Economia

Menor impacto
possível

WALTER VENTURINI - 02/02/2003

O trecho Sul do Rodoanel vai concentrar entre São Bernardo e Mauá o maior número de viadutos e túneis, a fim de minimizar a agressão ambiental aos mananciais da Represa Billings. Isso possibilitaria também benefício extremamente importante para a economia regional: viabilizar no mesmo trecho a passagem tanto do Rodoanel como do Ferroanel — uma via de interligação de ferrovias em torno da Região Metropolitana de São Paulo.


 


A integração dos dois grandes anéis viários prevista no projeto do trecho Sul do Rodoanel esbarra, no entanto, em divergências entre técnicos da Dersa, representantes de movimentos ambientalistas e órgãos de defesa ambiental das prefeituras da região. As diferenças em relação ao projeto serão tema dos debates das audiências públicas marcadas para este mês e em março, duas das quais no Grande ABC: em Mauá, neste 13 de fevereiro, e em São Bernardo, dia 17.


 


“O trecho entre a Via Anchieta, em São Bernardo, e a Avenida Papa João XXIII, em Mauá, é o mais complexo. A solução é passar o Rodoanel no topo dos morros, com túneis e viadutos, semelhante ao que foi feito no trecho de serra da Rodovia dos Imigrantes. É a solução que compatibiliza o Ferroanel” — anuncia o coordenador de Gestão Ambiental do Rodoanel, Rubens Mazon, que participou em janeiro de reunião com técnicos das prefeituras do Grande ABC para a área ambiental na sede do Consórcio Intermunicipal de Prefeitos, em Santo André. Mazon explicou ainda aos ambientalistas presentes que entre outras soluções de engenharia para reduzir o impacto ambiental está a drenagem de efluentes perigosos para bacias de contenção. O objetivo é evitar que em casos de acidentes com caminhões as cargas perigosas poluam os mananciais como ocorre na Rodovia Índio Tibiriçá, atualmente a rota preferida dos veículos que transportam produtos químicos.


 


Consenso vantajoso 


 


“O traçado está estabelecido e cabe aos órgãos ambientais dos municípios e à Dersa chegarem a consenso que possa minimizar os eventuais impactos negativos. Os impactos positivos, do ponto de vista social e econômico, são extremamente importantes para o Grande ABC” — declara Ronaldo Vergílio Pereira, geógrafo e coordenador do Grupo Técnico de Meio Ambiente do Consórcio Intermunicipal.


 


Mas nem tudo são flores no debate sobre o trecho sul, que será o maior do Rodoanel, com 53,8 quilômetros da extensão total de 170 quilômetros. A principal alteração que ambientalistas querem no projeto é o desvio da rodovia para passar ao norte do Parque do Pedroso, em Santo André, se afastando das margens da Billings e de áreas como a favela Pintassilgo. Nesse núcleo o EIA (Estudo de Impacto Ambiental) preparado pela Dersa identificou 436 famílias, enquanto a Prefeitura registra 786. “A partir de nosso estudo, com base no que foi apresentado no EIA, queremos chegar a outro acordo” — afirma a diretora do Departamento de Gestão Ambiental do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental), Gabriela Priolli de Oliveira.


 


O desvio do Parque do Pedroso pelo norte é uma das poucas ações que Rubens Mazon garante ser inviável no projeto do Rodoanel. “O impacto ambiental seria maior passando ao norte do parque, a dificuldade também é muito maior e o traçado inviabilizaria o Ferroanel. Na verdade, com a ferrovia em outro local, teríamos dois impactos na área” — argumenta o coordenador de Gestão Ambiental da rodovia.


 


Atrasar o início do Rodoanel e ainda inviabilizar o Ferroanel é tudo que os sete prefeitos da região não querem. Todos têm claro que se o respeito ao meio ambiente é parâmetro que nunca deve ser perdido, sabem também que o Grande ABC não pode simplesmente desdenhar dois projetos fundamentais à recuperação da economia regional. Para Rubens Mazon, no entanto, os debates não vão atrasar o início das obras do trecho sul, previsto para o começo de 2004. “Audiência pública é para isso mesmo e as conversas têm caminhado para o consenso. Acredito que não vão atrasar a obra” garante o executivo da Dersa. 


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