Economia

Grande ABC volta a ficar
atrás do potencial mineiro

DANIEL LIMA - 03/05/2007

Os sete municípios do Grande ABC foram superados novamente por Belo Horizonte na disputa pelo terceiro lugar no Índice de Potencial de Consumo preparado pela Target Marketing, empresa paulistana que produz o mais confiável indicador de acumulação de renda e riqueza do País. Numa troca de posições que tem se mantido persistente neste século, como se ocupassem uma gangorra, o Grande ABC ficou atrás de Belo Horizonte por diferença mais que mínima: o índice regional para este ano é de 2,07011% enquanto os moradores da Capital mineira vão chegar a 2,07025%. No ano passado os mineiros alcançaram 1,98743%, contra 2,04144% do Grande ABC.


São Paulo segue na liderança com quase o dobro da participação do Rio de Janeiro (9,31660% contra 5,46532%), mas apresenta índice mais uma vez declinante, o que confirma a queda relativa e absoluta da Capital e também do Estado mais rico da Federação. Em 1995, quando a Target realizou os primeiros estudos, a cidade de São Paulo contava com 16,127% e os paulistas com 36,657% do potencial de consumo do País, contra 7,657% dos cariocas e 12,275% dos fluminenses. Agora, em 2007, os paulistas somam 29,860%, contra 11,256% do Rio de Janeiro. Ou seja: o Estado de São Paulo perdeu 18,54% de participação relativa, contra 8,30% do Rio.


A queda do Grande ABC surpreende, apesar de ter aumentado levemente o índice em relação ao ano passado. Afinal, o setor automotivo, carro-chefe da economia regional, conseguiu balanços positivos como segundo melhor resultado de produção de veículos da história. O Grande ABC detém mais de 60% da fabricação de ônibus e caminhões e 18% de veículos de passeio.


O novo ranking apresentado significa que pelos estudos da Target o Grande ABC tem potencial para consumir este ano R$ 31,186 bilhões, resultado da multiplicação do índice de 2,07011% pelo total do potencial de consumo do País, que atingirá R$ 1,506 trilhão. O valor deriva da cotação média do dólar prevista para R$ 2,15. Se o Grande ABC tivesse preservado o índice de participação de 1995, o consumo previsto para este ano atingiria R$ 43,8 bilhões. Uma diferença, portanto, de R$ 12,6 bilhões. Algo semelhante ao potencial de consumo de Guarulhos, terceira colocada no ranking paulista desta temporada, atrás apenas de São Paulo e de Campinas. Ou à soma do que Santo André e Bauru têm condições de gastar este ano.


Marcos Pazzini, executivo da Target Marketing, explica que o Índice de Potencial de Consumo mede a força econômico-financeira de cada Município no contexto nacional. O indicador municipal pode ser traduzido em valores em reais. No caso do Grande ABC, este ano serão potencialmente consumidos 2,07011% de cada R$ 100 do País.


O estudo preparado pela Target é batizado de “Brasil em Foco”. Apresenta dados demográficos e estatísticos com a quantidade de empresas por ramo de atividade e o potencial de consumo detalhado para 21 categorias de produtos, por classe econômica, definida segundo o poder de compra dos domicílios de cada Município Brasileiro.


O Índice de Potencial de Consumo da Target é importantíssimo quando analisado isoladamente na conjuntura econômica nacional mas também quando sistematizado com outros estudos. O indicador integra o conjunto de 15 quesitos que compõem o IGC (Índice Geral de Competitividade) do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), laboratório virtual que mede o pulso econômico, social, criminal e financeiro dos sete municípios do Grande ABC e outros 70 do Estado de São Paulo.


A queda contínua do potencial de consumo do Grande ABC e do Estado de São Paulo não é obra do acaso. Está relacionada ao esvaziamento industrial do Estado, sobretudo da Grande São Paulo. Tanto que o cruzamento dos dados com estudos recentes do Atlas da Competitividade da Indústria Paulista, anunciado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), prova que os buracos deixados pela desindustrialização afetam sensivelmente o padrão de consumo.


