada por muitos uma área minada pela chamada deseconomia de escala.
Menos veículos produzidos
Na temporada de 2012, para a qual se prevê nova queda do PIB da Província, as vendas de automóveis e comerciais leves, apoiadas no desconto no Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) não sustentaram o crescimento da produção de veículos no Brasil. Por causa das dificuldades do setor de caminhões e ônibus, influentes também na geografia regional, e das exportações, o ano fechou com 3.342.617 veículos produzidos, volume 1,9% inferior a 2011.
Se uma parte desse volume de perdas de produção pertence à Província do Grande ABC, está claro que o vermelho do Valor Adicionado está mais que encaminhado como reflexo de uma situação que só foi salva em termos de vendas no mercado nacional, que atingiu 3.802.071 unidades em 2012, porque o governo federal tomou medidas para reverter a queda prevista no começo do ano. Foram negociadas 400 mil unidades a mais.
É verdade que, embora a arrecadação de IPI tenha caído devido ao desconto promovido pelo governo, o volume vendido compensou com a soma maior de todos os outros impostos que recaem sobre a cadeia automobilística, como o PIS/Cofins, segundo avaliação da Anfavea, a associação que reúne as fabricantes de veículos. Calculou a direção da Anfavea que a arrecadação adicional de impostos chegou a R$ 1,5 bilhão naquela temporada.
São Caetano melhor
É provável que quando o PIB de 2012 da Província for anunciado no final do ano, São Caetano trafegue com entusiasmo sobre os desconfortos da maioria dos demais municípios locais. O Valor Adicionado de 2012 de São Caetano cresceu em valores nominais 14% sobre o ano anterior – de R$ 10.409.398 bilhões para R$ 11.860.788 bilhões. Mauá também cresceu nominalmente, 8,49%, ao registrar R$ 7.463.556 bilhões ante R$ 6.906.441 bilhões do ano anterior. Rio Grande da Serra avançou nominais 3,15% (abaixo portanto da inflação do período) ao chegar a R$ 243.665 milhões, após os R$ 236.207 milhões do ano anterior. Ribeirão Pires avançou um pouco abaixo da inflação (5,6%) chegando a R$ 1.199.285 bilhão após R$ 1.135.151 bilhão de 2011. Santo André, São Bernardo e Diadema perderam fôlego não só para a inflação, mas também para os valores nominais. Santo André caiu em valores nominais 1,77% no Valor Adicionado de 2012, atingindo R$ 9.086.646 bilhões ante R$ 9.266.521 bilhões do ano anterior. Diadema caiu em valores nominais 1,45%, com R$ 9.017.551 bilhões, ante R$ 9.182.744 bilhões de 2011.
Quem sofreu mais mesmo foi a principal economia da região e maior produtora municipal de veículos: São Bernardo registra perda nominal de 4,64% do Valor Adicionado de 2012, com R$ 30.079.496 bilhões ante R$ 31.680.750 bilhões do ano anterior. Quando se aplica a deflação, o mergulho supera 10%. Está aí o grande calcanhar de Aquiles da economia regional. Quando São Bernardo vai bem, a Província usa a máscara de um desenvolvimento econômico excessivamente centralizado num setor vulnerável às demandas do mercado e da competitividade internacional. Resultado final do Valor Adicionado: em 2011 foram registrados R$ 68.595.520 bilhões na Província do Grande ABC. Já em 2012, dados da Secretaria da Fazenda do Estado apontam R$ 68.950.987 bilhões.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC