Economia

Pequenos negócios,
grandes problemas

DANIEL LIMA - 05/04/2004

Há muitas imprecisões quando o assunto são os pequenos negócios de varejo. O peso das grandes redes é muito maior do que apontam as estatísticas oficiais. A Associação Brasileira de Supermercados, que reúne tudo que tem peso na atividade, costuma minimizar o genocídio comercial no País, ao desfilar números modestos sobre a participação relativa das cinco maiores redes, que beirariam a 40%. Trata-se de truque estatístico. Nas regiões metropolitanas o peso das cinco maiores redes provavelmente ultrapasse 70%. Há certo afrouxamento quando se incorpora todo o território nacional, porque os pequenos municípios desgarrados de zonas metropolitanas não são comercialmente atrativos a investimentos do setor. Aí os pequenos varejistas ainda resistem.


 


Cálculos de especialistas em varejo no Grande ABC apontam que perto de 65% do consumo de 2,4 milhões de habitantes está centralizado nas cinco maiores redes, tendo à frente a Coop, detentora de cerca de um terço do mercado regional. É, portanto, a primeira entre as cinco maiores redes de atuação local, embora no âmbito nacional esteja no nono posto.


 


Relatório divulgado na semana passada em Washington pelo Instituto Internacional de Pesquisas de Políticas Alimentares afirmou que a concentração do setor de supermercados no Brasil prejudica os negócios de pequenos fornecedores de alimentos, principalmente de produtos agrícolas e carnes e aves. O documento, segundo relato de Adriana Mattos, da Folha de S. Paulo, defende a idéia de que os pequenos fabricantes estão em desvantagem e cita o Brasil como um dos casos. Segundo dados daquela instituição de pesquisas, os supermercados instalados no Brasil eram responsáveis por 30% das vendas de alimentos em 1990. Já em 2000 saltaram para 75%. Nada mais lógico, porque o afunilamento de grandes players distorce completamente os mecanismos de competitividade.


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