Economia

Capital e trabalho
contra invasores

DANIEL LIMA - 20/06/2001

O desespero do pequeno comércio, atingido em cheio pelas grandes redes, está unindo representantes do capital e do trabalho no Grande ABC. Assustado com o volume de demissões de funcionários e de fechamentos de pequenos estabelecimentos como bares, padarias, farmácias, mercearias e bazares, entre outros, o Sindicato dos Empregados no Comércio está se preparando para agendar audiências com prefeitos dos sete municípios. O presidente Minervino Ferreira pretende apresentar formalmente pedido de socorro em nome de 100 mil trabalhadores do setor.


 


Minervino deverá ser acompanhado por José Carlos Buchala, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Grande ABC. É uma espécie de frente ampla contra a invasão que agora se desloca dos principais eixos viários ocupados por supermercados e hipermercados e atinge a periferia, em forma de lojas de menor porte que contam com estrutura técnico-operacional dos grandes conglomerados às quais estão ligadas. Dados oficiais do sindicato comandado por José Carlos Buchala e revelados no ano passado por LivreMercado mostram que entre 1994 e 1999 nada menos que seis mil pequenos negócios formais do comércio cerraram as portas na região.


 


O massacre anunciado do pequeno comércio do Grande ABC é antiga denúncia de LivreMercado. A omissão dos prefeitos e dos Legislativos só perde para o ufanismo inebriado com os valores dos investimentos das grandes redes sem levar em conta os efeitos colaterais. Que efeitos colaterais? "A cada 150 empregos criados com a vinda dos grandes empreendimentos de comércio, num raio de três a quatro quilômetros cerca de mil empregados perdem seus postos de trabalho" -- responde Minervino Ferreira para justificar a reação do sindicato dos trabalhadores. "Quando o Eldorado chegou a São Bernardo, na segunda metade da década de 1980, mais de 130 pequenos estabelecimentos da redondeza desapareceram" -- reforça José Carlos Buchala, do sindicato dos empreendedores.


 


Essa velha conta de diminuição foi denunciada solitariamente inúmeras vezes por LivreMercado. A última grande reportagem da revista sobre o tema, em maio do ano passado, ocupou 10 páginas. Ouviu as principais lideranças do setor varejista sob o título "Ninguém vai Salvar o Pequeno Negócio?" foi a Reportagem de Capa.


 


A reação do Sindicato dos Trabalhadores surpreende porque Minervino Ferreira mantinha-se equidistante do problema. Ele confessa que acreditava na ilusão de emprego farto das grandes redes. José Carlos Buchala, que mantém bom relacionamento com o dirigente sindical e sempre reforçou o perigo da concorrência desigual, não esconde surpresa com a nova posição de Minervino Ferreira. "Se ele está preocupado é ótimo, porque assim poderemos ir juntos aos prefeitos" -- afirma. Minervino é mais reticente quanto às propostas que pretende apresentar. Buchala é mais incisivo: "É preciso levar em conta qual o nível de emprego que as novas lojas vão gerar diretamente e os impactos socioeconômicos no entorno" -- define.


 


Também vice-presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), Buchala afirma que as grandes redes de supermercados contratam cada vez menos funcionários porque reúnem massa crítica para utilizar trabalhadores das próprias empresas fornecedoras.


 


Joanin fecha


 


Nem mesmo médios empreendimentos se safam das dificuldades. A rede de supermercados Joanin, com 10 lojas na região e em São Paulo, fechou a unidade inaugurada há cinco meses em Santo André. "Quando fazíamos uma promoção, os concorrentes corriam e cobriam nosso preço. Não houve jeito" -- explica Amâncio da Cruz dos Santos, gerente administrativo do Grupo Osvaldo Cruz, detentor da marca Joanin. Os prejuízos com o investimento de R$ 1 milhão só serão minimizados porque equipamentos estão sendo deslocados para outras lojas do grupo. Mas apenas metade dos 100 funcionários pôde ser realocada.  


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