Imprensa

Três faces da mesma moeda de
compromisso com a regionalidade

DANIEL LIMA - 26/08/2015

Os leitores que acompanham este jornalista sabem muito bem que não abro mão de linha de coerência informativa e analítica porque, entre outros motivos, não tenho rabo preso com ninguém. Mais que isso: mantenho paixão pela regionalidade da qual, certamente, um dia vou me livrar. Não está nos meus planos envelhecer morando na região. Haverei de encontrar um cantinho sossegado no Interior para curtir a satisfação de ter contribuído muito mais que a média dos formadores de opinião e dos tomadores de decisões. Não faço parte do Assalta Grande ABC, do Omita Grande ABC, do Festeja Grande ABC, do Dissimula Grande ABC e de tantos outros grupelhos de oportunistas, irresponsáveis, covardes ou descrentes.


 


Sinto-me nestes tempos o milagre da multiplicação por três. Entretanto, há quem inadvertidamente imagine que estou mesmo é me dividindo em três partes contraditórias, quando não incoerentes. Não há divisão quando se mantém a estrutura genética de uma atividade a que nos lançamos. Embora com faces diferentes, sou o mesmo profissional nesta revista digital, na função de quase-quase ombudsman do Diário do Grande ABC e também como apresentador de um programa de TV do Diário do Grande ABC na rede mundial de computadores. O que diferencia um profissional do outro e o outro do outro, sendo este um único profissional, é a plataforma tecnológica de atuação.


 


Estrutura tripartite


 


Nesta revista digital tenho mais liberdade vocabular imposta por mim mesmo para expressar sentimentos sobre nossa regionalidade em todas as ramificações possíveis. Na coluna “Contexto ABC”, que assino nas edições de domingo do Diário do Grande ABC, minha missão é analisar aquela publicação ao longo de cada semana. Já como apresentador de “Diálogo Aberto”, marca do programa de entrevistas no DGABC TV, sempre com o suporte da jornalista Juliana Bontorim, responsável por aquele canal, procuro ser o mais discreto possível. A bola tem de ser mesmo jogada pelos dois convidados de cada programa.


 


Para que não haja dúvida sobre essa estrutura tripartite, o desenho que se apresenta é uma obra esculpida exclusivamente por este jornalista. Ninguém sugeriu ou contrapôs qualquer tipo de intervenção nesse sentido e em sentido diverso. A liberdade de expressão crítica que exerço nesta revista digital é repassada automaticamente às demais plataformas de comunicação. A diferença é apenas de tom. O liberalismo do jornalista digital faz boa parceria com o convencionalismo de linguagem do jornalismo impresso tanto quanto com o grau maior de comedimento televisivo. Essa santíssima trindade de comunicação, repito, foi desenhada por mim.


 


E se querem saber se encontro facilidades em me ajustar nos três compartimentos de comunicação nos quais me enfiei, respondo de imediato: estou passando por processo de adaptação. Sobretudo no campo televisivo, no qual faço sim muito esforço para não passar de um mediador provocativo que se distancie do terreno do opinativo a ponto de obscurecer as declarações dos convidados.


 


Ombudsman impregnado


 


A experiência como quase-quase o ombudsman no Diário do Grande ABC não me causa dificuldades de ajeitamentos porque já nesta revista digital exercitava o direito sagrado de avaliar os jornais, principalmente da região. Virei aqui ombudsman não autorizado de todos os veículos de comunicação da região, função da qual não abri e nem pretendo abrir mão porque CapitalSocial é uma trincheira essencialmente minha.


 


A coluna que assino no Diário do Grande ABC também é uma trincheira essencialmente minha, com a diferença de que há algumas formas de expressão que evito transpor de um veículo de comunicação a outro. Por exemplo: Província do Grande ABC não faz parte de meu vocabulário nas páginas do Diário do Grande ABC porque assim eu me impus, embora não me faltem cobranças para que a adote naquele endereço.


 


Como não tenho nada a esconder dos leitores que me acompanham há muitos anos – e também àqueles que chegaram com o advento deste CapitalSocial – frequento sem nenhum tipo de constrangimento pessoal e profissional essas três esferas de comunicação. Embora os produtos sejam diferentes, os insumos partem de um mesmo endereço vocabular e cognitivo. E esse vocabulário jamais esteve em qualquer mesa de negociação.


 


O que mais espero dos leitores deste CapitalSocial, muitos dos quais migrados das páginas impressas da revista LivreMercado, é que exerçam sem folga monitoramento constante de minhas atividades profissionais. Não me deem moleza. Cobrem-me coerência. E quanto mais longevos são esses leitores, melhor ainda. Quem não se lembra de LivreMercado, aquela revista que todos sonham um dia voltar a circular e sobre a qual tenho muitas boas lembranças mas também um trauma imensurável que jamais me permitirá retomar o passado?


 


Já tenho idade suficiente, acreditem, para não cultivar o ego acima dos limites e para não instalar a ambição em altura que me obrigue a ajoelhar para ganhar impulso. Cheguei a um ponto de minha vida pessoal e profissional que não me custaria nada dar um safanão nesses três personagens siameses que habitam minha alma profissional e, definitivamente, voltar aos tempos de Interior, de menino de Interior, que só queria viver. A diferença é que quando se é menino, tem-se um futuro incerto pela frente, enquanto que, quando se já é experiente, tem-se um passado do qual se possa orgulhar ou não. Não seria no fim do caminho, no resto de toco, no pouco sozinho, que rasgaria meu legado profissional. 


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