Economia

Exportar móveis
é o que importa

WALTER VENTURINI - 05/02/2004

Nos anos 70, o governo brasileiro adotou como bordão econômico exportar é o que importa. A frase continua válida para a economia nacional neste início de terceiro milênio e está sendo colocada em prática por indústrias moveleiras do Grande ABC e da Capital, que se aliaram para prospectar oportunidades junto ao emergente mercado mexicano. A iniciativa é do Consórcio Export Forniture Brazil, formado por 26 empresas dos dois pólos e que vai expor este mês na Feira de Móveis de Guadalajara.


 


"Queremos conhecer o mercado do México, que foi o segundo no mundo em crescimento na compra de móveis brasileiros, aumentando 33% entre 2002 e 2003" -- aposta Gustavo Heitor Viteri Pitarelli, diretor da Móveis Primolar, de Santo André, que produz gabinetes para banheiros e cozinhas e uma das empresas que participam da feira.


 


Para ir ao México os moveleiros tiveram de se preparar com a formação de um consórcio em maio de 2003. Foi uma consequência quase natural que Grande ABC e Capital se aproximassem. "Os dois pólos têm características semelhantes como o trabalho voltado para móveis residenciais, a maioria sob encomenda. As vendas são realizadas em lojas, o que determina uma única opção para distribuição, de natureza estática. É um posicionamento estratégico de alto risco" -- analisa Silvana Pompermayer, gerente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas) Grande ABC 1, que participa das discussões para redirecionar o setor moveleiro da região para novos nichos, principalmente exportações.


 


O Consórcio Export Forniture Brazil também contratou um consultor, que já está no México prospectando mercado para os móveis do Grande ABC e Capital. A formação da entidade surge de parceria entre SindMóveis do Grande ABC e SindMóveis de São Paulo com apoio da Apex (Agência de Promoção de Exportações do Brasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O projeto está focado na descoberta de novos mercados e no desenvolvimento de técnicas de marketing. Um primeiro catálogo de produtos voltado ao mercado externo também foi elaborado pelo consórcio. "O Grande ABC, por si, não conseguiria estruturar ação como essa. Foi necessária uma união com a Capital" -- afirma Silvana Pompermayer, que há quase uma década auxilia moveleiros do Grande ABC no esforço modernizador. Voltar as atenções para o mercado externo é bastante promissor. Estudo da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) indica que o comércio mundial do setor envolve 50 países e movimenta cerca de US$ 55 bilhões.


 


O potencial das exportações é o que atrai empresas como a Móveis Primolar, de Santo André, que enviou quatro kits de gabinetes para banheiro, idênticos aos que comercializa no mercado brasileiro por meio de 300 pontos-de-venda, a maioria em lojas de material de construção. A Primolar é uma exceção entre empresas moveleiras da região pois não trabalha com encomendas e há 28 anos mantém linha de produção seriada. Com capacidade de venda de 10 mil kits por mês, a fábrica está em ritmo de contenção diante das dificuldades do mercado interno. Tem 36 funcionários, cerca de um quarto do que mantinha nos tempos de produção plena. "O mercado retraiu e a concorrência aumentou. Por isso temos de aproveitar qualquer possibilidade, seja no mercado externo ou no interno" -- afirma o diretor Gustavo Pitarelli.


 


Mercado interno


 


A parceria entre moveleiros do Grande ABC e Capital tem outro alvo: o mercado interno, que oferece oportunidades ainda não totalmente identificadas. Para reduzir a dependência dos móveis residenciais e da produção sob encomenda, que dispensa a linha seriada, a saída é a prospecção de novos nichos. A aliança entre empresas da região e da Capital sob orientação do Sebrae contratou a Agência de Comunicação Mercadológica da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) para realizar pesquisa de mercado na Grande São Paulo e identificar o potencial de consumo de ramos como hotelaria, construção civil, clínicas e hospitais.


 


Na mira das empresas estão móveis funcionais e para escritórios produzidos em escala a custo menor do que peças sob encomenda. "O setor precisa perceber que existem nichos em que pode atuar mas que até agora não foram trabalhados" -- lembra Silvana Pompermayer, do Sebrae, ao defender que o setor moveleiro rediscuta a estratégia de mercado. Uma eventual mudança implica também em investimentos em tecnologia, recursos humanos e design, além de nova visão de produto e de política de fornecedores.


 


Silvana dá o exemplo do MovelAção, programa que juntou um grupo de empresas do Grande ABC no desenvolvimento de linha padrão de móveis para exportação. "Foi a única experiência de design na região e que apontou para uma mudança de cultura do empresário" -- avalia a gerente do Sebrae. Duas empresas que fizeram parte do MovelAção participam do consórcio. O programa durou um ano e meio e encerrou com exposição dos novos móveis no início de 2003 no Shopping SBC Móveis, em São Bernardo. Serviu para uma primeira prospecção da capacidade da indústria moveleira do Grande ABC em explorar o mercado externo. Serviu também para mostrar aos empresários a necessidade de se estar aberto a novas possibilidades, sempre com investimentos em modernização do processo de produção e de gestão de negócios.


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