Economia

Um presente para ser bem
aproveitado pelo Grande ABC

ANDRE MARCEL DE LIMA - 10/03/2006

O Grande ABC ganhou um presentão, mas – numa reação típica de quem é pego de surpresa – mostra-se ao mesmo tempo exultante e desnorteado, sem saber direito o que fazer com a novidade. A imagem do felizardo indeciso é a que melhor expressa a reunião que a Agência de Desenvolvimento Econômico promoveu para anunciar a parceria com o Instituto Meccano, da Itália, e o pacote de US$ 1,7 milhão para a criação de um centro de serviços metal-mecânico na região.
Informações conflitantes e respostas genéricas a questionamentos pragmáticos deram o tom do anúncio oficial realizado na sede da Agência e do Consórcio Intermunicipal numa mostra de que se está diante de um fenômeno inusitado: no lugar da tradicional escassez de recursos financeiros, desta vez faltam diretrizes inteligíveis para transformar condições materiais em itinerário de ações.


O que se espera é que, passada a confusão inicial, lideranças regionais tomem pé da situação e definam rumos claros para que metalúrgicas de micro, pequeno e médio portes sejam verdadeiramente beneficiadas pelo programa.


Quem foi à reunião em busca de respostas saiu cheio de interrogações. Inicialmente falou-se na instalação de um centro de serviços no molde do italiano Meccano, que há 17 anos pavimenta o caminho da inovação tecnológica para centenas de empresas da região de Marche. Diretor-geral da Agência e prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior, chegou a dizer que o centro seria instalado em São Caetano, provavelmente dentro de uma das unidades do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Como deixou o auditório antes do final do evento, não viu o diretor-executivo Silvio Minciotti vislumbrar panorama diverso. Minciotti afirmou que mais importante do que ter espaço físico com máquinas e equipamentos é desenvolver a capacidade de fazer o meio de campo entre demandas das empresas e oferta de serviços em instituições já existentes como Centro Universitário da FEI, Escola de Engenharia Mauá e IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).


“Nos dois anos iniciais vamos mapear demanda e oferta a fim de promover casamento das necessidades aos ativos já disponíveis. Promoveremos varredura completa para detectar o que as empresas mais precisam e só investiremos na compra de máquinas e laboratórios se já não forem oferecidos pelas universidades e centros de pesquisa” – argumentou. Do auditório, a vice-reitora de Extensão e Atividades Comunitárias da FEI, Rivana Basso Fabbri Marino, questionou se universidades poderiam ter acesso a uma parte dos recursos previstos. Minciotti respondeu que, ao participar de programa com suporte de instituto italiano, escolas como a FEI teriam melhores condições de conseguir crédito em órgãos como Finep, por exemplo.


A idéia de auscultar empresas para formatar a grade de serviços foi frontalmente alvejada pela italiana Letizia Urbani, diretora-geral do Instituto Meccano, que participou do anúncio oficial ao lado de Fabrizio Costa, executivo da região de Marche, e Cláudio Cortellese, representante do Fundo Multilateral do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Letizia enfatizou que o papel de um centro difusor de inovação tecnológica é antecipar o futuro, não refletir o presente. “Se esperarmos pela demanda nunca oferecemos os serviços. É preciso tomar as rédeas do processo” – alertou, ao lembrar que, quando da criação do Meccano, há 17 anos, poucas empresas enxergavam a necessidade de utilizar sistema informatizado Cad-Cam em projetos – ferramenta que se tornou absolutamente indispensável. Do US$ 1,7 milhão previsto, US$ 800 mil devem ser empenhados pelo Sebrae, US$ 480 mil pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, US$ 300 mil pela região de Marche e US$ 120 mil pela Agência de Desenvolvimento do Grande ABC.


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