Os paulistas perderam 19,02% de participação na produção industrial do País no período de 1996 a 2004, quando os 49,4% regrediram para 40%. Em período semelhante, o Índice de Potencial de Consumo dos paulistas medido pela Target caiu de 36,65% em 1995 para 29,86% em 2007. Nada surpreendente que no mesmo período a participação relativa do Grande ABC no Índice de Potencial de Consumo tenha decrescido 28,71% – de 2,904% mensurados em 1995 para 2,070% agora em 2007.


Tudo isso é consequência direta do afrouxamento da atividade industrial na Grande São Paulo, entre outros motivos por causa da guerra fiscal, da deseconomia de escala das grandes metrópoles e também da abertura econômica excessivamente rápida e sem contrapartidas dos anos 1990, sob o jugo de distorções do real valorizado e da estratosférica escalada dos juros reais.


A queda relativa e absoluta do Grande ABC no ranking da Target é evidente. Em 1995, os 2,904% de participação significavam o nono lugar no confronto com os Estados brasileiros. A região ficava atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Pernambuco. O mesmo confronto em 2007 aponta o Grande ABC atrás daqueles mesmos Estados e também superado por Goiás, Ceará e Pará; ou seja, em 12º lugar. E tudo indica que no máximo até o ano 2010 Espírito Santo e Distrito Federal também deverão passar à frente.


Contrariamente à interpretação geral, Campinas, Sorocaba e São José dos Campos também acumularam perdas de participação absoluta e relativa no ranking da Target. Juntos, os três municípios somavam potencial de consumo de 2,606% em 1995, contra 1,916% em 2007. Uma diferença de 26,4%. Como se explicam os estudos que colocam aqueles três grandes municípios do Interior de São Paulo como receptores de investimentos e de produção de riqueza que deixaram a Grande São Paulo? Balanços de produção industrial apontam que aqueles centros de regiões metropolitanas são beneficiados por investimentos produtivos em municípios vizinhos, contrariamente ao que ocorre na Capital do Estado e na maioria dos 39 municípios que formam a Região Metropolitana de São Paulo.


A perda de 0,834 ponto percentual do Grande ABC no bolo do potencial de consumo do País em 12 anos (2,904% contra 2,070%) é estrondosa quando se multiplica o índice pelo total previsto para todo o território nacional. Cada ponto percentual de consumo significa R$ 15,06 bilhões. Numa avaliação que leve em conta tão-somente a participação relativa de cada um dos municípios do Grande ABC comparados entre si, os três mais tradicionais respondem pela maior fatia de perda.


São Bernardo viu desaparecer 1,52 ponto percentual entre 1995 e 2007 ao cair de 34,57% para 33,05%. O mergulho pode ser explicado pelo fato de que, apesar de abrigar a maior parte dos mais de 300 mil novos habitantes da região no período, perdeu produção industrial demais. Quanto maior o número de habitantes mais potencial de consumo se apresenta como consequência, mas se não há geração de riqueza e de renda em proporção semelhante, outros municípios acabam avançando mais.


Utilizando-se o mesmo critério para aferir o declínio regional de São Bernardo, Santo André ficou próximo com queda de 1,18 ponto percentual de participação relativa na região (de 30,13% para 28,95%). São Caetano apresentou número levemente superior: foi 1,23 ponto percentual de queda (8,64% em 1995 contra 7,41% em 2007). Mauá aumentou participação relativa na região em 1,71 ponto percentual (de 11,05% para 12,76%), Diadema em 1,58 ponto percentual (de 11,05% para 12,63%), Ribeirão Pires em 0,33 ponto percentual (de 3,72% para 4,05%) e Rio Grande da Serra em 0,04 ponto percentual (de 0,07% para 0,11%).


Tudo isso representa mensagem de alerta de que as cidades mais tradicionais da região estão se empobrecendo também nos confrontos locais enquanto as demais pelo menos podem comemorar melhora doméstica, embora percam o jogo no confronto estadual e nacional.


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