Economia

Nem gêmeos, nem siameses

DANIEL LIMA - 01/06/2007

A Fiesp e o Ciesp voltaram a se juntar, depois de ruidosa separação há três anos. A reconciliação político-institucional não significa que houve equívoco no passado. O erro é histórico. Fiesp e Ciesp não são irmãos gêmeos nem siameses. Não são irmãos gêmeos porque não reúnem características genéticas iguais ou semelhantes, embora tenham nascido no mesmo berço. Não são irmãos siameses porque surgiram cronologicamente em tempos distantes e com propostas distintas. Primeiro o Ciesp, depois a Fiesp.


Então a pergunta que se faz é a seguinte: por que juntaram os trapos novamente?


A resposta é simples: o modelo da economicamente poderosa Fiesp e o modelo do mais modesto Ciesp são diferentes. A Fiesp reúne 124 sindicatos setoriais, enquanto o Ciesp abrange apenas ínfima parcela do empresariado estadual. Ou seja: a concentração de mando da Fiesp está diretamente relacionada à consolidação do poder institucional dos sindicatos.


O Ciesp sofre com a dispersão e os conflitos do que supostamente seria a base de apoio. A fragmentação se dá em dois planos. Primeiro, pela diversidade da indústria paulista, em tamanho de unidades e em realidades distintas de localização. Segundo porque há mais competição do que cooperação entre as empresas, a maioria de pequeno e médio porte que jamais participou do Ciesp como associada.


A expectativa de que o Ciesp liberto da Fiesp ganharia rumo institucional mais sólido e, portanto, conseguiria desvencilhar-se do modelo elitista que o caracteriza, a abarcar apenas parcela de empreendedores, acabou frustrada. O empresariado industrial de pequeno porte não responde aos eventuais chamamentos do Ciesp porque tem muito mais o que fazer, consumido por prioridades à sobrevivência. Salvo raras exceções, prevalecem nas unidades do Ciesp ações típicas de escritórios de serviço, voltados para a burocracia negocial. Estratégias municipais e regionais, como no caso do Grande ABC, são retórica pura.


A Fiesp envolta por problemas macroeconômicos que dão aos dirigentes visibilidade na mídia também pouco se importa de fato com a massa de pequenos empreendedores. Por mais que a entidade tenha passado por transformações técnico-operacionais nos últimos tempos, as demandas por soluções de crônicos problemas locais, regionais, estaduais e nacionais são infinitamente maiores e complexas.


A reconcentração do empresariado paulista em torno da Fiesp já era esperada. A separação do Ciesp foi uma tentativa inútil de obter luz própria num mundo de trevas. Lideranças do setor ainda acreditam que Fiesp e Ciesp são irmãos gêmeos idênticos em tudo, ou mesmo irmãos siameses, o que é mais grave. Fiesp e Ciesp são apenas parentes próximos. Desses que fingem o tempo todo que buscam os mesmos objetivos mas, no fundo, no fundo, se viram por conta própria.


O que interessa aos sindicatos de empresários necessariamente não diz respeito às empresas do setor, mas a apenas uma parcela mais mobilizada para tornar as agremiações ponta-de-lança de ações de marketing individual.


Esse jogo de bola dividida é manjado. O placar histórico está expresso na carga tributária que castiga a todos — mais os pequenos negócios do que os grandes.


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