Economia

Receita disponível pesa mais
no Ranking de Excelência

DANIEL LIMA - 01/09/2004

Os leitores deste Diário tiveram oportunidade de acompanhar na semana passada a divulgação e a análise do Ranking de Excelência Administrativa no Grande ABC. Pela primeira vez desde que se iniciaram as rodadas avaliativas dos prefeitos dos sete municípios da região, colocaram-se números orçamentários como contraponto à avaliação dos gerenciamentos municipais. A medida inovadora, lastreada pelo banco de dados do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), ajuda a destrinchar os valores pessoais e gerenciais dos prefeitos, os imperativos históricos e o ambiente em que vive cada Município da região. Desse emaranhado metodológico emerge o ranqueamento.


 


Os valores pessoais e gerenciais de cada prefeito pesam sobremodo na percepção dos entrevistados dentro da moldura da auto-estima de cada Município, em síntese o núcleo das investigações do Instituto Brasmarket. Entendam-se por valores pessoais e gerenciais não necessariamente as qualificações individuais  e tangíveis dos prefeitos de plantão, mas o sentimento dos moradores pelo conjunto de ações práticas e subjetivas de quem tem a responsabilidade pela condução dos destinos locais. Vale pontos preciosos, nesse caso, a objetividade de tráfego e de mobilização do chefe do Executivo. Quem se faz notar leva nítida vantagem. Quem se enclausura acaba derrotado.


 


Já os imperativos históricos que permeiam a avaliação dos eleitores ouvidos pela Brasmarket são a imensidão de acontecimentos, registros e conquistas ao longo de décadas de cada Município. Nesse ponto leva vantagem quem dispõe, pelas circunstâncias específicas, de legados mais consistentes de antecessores cujas atuações individual e coletiva possibilitaram moldar o Município em grau mais próximo possível do desejado pela população.


  


Já o ambiente em que vivem os moradores de cada cidade tem peso relativamente importante também porque os comparativos socioeconômicos que se colocam sistematicamente com os anúncios de desempenhos nas mais variadas atividades acabam por configurar embates gerenciais. São muitas as premiações e indicadores sociais e econômicos que frequentam o noticiário e induzem moradores de cada localidade a se sentirem mais ou menos felizes.


 


Por mais estressante que seja o cotidiano de uma região inserida na enlouquecedora metrópole paulistana, há fatores de relacionamentos pessoais, sociais e profissionais determinando interpretações positivas ou negativas que se espalham pelo conjunto da administração pública. Como se sabe, somos um País intestinamente vocacionado à tutelagem do poder público. Instintivamente somos levados a delegar resoluções à onipresença do Estado, seja na esfera municipal, estadual ou federal.


 


Esse tripé, portanto, está na gênese interpretativa do Ranking de Excelência Administrativa preparado pelo Instituto Brasmarket. Entretanto, o embicamento com a numerologia orçamentária não pode ser desprezado. Pelo contrário: a dimensão de receitas gerais dividida pelo número de habitantes a ser atendidos é algo semelhante à diferença entre a renda familiar dos miseráveis, dos remediados, da classe média e dos ricos.


 


Colocado desta forma, sem qualquer sentido prestidigitador de abordagem, está claro que São Caetano é caso à parte como abastada prefeitura, inserindo-se portanto na metáfora dos ricos. Na outra ponta, também de forma inquestionável, está Rio Grande da Serra. São Bernardo entra nessa correlação social como classe média alta, contra o classe média média de Santo André e o classe média baixa dos demais municípios.


 


Até que ponto o fator econômico-administrativo pesa no ranqueamento final? Para os menos dotados de recursos, certamente muito. Para quem tem a vantagem da liderança, alçam-se a um patamar de maior importância os outros três fatores descritos. É claro que para quem detém o poder executivo e se encontra na ponta da tabela, nada se compara à capacidade individual e gerencial. Novas pesquisas vão provavelmente hierarquizar com mais segurança os efetivos pesos ponderados desse conjunto de ramificações que desencadeiam na definição de quem é quem na administração pública regional.


 


Particularmente, e pela ordem de importância, ficaria com a receita disponível por habitante em primeiro lugar, com os fatores históricos em segundo, com a capacidade individual e gerencial em terceiro e, em quarto, com o ambiente intermunicipal.  


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