O tucano Paulinho Serra não pretende comandar a Prefeitura de Santo André a partir de janeiro de 2017 seguindo o receituário mequetrefe dos antecessores que se esqueceram de levar a sério um conjunto de propostas direcionadas à Economia do Município mais fortemente desindustrializado ao longo de quatro décadas. A centralidade estratégica da pasta de Desenvolvimento Econômico como guarda-chuva de projetos diversos é a lógica do ex-vereador e ex-secretário de Mobilidade Urbana do petista Carlos Grana. Paulinho Serra quer provar inclusive a este jornalista que, quando faz referência a Celso Daniel ,não está para brincadeiras. Nada me deixaria mais feliz.
Para provar que não está mesmo para brincadeiras Paulinho Serra espera contar com um grupo tecnicamente de elite que enxergue Santo André econômica muito mais com lupas técnicas do que escravizantemente políticas. Traduzindo em miúdos: mais que o azul do tucanato e as multicores dos aliados, Paulino Serra quer gente profissional da Economia para cuidar da Economia de Santo André.
O tiro de largada será bem antes das eleições de outubro do ano que vem, entre outros motivos porque a sociedade precisaria estar bem informada para distinguir alhos de bugalhos. Talvez os concorrentes corram atrás de Paulinho Serra. Seria ótimo, porque finalmente Santo André teria uma agenda econômica digna do passado que a assola e do futuro que a desafia.
Premissa inédita
A vantagem de Paulinho Serra como candidato a prefeito de Santo André em relação aos prefeitos que já passaram pelo gabinete ocupado por Celso Daniel é que o tucano tem uma oportunidade de ouro para revolucionar o conceito de gestão econômica. Se der mesmo espaço a um organograma que coloque em destaque os formuladores e executores de politicas de Desenvolvimento Econômico, Paulinho Serra estará inaugurando uma Era de inovações na Província do Grande ABC. Vai retirar a pasta da subalternidade incompreensível que permeou os prefeitos em geral para colocá-la senão no trono de soberania hierárquica, mas em situação de relevo.
O candidato Paulinho Serra está a projetar uma premissa inédita, tantos foram os candidatos e prefeitos que já passaram pela Província do Grande ABC e insistiram em desprezar ou a minimizar. Trata-se de que, sem funcionalidade econômica, não existe o restante, ou se existe será em porção muito menor do que deveria ser.
Aprender com terceiros
Os prefeitos da região são seres estranhos porque incapazes de aprender mesmo que seja por osmose uma lição elementar: se o governo central bate cotidianamente na tecla do crescimento econômico como plataforma de embarque de políticas sociais, por que os chefes de Executivos municipais desprezam tanto políticas locais de desenvolvimento?
Prefeitos, principalmente do Interior do Estado, deram um safanão no comodismo e foram à luta para reforçar o tecido industrial, inclusive com guerra fiscal. Por isso multiplicaram-se endereços que evoluíram em emprego, renda e na base de impostos muito acima dos dados históricos desta região.
Certamente Paulinho Serra vai adotar como possível prefeito de Santo André uma dinâmica diferenciada de Desenvolvimento Econômico. Em vez do que se pratica na região, teremos, finalmente, um arcabouço azeitado. A secretaria de Desenvolvimento Econômico escanteada na engenharia de poderes paralelos do gabinete do prefeito deverá, com Paulinho Serra, estar no centro de uma engrenagem alimentadora de programas comprometidos com o conjunto da sociedade.
Ou seja: em vez de ser o primo pobre da estrutura organizacional de governo, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico ganharia status de centro catalizador e difusor de iniciativas que redundem em melhorias dos índices de arrecadação e de produção de riqueza.
Paulinho Serra provavelmente não cometerá o equívoco de prometer mundos e fundos durante os possíveis quatro ou oito anos de mandato que os tucanos e aliados tanto pretendem conquistar. Por mais que tenha sabedoria e agregue forças econômicas que enxerguem Santo André acima de interesses grupais, corporativos e pessoais, Paulinho Serra deverá reconhecer que não será nada fácil a execução da proposta de retirar o caminhão do acostamento -- entre outros motivos porque está emperrado em velharias conceituais.
Viuvez industrial
A viuvez industrial de Santo André, como mostro em algumas matérias logo abaixo, não é conversa mole para boi dormir. É uma realidade nua e crua que precisa ser combatida com arte, engenho e muito suor. E mesmo assim os resultados tendem a demorar e a desafiar a paciência. Daí a importância de não se venderem facilitarismos resolutivos. Ou seja: fazer com que Santo André passe a inverter os indicadores de perdas econômicas, que já foram mais acentuadas mas ainda preocupam, não é algo que se encontra na feira livre de promessas cultivadas no calor das disputas.
Está aí o prefeito Carlos Grana que não me deixa mentir. Fez escolhas totalmente inadequadas. Não se deu conta de que muitos problemas na área de saúde começam e terminam com mais arrecadação e mais critérios de eficiência na aplicação de recursos.
Paulinho Serra precisa resistir à tentação natural de período eleitoral de montar conforme interesses partidários uma equipe preliminar para desenhar o que seria de mais pragmático ao Desenvolvimento Econômico. Isolar o grupo de forças de pressão sem conhecimento especializado seria medida intransferível. Diria que antes mesmo de pensar nos nomes que lhe dariam assessoria na área econômica, Paulinho Serra deveria reunir-se com gente de confiança e que não abra mão de conceitos modernos de governança e de governabilidade a fim de traçar as linhas mestras dos conceitos que regerão o alinhamento programático da área econômica.
O desconhecimento generalizado da classe politica regional e de seus assessores sobre as razões de termos virado uma Província passa prioritariamente pelo mata-burro da economia.
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