A Província do Grande ABC caminha mesmo para a criação de uma entidade do mercado imobiliário que praticamente liquidaria de vez com o que sobrou do Clube dos Especuladores Imobiliários dirigido há um quarto de século pelo empresário Milton Bigucci. A julgar pela disposição dos interessados na nova instituição, pequenos e grandes construtores e incorporadores vão se juntar para dar novo ordenamento funcional e ético a uma atividade de interesse da sociedade como um todo.
O movimento que envolve grandes e médias construtoras sem qualquer vínculo com o Clube dos Especuladores poderá ganhar reforço do Clube dos Pequenos Construtores, nome fantasia da Associação dos Construtores e Incorporadores de Santo André. Iniciativas à aproximação já foram tomadas. Mesmo quem entre os pequenos construtores que consideravam inviável uma entidade que reunisse o segmento e os grandes players do mercado imobiliário já estão convencidos de que há mais compatibilidades que conflitos empresariais a mover os dois agrupamentos em torno de objetivos que passam a léguas de distâncias da inoperância do Clube de Milton Bigucci.
Certo mesmo é que, independentemente dos próximos passos, a quase totalidade do mercado imobiliário da região que não se sente representada pelo Clube dos Especuladores Imobiliários está em posição de expectativa de que mudanças estariam próximas. Não existe, segundo lideranças do movimento, qualquer possibilidade de aproximação com o Clube de Milton Bigucci.
Braços terceirizados
Sobretudo os pequenos construtores de Santo André têm motivos de sobra para distanciarem-se de Milton Bigucci e do Clube dos Especuladores. Eles reprovam os métodos utilizados por aquela entidade excessivamente personalizada. O Clube dos Pequenos Construtores de Santo André está em posição de alerta contra a entidade de Milton Bigucci. Dirigentes afirmam que têm indícios suficientes para assegurar que o Clube dos Especuladores procurou bombardear a categoria com mudanças potencialmente dilaceradoras ao uso e ocupação do solo, cujo projeto está em fase de definições na Administração Carlos Grana.
Há duras queixas ao secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Paulo Piagentini, acusado de comportar-se como braço operacional de Milton Bigucci na Prefeitura de Santo André. Mais que isso: Piagentini é visto como adversário duplamente prejudicial aos pequenos construtores: ao mesmo tempo em que seria o representante de grandes construtoras e incorporadoras sob o guarda-chuva de interesses de Milton Bigucci, também estaria aparelhado para diluir a capacidade de empreendedorismo do Clube dos Pequenos Construtores com modificações nefastas na legislação do setor.
Segunda tentativa
Este é o segundo ensaio de dissidentes do Clube dos Especuladores Imobiliários na tentativa de dar reviravolta institucional na atividade. A proposta não frutificou anteriormente entre outras razões, segundo informações dos próprios oposicionistas, porque havia certo temor às reações de Milton Bigucci. Entretanto, o desgaste do empresário metido em irregularidades apontadas pelo Ministério Público Estadual, principalmente no caso da Máfia do ISS, teria sido o ponto de inflexão rumo a novos tempos.
Dirigentes imobiliários descartam qualquer possibilidade de participar do Clube dos Especuladores mesmo quando informados sobre eventual afastamento de Milton Bigucci da presidência. Fala-se que as próximas eleições apontam o empresário Marcus Santaguita como sucessor de Bigucci. Para os empresários, Milton Bigucci permanecerá comandando a entidade mesmo longe da presidência.
Certo mesmo é que o ambiente há muito tempo de reprovação à atuação do Clube dos Especuladores Imobiliários parece ter chegado ao limite. Diante da previsão de que mais do que nunca o setor em crise exigirá medidas estratégicas que coloquem os empresários em busca coletiva de soluções, a alternativa do Clube dos Especuladores está fora de propósito.
A adesão dos pequenos, que formariam departamento específico na nova organização, poderia potencializar a expansão do modelo de Santo André a outros municípios da região. A construção de apartamentos em apenas dois pavimentos e que custam praticamente o mesmo que o módulo mais popular do programa Minha Casa Minha Vida, com a vantagem de contar com padrão muito superior, não necessariamente se rivaliza com os produtos de grandes e médias empresas do setor. Mais que isso: complementam a oferta de produtos residenciais de acordo com a demanda.
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